Repórter
Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 16h32.
A Petrobras reconhece o potencial de exploração de gás natural na Venezuela, mas considera que o cenário atual não é propício para avançar com iniciativas nesse sentido, afirmou a diretora da área de transição energética, Angélica Laureano, a jornalistas nesta terça-feira.
"Entrar na Venezuela pode ser uma alternativa? Pode. Acho que ainda precisa de uma evolução do mercado, verificar as consequências de tudo que aconteceu, então acho que não é o momento", declarou a executiva a jornalistas nesta tarde, após seminário no Rio de Janeiro.
A Petrobras informou, nesta terça-feira, 27, que reduzirá em 7,8% os preços do gás natural repassados às distribuidoras. A medida entra em vigor a partir de fevereiro.
Os contratos firmados com as distribuidoras estabelecem atualizações trimestrais no valor da molécula do gás, atreladas às variações do preço internacional do petróleo tipo Brent e à cotação do dólar frente ao real.
Na segunda-feira, 26, a companhia já havia anunciado a redução no preço da gasolina para as distribuidoras, com vigência a partir desta terça. Segundo o comunicado, a Petrobras vai reduzir em 5,2% o preço de venda da gasolina A. Desde dezembro de 2022, a estatal acumula uma queda de R$ 0,50 por litro no preço da gasolina vendida às distribuidoras. Considerando a inflação do período, a redução real chega a 26,9%.
O líder venezuelano Nicolás Maduro foi preso pelas Forças Armadas dos EUA em uma operação militar em Caracas, no início de janeiro. Em seguida, ele foi levado sob custódia a um centro de detenção no Brooklyn, em Nova York.
Maduro é acusado de liderar uma rede transnacional de tráfico de drogas com conexões com cartéis mexicanos como Sinaloa e Los Zetas, além das guerrilhas colombianas das FARC e o grupo venezuelano Tren de Aragua. Ele nega envolvimento e classifica as acusações como manobra imperialista, alegando interesses nos recursos petrolíferos da Venezuela.
A Venezuela planeja elevar sua produção de petróleo em 18% até o fim de 2026, impulsionada por uma proposta de reforma legal que amplia o acesso de empresas privadas ao setor energético. O anúncio foi feito no sábado, 24 de jananeiro, pelo presidente da estatal PDVSA, Héctor Obregón.
Segundo Obregón, a produção atual da PDVSA, estimada em 1,2 milhão de barris por dia, deve crescer ainda mais com o novo marco regulatório. O Parlamento venezuelano já aprovou a proposta em primeira votação e deve concluir a tramitação na próxima semana.
A iniciativa venezuelana contrasta com o cenário projetado pela Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em ingl§es) para 2026.
Segundo relatório da entidade, divulgado na última quarta-feira, 21, o crescimento da demanda global será de apenas 930 mil barris por dia, enquanto a oferta deve aumentar em 2,5 milhões de barris por dia, ampliando o já existente superávit global.
Em 2025, a produção mundial subiu 3 milhões de barris por dia, com destaque para países não pertencentes à OPEP+, como Estados Unidos, Canadá, Brasil, Guyana e Argentina. A IEA afirma que, mantidas as atuais políticas de produção, os estoques elevados — tanto em terra quanto no mar — formarão um colchão de segurança no mercado global, mantendo os preços sob controle.
Segundo a agência, estoques observados cresceram 470 milhões de barris em 2025, com destaque para China e Estados Unidos. Em novembro, o aumento foi de 75 milhões de barris, impulsionado por volumes de petróleo transferidos para terra firme.
A recuperação da demanda por petroquímicos deverá ser parcialmente compensada pela desaceleração do consumo de gasolina. A expectativa é de que os países fora da OCDE respondam por todo o crescimento da demanda em 2026.
(Com informações da agência O Globo)