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Rei da Espanha reconhece 'abusos' na colonização do país nas Américas: 'não podemos ter orgulho'

Declaração de Felipe VI ocorre em meio às tensões diplomáticas com o México, que cobra da monarquia espanhola um pedido de desculpas sobre o período colonial

Espanha: o rei Felipe VI reconhece a ocorrência de abusos na colonização espanhola nas Américas (Kike Rincon/Europa Pres/Getty Images)

Espanha: o rei Felipe VI reconhece a ocorrência de abusos na colonização espanhola nas Américas (Kike Rincon/Europa Pres/Getty Images)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 16 de março de 2026 às 18h38.

Última atualização em 16 de março de 2026 às 18h53.

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O rei da Espanha, Felipe VI, afirmou nesta segunda-feira que houve “muitos abusos” durante a conquista espanhola da América. A declaração ocorre após anos de tensões diplomáticas com o México, que cobra da monarquia espanhola um pedido de desculpas sobre o período colonial.

Segundo o monarca, iniciativas como as diretrizes da rainha Isabel e as chamadas Leis das Índias buscavam estabelecer mecanismos de proteção, embora nem sempre tenham sido aplicadas conforme o previsto.

"Os Reis Católicos, a rainha Isabel com suas diretrizes, as Leis das Índias fizeram um afã de proteção que, diante da realidade, faz com que não se cumpra como se pretendia e houvesse muito abuso", indicou o chefe de Estado espanhol.

A declaração foi feita durante visita à exposição “A mulher no México indígena”, realizada no Museu Arqueológico Nacional de Madri. O conteúdo do encontro foi divulgado em vídeo editado e publicado pela Casa Real na rede social X.

As relações entre México e Espanha registram tensões desde 2019, quando o então presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, enviou uma carta a Madri solicitando um pedido de desculpas da Coroa espanhola pelos abusos cometidos durante a conquista. A iniciativa, ligada politicamente à atual presidente mexicana Claudia Sheinbaum, provocou desgaste diplomático entre os dois países.

Durante a conversa com autoridades presentes, entre elas o embaixador do México na Espanha, Felipe VI ressaltou a importância do estudo histórico e reconheceu que alguns episódios do passado não podem ser motivo de orgulho.

"Há coisas que, quando as estudamos e as conhecemos, você diz: 'Bom, em nosso critério de hoje em dia, com nossos valores, obviamente não podem ficar orgulhosos. Mas é preciso conhecê-las em seu contexto justo, não com um pressentimento moral excessivo, mas com uma análise objetiva e rigorosa para extrair lições", assinalou o monarca.

Esta foi a primeira vez que Felipe VI abordou publicamente o tema desde o início da controvérsia diplomática com o México.

Em outubro do ano passado, após a abertura da mesma exposição visitada pelo rei nesta segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, reconheceu a “dor e a injustiça” causadas aos povos originários da América.

A presidente mexicana afirmou na ocasião que as declarações representavam um “primeiro passo” do governo espanhol para reconhecer os abusos históricos. Poucos dias depois, o presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez, declarou que a normalização das relações com o México é uma “prioridade”, após anos de tensões ligadas ao passado colonial.

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