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(Adam Gault/Getty Images)
Repórter
Publicado em 13 de abril de 2026 às 06h19.
Na madrugada de 28 de fevereiro, caças americanos e israelenses cruzaram o espaço aéreo iraniano e mudaram a geopolítica do Oriente Médio. Seis semanas depois, com um cessar-fogo de duas semanas anunciado na última terça-feira, 7, e negociações ainda travadas no Paquistão, Wall Street decidiu que o capítulo mais dramático do conflito ficou para trás — mesmo com centenas de petroleiros encalhados na entrada do Estreito de Ormuz.
A semana encerrada em 11 de abril foi a melhor do ano para as bolsas americanas. O Nasdaq Composite superou os níveis pré-guerra. O S&P 500 recuperou mais de 60% das perdas acumuladas desde o início do conflito. E o petróleo tipo Brent, que disparou a US$ 120 logo após o início dos combates, abriu esta segunda-feira, 13, nas negociações europeias cotado a cerca de US$ 100 por barril, ainda em alta de 8%, mas longe dos picos registrados no auge da tensão.
Nesta segunda-feira, 13, os mercados iniciam a semana em leve queda, após uma das melhores performances do ano na semana anterior, sustentada pela percepção de que o pior da guerra no Oriente Médio já foi absorvido pelos preços.
Apesar do recuo — com futuros do S&P 500 caindo 0,6% e do Nasdaq 100, 0,7% — o movimento reflete uma realização moderada após o rali recente. Na semana passada, o Nasdaq subiu 4,7%, o S&P 500 avançou 3,6% e o Dow Jones ganhou 3%, aproximando-se das máximas históricas.
O pano de fundo permanece inalterado: o conflito segue ativo, as negociações avançam lentamente e os mercados já operam com base em um cenário pós-crise.
“O mercado entende, certo ou errado, que estamos passando do pico de incerteza”, afirmou Keith Lerner, CIO da Truist, ao Barron’s. “Os mercados não esperam tudo se resolver para reagir.”
Na abertura europeia de segunda, o Brent subia cerca de 8%, próximo de US$ 100 por barril, enquanto o WTI avançava entre 7% e 8%, acima de US$ 104.
O Estreito de Ormuz permanece sob forte tensão, com fluxo restrito e navios aguardando liberação para cruzar a rota. O risco de interrupção no fornecimento global continua sendo o principal fator de pressão sobre os preços.
A alta recente do petróleo contribuiu para a leitura de inflação mais elevada em quase dois anos, divulgada na sexta-feira. O dado reforça os desafios para o Federal Reserve e reduz a previsibilidade sobre cortes de juros no curto prazo.
US$ 104 +7,5%
US$ 99 +8,0%
US$ ~79 —
WTI (Nova York)
Brent (Londres)
Referência pré-guerra
| Ativo | Pré-guerra | Mínima | Hoje | Recuperação |
|---|---|---|---|---|
| Nasdaq | ~17.200 | ~15.800 | ~17.400 | Acima ↑ |
| S&P 500 | ~5.300 | ~4.960 | ~5.190 | >60% ↑ |
| Dow Jones | ~39.400 | ~36.800 | ~38.900 | ~81% ↑ |
| Petróleo Brent | ~US$ 79 | — | ~US$ 99 | +25% ↑ |
As negociações realizadas no fim de semana no Paquistão terminaram sem acordo. O cessar-fogo anunciado no início do mês segue formalmente em vigor, mas enfrenta fragilidade crescente diante de acusações cruzadas entre Estados Unidos e Irã e da continuidade de operações militares na região.
Mesmo nesse ambiente, o mercado acionário mantém a trajetória de recuperação. Para Michael Arone, estrategista-chefe da State Street Investment Management, o fato de o S&P 500 já ter recuperado mais de 60% das perdas é um sinal relevante.
“Historicamente, quando você retoma essa proporção da queda, é um bom indicativo de que o mercado já encontrou seu piso”, disse ao Barron's.
A atenção agora se volta para a temporada de resultados. Os balanços ganham tração nesta semana, com destaque para grandes bancos como o Goldman Sachs, que divulgam seus números do primeiro trimestre.
O setor de tecnologia aparece como principal motor do rali recente. As empresas de tech do S&P 500 devem registrar crescimento de 45% nos lucros e de 27% nas receitas no primeiro trimestre.
“É uma avalanche de poder de lucros”, afirmou Jeff Buchbinder, estrategista-chefe de ações da LPL Financial, ao Barron's.
As ações do setor são negociadas a cerca de 23 vezes o lucro projetado, um nível próximo ao do mercado amplo. O múltiplo, combinado ao crescimento esperado, reforça a atratividade relativa do segmento.
Apesar do otimismo, a leitura entre analistas não é unânime. A continuidade da alta depende de fatores ainda incertos, principalmente no campo geopolítico.
Lerner alerta que a volatilidade deve persistir. “As manchetes da guerra continuarão influenciando o mercado”, disse.
Na mesma linha, Garrett Melson, estrategista da Natixis, defende cautela na alocação. “É um momento para uma postura mais neutra, sem inclinação excessiva ao risco”, afirmou ao Barron’s.
O comportamento recente reforça uma característica recorrente dos mercados: a antecipação. Investidores tendem a se posicionar antes da resolução completa dos eventos, baseando decisões em expectativas e não em fatos consolidados.
Neste momento, a expectativa dominante é de que o pior da crise ficou para trás. Ainda assim, o risco permanece concentrado no Estreito de Ormuz e na evolução das negociações diplomáticas.
Os índices já se aproximam — ou superam — os níveis pré-conflito. A guerra, porém, ainda continua.
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