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Eleição na Colômbia: país decide hoje se mantém esquerda no poder

Candidato do governo lidera pesquisas para primeiro turno, mas vê rival de direita ganhar força na reta final

Trabalhadores montam local de votação em Cali: Colômbia usa cédulas de papel (Joaquin Sarmiento/AFP)

Trabalhadores montam local de votação em Cali: Colômbia usa cédulas de papel (Joaquin Sarmiento/AFP)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de internacional e economia

Publicado em 31 de maio de 2026 às 07h00.

Bogotá - Em 2022, a Colômbia elegeu seu primeiro governo de esquerda da história. Quatro anos depois, a disputa presidencial se tornou uma espécie de referendo sobre a continuidade das políticas de Gustavo Petro, que aumentou benefícios sociais, mas viu a insegurança disparar no país.

Um dos casos mais tristes da piora da segurança ocorreu na própria campanha. O senador Miguel Uribe, pré-candidato à presidência, foi baleado ao sair de um ato de campanha, em junho de 2025. Ele morreu após semanas no hospital.

Neste contexto de insegurança, ganhou força o nome de Abelardo de la Espriella, um advogado e empresário milionário, que estreia na política com uma campanha feita sob medida para atrair os cidadãos com medo da violência e raiva do governo. Ele criou um movimento, chamado Defensores de la Patria, passou a se identificar como tigre e promete mão dura para resolver os problemas do país. Ele tem apoio do senador brasileiro Flávio Bolsonaro (PL-RJ). 

Nas últimas semanas de campanha, Espriella cresceu nas pesquisas e se descolou de Paloma Valencia, a candidata da direita tradicional, criticada por não ter encontrado o tom da campanha.

"Ela tentou ser direita dura e centro amável ao mesmo tempo. Ser firme sem assustar", diz Rubén Erazo, analista e presidente da Associação Colombiana de Consultores Políticos (Acopol).

Pela esquerda, o senador Ivan Cepeda disputa a eleição com a proposta de seguir o trabalho de Petro. Em 1994, seu pai, o deputado Manuel Cepeda, foi assassinado. Depois disso, ele se engajou na defesa dos direitos humanos e na busca por negociar a paz com os guerrilheiros e grupos criminais, estratégia que tem falhado nos últimos anos.

Formado em filosofia, Cepeda é criticado pela falta de carisma. Com fala calma e pausada, costuma ler seus discursos e interagir pouco com as multidões.

A campanha também foi marcada pela ausência de debates. Os principais candidatos não quiseram realizar encontros ao vivo e houve poucas entrevistas à imprensa.

Na Colômbia, as eleições para o Congresso são realizadas antecipadamente. Na votação, em março, o Pacto Histórico, de Petro e Cepeda, se consolidou como maior força do Congresso, com 25 assentos, de 102 vagas no total.

Os candidatos Ivan Cepeda (à esq.), Paloma Valencia e Abelardo de la Espriella, que disputam a Presidência da Colômbia

Os candidatos Ivan Cepeda (à esq.), Paloma Valencia e Abelardo de la Espriella, que disputam a Presidência da Colômbia (AFP)

O que dizem as pesquisas na Colômbia?

As principais pesquisas do país apontam Iván Cepeda, candidato do governo, na liderança no primeiro turno. Segundo a AtlasIntel, Cepeda tem 39% dos votos, Espriella 37% e Valencia, 14%. Para a Invamer, Cepeda tem 45%, Espriella 32% e Valência, 14%.

No segundo turno, há a expectativa de que os eleitores de Paloma votem em Espriella, o que aumenta suas chances de vitória.

"As limitações de Cepeda estão se tornando mais visíveis, e parece cada vez mais improvável que o impulso que Espriella criou vá se dissipar em 3 semanas", diz análise da consultoria Aurora Macro Strategies.

No entanto, as pesquisas foram feitas há uma semana, pois a lei eleitoral da Colômbia veta a divulgação delas nos sete dias antes da votação. Neste contexto, os principais candidatos dizem esperar vencer no primeiro turno, embora praticamente todos os analistas considerem este resultado improvável.

O segundo turno está marcado para 21 de junho. As pesquisas mostram um cenário apertado nesta etapa. Cepeda vencería, segundo o instituto Invamer, por 52% a 45%. Já Espriella vence na pesquisa da AtlasIntel, com 50% a 41%.

Para a segunda etapa, espera-se um duelo de rejeições. "O que gerar menos medo pode ganhar", diz o consultor político Andrés Carmona.

Que horas sai o resultado na Colômbia?

As urnas na Colômbia abrem às 8h (10h em Brasília) e fecham às 16h. Os primeiros resultados deverão ser conhecidos às 18h (20h em Brasília) e a definição deve acontecer ainda na noite de domingo.

A Colômbia vota em cédulas de papel, com as fotos dos candidatos. Cerca de 41 milhões de eleitores estão aptos a votar, e a participação não é obrigatória.

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