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Irã diz ter controle total do Estreito de Ormuz e ameaça responder a interferência militar

Teerã afirma que navios devem seguir rotas autorizadas pela Guarda Revolucionária; passagem estratégica é alvo de disputa em meio a negociações com os Estados Unidos

Washington pressiona Teerã a liberar imediatamente a navegação e a garantir a segurança dos navios que atravessam a região (Stringer/Reuters)

Washington pressiona Teerã a liberar imediatamente a navegação e a garantir a segurança dos navios que atravessam a região (Stringer/Reuters)

Letícia Ozório
Letícia Ozório

Repórter de ESG

Publicado em 30 de maio de 2026 às 17h02.

As Forças Armadas do Irã afirmaram neste sábado, 30, que o Estreito de Ormuz está sob “controle total” da República Islâmica e advertiram que qualquer tentativa de interferência militar na rota marítima terá resposta de Teerã.

A declaração foi feita pelo Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, em comunicado divulgado pela agência iraniana Tasnim. Segundo o órgão militar, a gestão do estreito é exercida pelas Forças Armadas iranianas “com plena autoridade”.

O comunicado afirma que navios comerciais, embarcações e petroleiros devem transitar exclusivamente pelas rotas designadas e obter autorização da Marinha da Guarda Revolucionária. O descumprimento das regras, segundo Teerã, poderia colocar em “grave risco” a segurança da navegação na região.

O Irã também fez uma advertência direta às forças americanas presentes no Golfo. De acordo com o comunicado, qualquer embarcação militar que tente interferir na gestão do Estreito de Ormuz ou perturbar o tráfego marítimo será tratada como alvo pelas Forças Armadas iranianas.

A nova ameaça amplia a tensão em torno de uma das rotas comerciais mais sensíveis do mundo. Antes da guerra contra Israel e Estados Unidos, cerca de 20% do petróleo e do gás comercializados globalmente passavam pelo Estreito de Ormuz.

Conflito entre EUA e Irã

Desde o início do conflito, o Irã impôs bloqueios e restrições à navegação na passagem, enquanto Washington respondeu com um cerco naval contra navios e portos iranianos.

Na semana passada, a Autoridade do Golfo e do Estreito de Pérsico, órgão criado pelo Irã para administrar o tráfego em Ormuz, publicou um mapa da área que considera sob sua jurisdição. O documento também indicava zonas em que embarcações precisariam solicitar autorização para navegar.

A medida gerou reação de países do Golfo e dos Estados Unidos. Segundo a imprensa internacional, Teerã busca ampliar o controle sobre o estreito e já discutiu com Omã a possibilidade de compartilhar cobranças ligadas à passagem de embarcações pela região.

Inicialmente, o Irã havia indicado que poderia exigir o pagamento de um pedágio para permitir a navegação por Ormuz. Depois, o governo iraniano afirmou que a cobrança não seria um pedágio, mas uma taxa relacionada a “serviços de navegação” e a medidas de proteção ambiental.

Controle de Ormuz

O controle sobre o estreito se tornou um dos principais pontos de atrito nas negociações entre Irã e Estados Unidos. As conversas, mediadas pelo Paquistão, buscam um acordo para encerrar a guerra e reabrir a rota marítima.

Washington pressiona Teerã a liberar imediatamente a navegação e a garantir a segurança dos navios que atravessam a região. O Irã, por outro lado, afirma ter direito de administrar a passagem por causa de sua posição geográfica e de sua presença militar na área.

O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar da Arábia. Por sua importância para o transporte de petróleo e gás, qualquer interrupção prolongada na rota pode afetar os preços internacionais de energia e ampliar a instabilidade nos mercados globais.

A advertência iraniana ocorre em um momento delicado das negociações. Embora Teerã e Washington tenham intensificado os contatos diplomáticos, os dois lados ainda divergem sobre segurança marítima, bloqueios, sanções e o programa nuclear iraniano.

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