Redação Exame
Publicado em 4 de janeiro de 2026 às 16h29.
Última atualização em 4 de janeiro de 2026 às 16h39.
Os Estados Unidos informaram as companhias aéreas de que as restrições impostas ao espaço aéreo do Caribe seriam encerradas às 2h (horário de Brasília), permitindo a retomada gradual dos voos à medida que as programações fossem atualizadas. A informação foi divulgada pelo secretário de Transportes americano, Sean Duffy.
Segundo a Reuters, o anúncio foi feito após o cancelamento de centenas de voos por grandes companhias aéreas, provocado pelo ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela e pela captura do presidente Nicolás Maduro. Duffy publicou a atualização em sua conta na rede social X.
Ainda de acordo com a Reuters, empresas como United Airlines, American Airlines, Spirit e Delta se preparavam para retomar operações para o Caribe já no domingo. A United informou que planejava realizar um voo para San Juan, em Porto Rico, ainda na noite de sábado e que esperava operar a maior parte da malha regular no domingo.
A Delta afirmou que pretende voar com sua programação normal para o Caribe, embora tenha feito ajustes para reposicionar aeronaves e equipes. Já a American Airlines disse estar se preparando para a reabertura do espaço aéreo do Caribe Oriental e anunciou a inclusão de mais de 3.700 assentos extras na região, além da retomada dos voos programados, segundo a Reuters.
A companhia também informou que passou a operar voos adicionais e a utilizar aeronaves maiores, incluindo modelos de fuselagem larga, para ampliar a oferta de assentos e atender passageiros impactados pela determinação da Administração Federal de Aviação (FAA).
A Spirit Airlines comunicou, por e-mail, que retomou os voos de e para o Caribe em 4 de janeiro, após o fim da diretriz de fechamento do espaço aéreo emitida pela FAA, informa a Reuters.
Mesmo com a liberação, a normalização completa das operações deve levar alguns dias. “Eles têm basicamente um dia inteiro de passageiros retidos”, afirmou à Reuters o analista do setor aéreo Robert Mann, ao mencionar o acúmulo de viajantes que ficaram presos na região.
American Airlines, Delta, United, Frontier, Spirit e JetBlue haviam iniciado o cancelamento de voos após a decisão da FAA de fechar o espaço aéreo do Caribe. A JetBlue cancelou 215 voos e informou que retomaria as operações normais no domingo, segundo a Reuters.
Em comunicado a pilotos, a FAA afirmou que o espaço aéreo foi fechado para companhias americanas “devido a riscos à segurança de voo associados à atividade militar em andamento”. Em avisos separados, a agência também orientou empresas estrangeiras a evitarem o espaço aéreo venezuelano.
Ainda segundo a Reuters, operadores britânicos foram alertados sobre o “risco potencial de armamento antiaéreo e aumento da atividade militar” em voos realizados a até 160 quilômetros da Venezuela. A FAA não fez novos comentários além das notificações oficiais.
Companhias europeias e sul-americanas também cancelaram voos em resposta às restrições. Duffy havia afirmado anteriormente que as medidas seriam suspensas “quando apropriado”.
A agência lembra ainda que atividades militares americanas próximas à Venezuela já haviam causado um incidente grave em novembro, quando um avião da JetBlue quase colidiu no ar com uma aeronave-tanque das Forças Armadas dos EUA.
Diversas companhias anunciaram a isenção de taxas de remarcação e de diferenças tarifárias para passageiros afetados pelas suspensões.
A operação militar realizada no sábado resultou na captura de Nicolás Maduro, que governa a Venezuela há vários anos. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país ficará sob controle americano, com eventual emprego de forças militares, se necessário.
A Air Canada informou que suas operações no Caribe e na América do Sul seguem normais, sob orientação da Transport Canada, e que monitora a situação. Dados do FlightRadar24 indicaram que o tráfego aéreo comercial sobre o espaço aéreo venezuelano foi interrompido após o ataque.