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EUA não descarta uso da força se Venezuela não cooperar, diz Rubio

Secretário de Estado fala em “operação judicial” e pressiona governo interino venezuelano

Publicado em 28 de janeiro de 2026 às 08h12.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o presidente Donald Trump não descarta o uso da força caso o governo interino da Venezuela, liderado por Delcy Rodríguez, não coopere com o plano americano para o país.

A declaração consta no discurso que Rubio apresentará nesta quarta-feira, 29, ao Senado dos EUA.

O pronunciamento ocorre após o ataque de 3 de janeiro em Caracas, que resultou na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, segundo o governo americano. No texto divulgado nesta terça-feira, Rubio afirma que Washington acompanhará de perto o desempenho das autoridades interinas venezuelanas.

“Supervisionaremos de perto o desempenho das autoridades interinas à medida que cooperem com nosso plano por etapas para restabelecer a estabilidade na Venezuela. Que não haja dúvida: como declarou o presidente, estamos preparados para usar a força a fim de garantir a máxima cooperação se outros métodos fracassarem”, diz o discurso.

Apesar do alerta, Rubio afirma esperar que o uso da força não seja necessário. Segundo ele, o governo Trump “nunca se esquivará” de sua responsabilidade com o povo americano nem de sua missão de liderança no continente.

Compromissos do governo interino

De acordo com Rubio, Delcy Rodríguez, que assumiu o comando do país após a queda de Maduro, manifestou disposição para cooperar com os Estados Unidos. Entre os compromissos citados estão a abertura do setor de energia venezuelano às empresas americanas, com concessão de acesso preferencial.

O secretário de Estado também afirma que Rodríguez prometeu encerrar o fornecimento de petróleo ao regime cubano e promover a reconciliação nacional, incluindo a oposição política e venezuelanos que vivem no exterior.

“Rodríguez está plenamente consciente do destino de Maduro; acreditamos que, por seu próprio interesse pessoal, coincide com o avanço de nossos objetivos”, afirma o texto.

Tensão diplomática e versão dos EUA sobre a operação

A ida de Rubio ao Senado ocorre após Delcy Rodríguez afirmar, nesta semana, que seu governo não aceita “ordens” externas. Questionado sobre a declaração, Trump disse não ter conhecimento do teor das falas e afirmou manter uma “relação muito boa” com o governo interino venezuelano.

No discurso, Rubio também sustentará que a ação realizada em Caracas não configurou uma guerra nem uma ocupação militar, apesar de não ter recebido autorização prévia do Congresso. Segundo ele, tratou-se de uma “operação judicial” que resultou na captura de “dois narcotraficantes”, em referência a Maduro e sua esposa, que serão julgados nos Estados Unidos.

O secretário argumenta ainda que Maduro não era um chefe de Estado legítimo, citando a falta de reconhecimento internacional de sua reeleição em 2024, após eleições que, segundo o governo americano, não permitiram a transição pacífica do poder.

*Com informações da EFE 

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