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Governo Trump prepara plano de demissões em massa em caso de paralisação do governo

Serviços essenciais devem ser preservados, mas milhares de servidores podem ficar sem pagamento

Agência o Globo
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Publicado em 25 de setembro de 2025 às 10h07.

O Escritório de Gestão e Orçamento (OMB) da Casa Branca orientou as agências federais a elaborarem planos para demissões em massa caso o governo seja paralisado a partir de 30 de setembro.

O memorando, obtido pela CNN, determina que programas sem obrigação legal de continuidade sejam alvo de cortes drásticos de pessoal, o que pode levar à eliminação permanente de empregos considerados incompatíveis com as prioridades do presidente Donald Trump.

Impasse político entre republicanos e democratas

O documento representa uma mudança em relação a paralisações anteriores e amplia a tensão no embate sobre o financiamento federal. A oposição democrata exige concessões, como a extensão dos subsídios ampliados do Affordable Care Act, enquanto Trump rejeita qualquer negociação e pressiona por uma extensão “limpa”.

"Continuamos esperançosos de que os democratas no Congresso não desencadearão uma paralisação e que as medidas descritas acima não serão necessárias", escreveu o OMB no memorando, segundo a CNN.

O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, criticou a iniciativa:

"Donald Trump vem demitindo funcionários federais desde o primeiro dia — não para governar, mas para assustar. Essas demissões desnecessárias serão anuladas na justiça ou o governo acabará recontratando os funcionários, assim como fez recentemente", escreveu.

O site Politico foi o primeiro a divulgar os detalhes do memorando. Porta-vozes da Casa Branca e do OMB se recusaram a comentar.

Redução da máquina federal

O plano se soma a outros esforços do governo Trump para reduzir o tamanho da força de trabalho federal. Em fevereiro, o presidente já havia assinado um decreto exigindo planos de enxugamento em larga escala, com resultados desiguais entre as agências. Algumas cortaram funcionários, outras recuaram, e algumas chegaram a solicitar o retorno de servidores desligados.

Segundo especialistas, a atual diretriz amplia esse movimento ao atrelar as demissões ao risco de paralisação orçamentária. Bobby Kogan, ex-funcionário do OMB no governo Biden, criticou a medida:

"Deixando de lado a questão da legalidade, isso seria uma ação de enorme automutilação infligida à nação. Também é extorsivo: ‘Dê-nos o que queremos em uma disputa por financiamento, ou prejudicaremos o país’", afirmou.

Impacto esperado em caso de shutdown

Em março, quando uma paralisação esteve próxima, estimava-se que 1,4 milhão de servidores federais seriam mantidos como essenciais, mas quase 900 mil ficariam em licença não remunerada. Paralisações anteriores já fecharam parques nacionais e museus, atrasaram empréstimos e paralisaram inspeções de alimentos.

O novo memorando ainda não foi publicado no site oficial do OMB. O órgão afirma ter recebido planos de fechamento de “muitas, mas não todas” as agências, a poucos dias do prazo final. Serviços essenciais como Previdência Social, aplicação da lei e controle aéreo não seriam interrompidos, mas milhares de trabalhadores podem ficar sem remuneração.

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