Ultrassom: adesivo experimental monitora bebê continuamente dentro do útero (Freepik)
Redatora
Publicado em 31 de maio de 2026 às 06h48.
Um dispositivo em forma de adesivo criado por cientistas dos Estados Unidos e do Reino Unido pode mudar a forma como médicos acompanham a saúde de bebês durante a gestação. Chamado de UPatch, o sistema realiza ultrassonografia contínua e monitora em tempo real o fluxo sanguíneo fetal e os batimentos cardíacos, sem necessidade de exames constantes no hospital.
Os resultados da tecnologia foram publicados na revista Nature Biotechnology e apontam potencial para detectar complicações graves mais cedo, principalmente em gestações de alto risco e no acompanhamento pré-natal.
O UPatch funciona como um adesivo flexível colocado sobre o abdômen da gestante. O equipamento utiliza ultrassom duplex, técnica que combina imagens internas do feto com análise do fluxo sanguíneo.
Além de captar sinais continuamente, o sistema usa algoritmos capazes de acompanhar vasos sanguíneos mesmo quando há movimentos do bebê ou da mãe. Segundo os pesquisadores, isso permite observar mudanças ao longo do tempo e identificar padrões que poderiam passar despercebidos em exames rápidos tradicionais.
A proposta da tecnologia é justamente superar limitações dos métodos atuais de monitoramento fetal. Atualmente, os ultrassons convencionais oferecem apenas avaliações pontuais realizadas em consultas espaçadas. Já os sistemas contínuos podem gerar falsos alarmes e apresentam baixa capacidade para prever complicações graves.
Para os autores do estudo, o principal diferencial do novo dispositivo é a possibilidade de acompanhar o desenvolvimento fetal de forma prolongada, inclusive fora do ambiente hospitalar.
Os pesquisadores compararam o desempenho do UPatch com aparelhos portáteis tradicionais de ultrassom em 62 gestantes. Segundo a análise, os resultados mostraram alta compatibilidade entre os métodos em parâmetros como frequência cardíaca fetal e fluxo sanguíneo.
O dispositivo também foi testado em outras 52 mulheres com condições como pré-eclâmpsia, hipertensão gestacional, diabetes gestacional e restrição de crescimento fetal.
Em um dos casos, o sistema identificou sinais associados à insuficiência placentária grave em uma paciente com pré-eclâmpsia. A alteração levou ao aumento do monitoramento médico e à realização antecipada de uma cesariana.
Apesar dos resultados considerados promissores, o UPatch ainda está em fase inicial de desenvolvimento. Atualmente, o dispositivo funciona conectado a componentes externos por cabos e ainda depende de ultrassom convencional para posicionamento inicial.
A equipe trabalha agora em uma versão sem fio e mais compacta para monitoramento contínuo em casa e durante atividades do dia a dia.
Segundo os pesquisadores, a tecnologia também pode ampliar o acesso ao acompanhamento fetal em regiões com poucos especialistas em ultrassonografia.