Estreito de Ormuz: rota de escoamento do petróleo é principal preocupação (Fadel Senna/AFP/Getty Images)
Repórter
Publicado em 13 de abril de 2026 às 05h26.
O Exército dos Estados Unidos anunciou que iniciará, nesta segunda-feira, 13, um bloqueio marítimo contra portos e zonas costeiras do Irã, após o fracasso das negociações realizadas no fim de semana em Islamabad.
Segundo o Comando Central dos EUA (Centcom), a operação será aplicada a embarcações de todas as nacionalidades que entrem ou saiam de portos iranianos. Navios que transitarem pelo Estreito de Ormuz com destino a outros países não serão impedidos.
O bloqueio ainda não havia começado até o anúncio, com início previsto para 10h (horário do leste dos EUA). A medida ocorre após o colapso do diálogo entre Washington e Teerã, o primeiro encontro direto em mais de uma década e o mais relevante desde a Revolução Islâmica de 1979.
O presidente Donald Trump afirmou que a decisão foi motivada pela recusa iraniana em limitar seu programa nuclear. O governo americano também indicou que poderá interceptar embarcações que paguem taxas ao Irã para transitar pela região.
O Irã rejeitou a responsabilidade pelo fracasso das negociações. O chanceler Abbas Araghchi afirmou que o país negociou “de boa-fé”, mas acusou os Estados Unidos de impor novas exigências durante o processo.
O Estreito de Ormuz concentra cerca de 20% do fluxo global de energia. Após o anúncio do bloqueio, petroleiros passaram a evitar a rota, enquanto o preço do petróleo subiu mais de 7%, superando US$ 100 por barril.
A escalada militar começou em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã. Teerã respondeu com ofensivas contra alvos americanos no Golfo e contra Israel.
Dados oficiais iranianos apontam 3.375 mortos. Já a Human Rights Activists News Agency registra ao menos 3.597 vítimas, incluindo 1.665 civis e 248 crianças.
A Guarda Revolucionária afirmou manter controle do estreito e declarou que qualquer presença militar hostil será tratada como violação do cessar-fogo. O chefe da Marinha iraniana classificou a ameaça americana como “ridícula”.
*Com informações de AFP