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‘O Brasil virou o nosso segundo maior mercado’, diz general manager da BRP América Latina

A marca de motos aquáticas canadense quer crescer em um ano marcado pela Copa do Mundo e feriados. Para isso, vai apostar até em financiamento e passeios guiados pelo litoral brasileiro

Michael Codd, general manager da BRP para a América Latina: “Quanto mais tempo livre as pessoas têm, mais oportunidades elas têm para viver experiências” (Leandro Fonseca /Exame)

Michael Codd, general manager da BRP para a América Latina: “Quanto mais tempo livre as pessoas têm, mais oportunidades elas têm para viver experiências” (Leandro Fonseca /Exame)

Publicado em 15 de março de 2026 às 13h55.

Última atualização em 17 de março de 2026 às 13h39.

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O Brasil se consolidou como um dos mercados mais importantes para a Sea-Doo, marca de jets aquáticos do grupo canadense BRP. Hoje, o país já responde pelo segundo maior volume de vendas da empresa no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

“Há cerca de quatro anos o Brasil era o quarto mercado global. Passamos Austrália e Canadá e hoje somos o segundo”, afirma Michael Codd, general manager da BRP para a América Latina, em entrevista à EXAME durante o evento Sea-Doo Social Club, evento que reuniu 70 mulheres no último fim de semana para experimentar as motos aquáticas no mar de Ilhabela, em São Paulo.

Segundo o executivo, o crescimento está ligado à consolidação de uma cultura de lazer ligada à água no país.

“Virou uma cultura de experiência. A gente vende lazer e o brasileiro gosta muito desse tipo de atividade no fim de semana”, diz o general manager.

A operação brasileira também ganhou relevância dentro da estrutura global da companhia. Atualmente, o Brasil representa cerca de 70% das vendas da divisão comandada por Codd na América Latina. No faturamento global, América do Norte corresponde a 70% e Regiões Internacionais 30%.

Globalmente, a BRP registra faturamento global de cerca de C$ 8 bilhões, somando todas as suas marcas de veículos recreativos (como Sea-Doo, Can-Am e Ski-Doo). No Brasil, o faturamento foi de R$ 2 bilhões (onde a Sea-Doo representa 90% das motos aquáticas vendidas no país).

Crescimento esperado para 2026

A expectativa da empresa é manter a expansão no mercado brasileiro neste ano. Mesmo em um cenário de maior disputa pelo consumo, com eventos como Copa do Mundo e muitos feriados prolongados, a companhia vê oportunidades.

Para a empresa, o calendário com mais pausas e viagens pode favorecer o segmento de lazer e turismo náutico.

“Quanto mais tempo livre as pessoas têm, mais oportunidades elas têm para viver experiências”, afirma.

Veja também: Do tênis ao topo da Lacoste: as lições que um CEO levou das quadras para o mundo dos negócios

Aposta em financiamento para ampliar o público

Apesar do crescimento, o jet aquático ainda é considerado um produto de alto valor. Por isso, a BRP prepara uma estratégia para facilitar o acesso ao equipamento.

A empresa pretende lançar um modelo de financiamento, semelhante ao usado na compra de automóveis, permitindo parcelamentos mais longos.

“Hoje, normalmente o pagamento é à vista ou parcelado diretamente pelo concessionário. Queremos oferecer financiamento para tratar o jet como um carro, com possibilidade de pagar em até 60 meses”, diz Codd.

A iniciativa também busca fortalecer a rede de concessionárias da marca no país.

Experiência antes da compra

Outra estratégia da Sea-Doo no Brasil é ampliar o contato dos consumidores com o produto antes da compra.

A empresa tem expandido o projeto de passeios guiados chamados “Sea-Doo Experience”, realizados em parceria com marinas e operadores turísticos. A iniciativa permite que pessoas pilotem o jet após um treinamento rápido, mesmo sem possuir carteira náutica.

“O Brasil é um dos poucos países que exige carteira náutica para pilotar jet. Por isso criamos os passeios guiados, com um treinamento rápido, para que as pessoas possam experimentar o produto,” diz o general manager da BRP na América Latina.

Hoje existem oito operações desse tipo no Brasil, em locais como Guarujá, Santa Catarina e São Paulo, e a empresa pretende ampliar a rede de parceiros.

Além de aproximar novos clientes da marca, a iniciativa também busca promover turismo náutico responsável.

Michael Codd, general manager da BRP para a América Latina: “A ideia é que as pessoas usem os produtos Sea-Doo mesmo sem ter um jet” (BRP / Sea Doo/Divulgação)

Marca quer virar lifestyle

Além do crescimento nas vendas de jets, a Sea-Doo também pretende expandir sua presença como marca de lifestyle.

A empresa planeja ampliar a venda de produtos como óculos, roupas técnicas e até tênis com a marca, mesmo para consumidores que não possuem o equipamento.

“A ideia é que as pessoas usem os produtos Sea-Doo mesmo sem ter um jet. Queremos transformar isso em um ativo de marketing e ampliar o diálogo com o consumidor”, diz o executivo.

A estratégia inclui ainda parcerias com marcas brasileiras para co-criação de produtos.

“Queremos colaborar com marcas locais. Imagine uma Havaianas Sea-Doo, por exemplo. São alianças que fortalecem as duas marcas”, afirma.

Centro tecnológico no Brasil

A operação brasileira também ganhou relevância em tecnologia. A empresa mantém em Campinas (SP) um escritório global da BRP responsável por dados e tecnologia.

A unidade emprega cerca de 150 profissionais, enquanto a equipe dedicada ao negócio local soma cerca de 50 pessoas, totalizando aproximadamente 200 funcionários no país.

Segundo Codd, o centro foi instalado no Brasil devido à qualidade dos talentos em tecnologia.

“É um escritório global que atende o mundo todo. E ele continua crescendo”, afirma.

Mais mulheres no mercado náutico

Outro movimento observado pela empresa é o aumento da presença feminina no setor náutico.

Segundo Codd, a participação das mulheres nesse mercado cresce acima de 20% e já influencia as estratégias da companhia.

“Antigamente o público de powersports era majoritariamente masculino. Hoje estamos mostrando que mulher também é capitã”, diz.

Veja também: Do chão da fábrica à liderança: as mulheres que movem a fábrica da Kopenhagen

México e Brasil: os países estratégicos para a Sea-Doo

Todos os jets aquáticos da Sea-Doo vendidos no Brasil são produzidos no México.

“Foi um investimento feito pela empresa há cerca de 12 anos para concentrar a produção global em um único polo”, diz o general manager.

Já acessórios e roupas da marca são produzidos por fornecedores em diferentes países, incluindo o Brasil. “Alguns itens, como coletes, têm produção local,” afirma.

Apesar do avanço do comércio eletrônico em diversos setores, a venda de motos aquáticas ainda acontece majoritariamente nas lojas físicas.

“As vendas acontecem principalmente nas concessionárias. O e-commerce ainda não é relevante para esse tipo de produto”, afirma Codd.

Enquanto a empresa vai implementando a cultura da moto aquática no Brasil, o executivo já se prepara para acelerar o negócio de olho na próxima onda. A ideia é ampliar a presença da Sea-Doo para além do equipamento em si; com experiências, parcerias de marca e novas formas de acesso ao produto, transformando o jet em símbolo de um estilo de vida ligado à água.

Veja também: Exclusivo: Panobianco acelera expansão no Brasil, estreia no México e planeja 500 lojas no país

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