Eleições em Portugal: com 99,79% das urnas apuradas, Seguro liderou o pleito presidencial com 31,11% dos votos, enquanto Ventura registrou 23,52% (PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP e FILIPE AMORIM / AFP/Reprodução)
Redação Exame
Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 06h00.
O candidato do Partido Socialista, António José Seguro, e o ultradireitista André Ventura, do Chega avançaram neste domingo, 18, para o segundo turno das eleições presidenciais de Portugal, marcado inicialmente para 8 de fevereiro.
De acordo com 99,79% das urnas apuradas, Seguro liderou o pleito presidencial com 31,11% dos votos, enquanto Ventura registrou 23,52%. Como nenhum dos candidatos obteve um mínimo de 50% dos votos, haverá a segunda volta.
Essa é a primeira vez, em 40 anos, que o país terá um segundo turno. Agora, a esquerda "moderada" e a ultradireita disputam a presidência portuguesa. Confira abaixo um perfil dos dois candidatos.
Natural de Penamacor, no interior de Portugal, António José Seguro, de 63 anos, é formado em Relações Internacionais e mestre em Ciência Política. Iniciou a carreira política ainda jovem, à frente da Juventude Socialista, e ocupou cargos em organizações juvenis nacionais e europeias, como a presidência do Fórum da Juventude da União Europeia entre 1989 e 1993.
Entre 1991 e 1995, foi deputado na Assembleia da República e consolidou-se como um dos colaboradores mais próximos de António Guterres. Integrou o núcleo restrito responsável pela formulação e execução da estratégia que levou o Partido Socialista à vitória nas eleições legislativas de 1995.
Após a vitória eleitoral, passou a exercer funções no governo. Foi secretário de Estado da Juventude e, posteriormente, secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro..
Mais tarde, foi eleito para o Parlamento Europeu, onde atuou entre 1999 e 2001. Em julho daquele ano, renunciou ao mandato europeu, novamente a convite de Guterres, para assumir o cargo de ministro-adjunto do primeiro-ministro, função que exerceu até abril de 2002. Na sequência, tornou-se líder do grupo parlamentar do PS.
Em 2011, foi eleito secretário-geral do partido e, no mesmo ano, passou a integrar o Conselho de Estado por indicação do Parlamento português. À frente do PS, buscou reposicionar a legenda no campo do centro-esquerda.
Eem 2014, quando perdeu a disputa interna para António Costa, deixou a liderança socialista. Após a derrota, afastou-se da política partidária e passou a dedicar-se ao magistério universitário.
Desde 2023, Seguro voltou gradualmente ao debate público. Confirmou a candidatura presidencial em junho e, meses depois, passou a contar com o apoio formal do PS, embora reforce a defesa da independência institucional. Apresenta-se como um candidato da esquerda "moderna e moderada" e promete um mandato com menor intervenção política.
"O país precisa de um presidente independente", afirmou. "Eu não serei um presidente que será uma espécie de primeiro-ministro sombra em Belém."
André Ventura, de 40 anos, é fundador e principal rosto do Chega, partido criado em 2019 e que hoje é a segunda maior força no Parlamento português, com 60 assentos. Formado em Direito, já foi professor universitário, funcionário da Autoridade Tributária e comentarista esportivo.
Ventura iniciou a trajetória política no PSD, mas rompeu com o partido para fundar o Chega, que se define como conservador, liberal na economia e nacionalista.
O líder ganhou projeção com um discurso duro contra imigração, corrupção e criminalidade, além de posições controversas que lhe renderam acusações de xenofobia e extremismo.
Derrotado na eleição presidencial de 2021, Ventura consolidou influência com o crescimento eleitoral do Chega nos últimos anos.
O nome do, agora, candidato à presidência circulou no Brasil em 13 de janeiro de 2023, quando Ventura chamou o presidente Lula de "bandido" no Parlamento. Ventura apoiou publicamente a reeleição do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2022.
Quando Lula visitou o país, o partido organizou um protesto nas proximidades do Parlamento no dia 25 de abril. A convocação da manifestação trazia a frase "Lugar de ladrão é na prisão", em referência à prisão do presidente brasileiro em 7 de abril de 2018.