Repórter
Publicado em 29 de janeiro de 2026 às 08h26.
O governo dos Estados Unidos informou nesta quarta-feira, 28, que dois agentes de imigração do Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira (ICE), foram suspensos após o ataque a tirou que resultou na morte de um civil em Minneapolis, no estado de Minnesota.
A decisão acontece em meio ao agravamento de tensões na cidade, após o presidente dos EUA, Donald Trump, criticar o prefeito local e afirmar que buscaria "desescalar" a situação.
No último sábado, 24, agentes da Patrulha de Fronteira, responsáveis pela aplicação das leis do ICE, atiraram dez vezes contra Alex Pretti, de 37 anos, enquanto tentavam imobilizá-lo. O caso ocorre semanas após a morte de Renee Good, também de 37 anos, baleada por agentes da polícia de imigração (ICE) no dia 7. Ambos eram norte-americanos.
A agência informou que os agentes estão suspensos desde sábado. Segundo um porta-voz ouvido pela AFP, trata-se de “um protocolo padrão”. As ações do governo federal e as declarações do presidente ampliaram o clima de instabilidade em Minneapolis, que se tornou um dos focos da ofensiva migratória da atual administração.
Na terça-feira, Trump declarou que pretendia “desescalar” as tensões na cidade. Já nesta quarta, o presidente atacou publicamente o prefeito de Minneapolis, o democrata Jacob Frey, acusando-o de se recusar a cooperar com as autoridades federais na repressão a imigrantes supostamente irregulares.
“Isso constitui uma violação muito grave da lei”, afirmou Trump. Em publicação na rede Truth Social, o presidente escreveu que Frey “está BRINCANDO COM FOGO”.
O prefeito respondeu pouco depois, em mensagem publicada no X. “O trabalho da nossa polícia é garantir a segurança dos cidadãos, não fazer cumprir as leis federais de imigração”, afirmou. “Quero que evitem homicídios, não que cacem um pai trabalhador”.
A declaração faz referência ao equatoriano pai de Liam Conejo Ramos, de cinco anos. Ambos foram detidos por agentes federais em Minneapolis em 20 de janeiro e levados para um centro de detenção no Texas.
Como sinal de que o governo não pretende reduzir as operações na cidade, a procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, informou no X que 16 pessoas suspeitas de agredir agentes federais foram presas. “Esperamos mais prisões”, escreveu.
O presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, Paul Coakley, também se manifestou. Em nota, afirmou que o país vive um “clima atual de medo e polarização, que prospera quando a dignidade humana é desprezada”.
*Com informações da AFP