Mundo

G-20: entre o discurso e a prática

Chegou ao fim mais um encontro do G-20. Uma vez por ano, há oito anos, as 20 principais economias do mundo se encontram numa cúpula que reúne 85% do PIB, 80% das trocas e 65% da população do planeta. Entre jantares, reuniões e fotografias, costumam não decidir nada de muito prático. Foi assim mais uma vez […]

G20: em vez de discussões bizarras e pouco práticas, mundo ganharia se o debate entre os líderes fosse sobre o crescimento econômico / Lintao Zhang/Getty Images

G20: em vez de discussões bizarras e pouco práticas, mundo ganharia se o debate entre os líderes fosse sobre o crescimento econômico / Lintao Zhang/Getty Images

DR

Da Redação

Publicado em 5 de setembro de 2016 às 22h25.

Última atualização em 23 de junho de 2017 às 18h43.

Chegou ao fim mais um encontro do G-20. Uma vez por ano, há oito anos, as 20 principais economias do mundo se encontram numa cúpula que reúne 85% do PIB, 80% das trocas e 65% da população do planeta. Entre jantares, reuniões e fotografias, costumam não decidir nada de muito prático. Foi assim mais uma vez no encontro que terminou ontem, em Hangzhou, na Cjina. 

O evento deste ano, ao menos, serviu para deixar claro um medo comum: o avanço do protecionismo, influenciado por eventos como o Brexit, a saída britânica da União Europeia. Como nada foi resolvido, a questão deve ganhar ainda mais relevância nos próximos encontros. Quando os líderes voltarem a se encontrar em Hamburgo, na Alemanha, em setembro de 2017, a França pode ter Marine Le Pen como presidente – ela já prometeu tirar o país do bloco europeu na primeira oportunidade. Donald Trump pode estar sentado no salão oval, construindo seu muro com o México e rompendo relações comerciais com parceiros externos. O Brexit já deve estar mais encaminhado pela primeira ministra Theresa May.

Desde o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, até o presidente chinês, Xi Jinping, passando por Theresa May o pedido de união foi enfatizado em Hangzhou. Eles afirmaram que é necessário angariar suporte para firmar acordos de comércio, por vezes impopulares, para melhorar a vida de cidadãos comuns.

Nesse jogo, o maior empecilho a uma união é o contraste entre o discurso e a prática. A China, maior defensora de abertura no G-20, está numa corrida para derrubar os preços globais do aço com superproduções internas. Nos Estados Unidos, Hillary Clinton, a sucessora ungida por Obama, não quer dar continuidade ao Tratado Trans-Pacífico. 

Ontem, o ministro das relações exteriores brasileiro, José Serra, criticou os países que pregam aberturas, mas impões barreiras. Ele ainda afirmou que é folclore essa história de que o Brasil é protecionista. De folclore em folclore, o Brasil, e o mundo, perdem ótimas oportunidades de avançarem juntos.

Acompanhe tudo sobre:Exame HojeÀs Sete

Mais de Mundo

Forças dos EUA atacam sul do Irã após Trump ressaltar progressos em acordo de paz

Trump diz que Irã nunca obterá uma arma nuclear em meio às negociações para encerrar guerra

Flávio Bolsonaro chega aos EUA sem confirmar encontro com Trump

China prevê investir mais de RMB 5 trilhões em novas redes elétricas até 2030