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Socialista supera previsões e enfrenta a direita no 2º turno em Portugal

António José Seguro (PS) e André Ventura (Chega) disputam a Presidência de Portugal em segundo turno que ocorre pela 1ª vez em 40 anos

Publicado em 18 de janeiro de 2026 às 19h11.

Última atualização em 18 de janeiro de 2026 às 19h27.

As eleições presidenciais em Portugal produziram um resultado histórico, neste domingo, 18. Pela primeira vez em 40 anos, o país terá um segundo turno e ele será protagonizado por candidatos de espectros políticos opostos.

O socialista António José Seguro terminou a primeira volta na liderança com 31,08% dos votos (1.687.848), à frente do ultradireitista André Ventura, do Chega, que obteve 23,54% (1.278.603), segundo dados de 99,08% das urnas apuradas em contagem da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna (SGMAI).

Os dois agora voltam a se enfrentar no dia 8 fevereiro, segundo a previsão.

O terceiro ficou com João Cotrim de Figueiredo, candidato do Partido da Iniciativa Liberal, com 15,93% dos votos; seguido por Henrique Gouveia e Melo, com 12,35%. O social-democrata Luís Marques Mendes, apontando com uma dos favoritos na disputa, terminou na quinta posição com 11,44% dos votos. Os demais sete postulantes obtiveram pouco menos de 2% dos votos.

O desfecho contrariou as expectativas do mercado político e redesenhou o mapa da disputa em um país acostumado a decisões presidenciais em turno único.

Seguro, candidato do Partido Socialista, foi o principal beneficiado pela fragmentação do campo adversário.

Enquanto a direita tradicional chegou dividida entre João Cotrim de Figueiredo, da Iniciativa Liberal, e Luís Marques Mendes, do centro-direita, o socialista conseguiu ampliar sua base eleitoral.

Cotrim e Mendes também enfrentaram percalços ao longo da campanha, o primeiro foi alvo de acusações de conflito de interesse, enquanto Cotrim lidou com denúncias de assédio sexual, o que enfraqueceu suas candidaturas.

O desempenho de Seguro surpreendeu também pelo contraste com o início da corrida eleitoral. Nas primeiras pesquisas, ainda em agosto do ano passado, o socialista aparecia estagnado em torno dos 10% das intenções de voto, enquanto Ventura, Marques Mendes e o almirante Henrique Gouveia e Melo disputavam a liderança com folga.

Mesmo nas sondagens divulgadas às vésperas da votação, o cenário apontava vantagem para o candidato do Chega e uma disputa mais apertada pela vaga no segundo turno.

Analistas atribuem a virada à mobilização do Partido Socialista e à capacidade de Seguro de dialogar além da base tradicional da sigla. Para o comentarista político António Vitorino, da SIC Notícias, o resultado mostra que o PS conseguiu não apenas consolidar seu eleitorado, mas também ampliá-lo à esquerda e ao centro.

Segundo ele, as sondagens falharam ao superestimar o desempenho da direita tradicional e ao indicar Luís Marques Mendes como favorito.

Força eleitoral do Chega

O avanço de André Ventura confirmou a força eleitoral do Chega, que em apenas cinco anos se tornou a segunda maior bancada da Assembleia da República.

Durante a campanha, o tema da imigração esteve no centro do debate, impulsionado pelo discurso do ultradireitista. Ventura espalhou pelo país outdoors com críticas à comunidade cigana e a imigrantes de Bangladesh, reforçando uma agenda dura que divide o eleitorado português.

As posições sobre imigração evidenciaram as diferenças entre os candidatos. Em um dos debates, Seguro afirmou que “a entrada de imigrantes em Portugal, desde que seja organizada e integrada, é um contributo muito positivo para a economia”.

O socialista citou que cerca de 40% da mão de obra da agricultura portuguesa — incluindo setores tradicionais como a colheita de azeitonas e a produção de vinho — é formada por imigrantes.

Ventura, por sua vez, manteve um discurso de forte rejeição, que lhe garante apoio fiel, mas também elevada taxa de rejeição. Segundo dados citados pela Reuters, mais de 60% dos eleitores afirmam que não votariam nele em um eventual segundo turno.

Ainda assim, o líder do Chega celebrou o resultado como um marco político. Em sua primeira reação, declarou que “a direita acordou” e afirmou que começa agora a batalha da segunda volta, prometendo agregar forças para impedir a eleição de um socialista para o Palácio de Belém.

Dois derrotados já sinalizaram apoio a Seguro

A consolidação de Seguro na liderança já começou a atrair apoios. Catarina Martins, candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda, anunciou voto no socialista e disse estar “preocupada” com o resultado “muito expressivo” da extrema direita.

Jorge Pinto também declarou apoio a Seguro. Outros endossos devem surgir nos próximos dias, à medida que os candidatos derrotados se posicionem.

O segundo turno está previsto para 8 de fevereiro e definirá o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa, presidente desde 2016 e impedido pela Constituição de concorrer a um terceiro mandato consecutivo.

Embora em Portugal quem governe seja o primeiro-ministro, o presidente exerce papel central no sistema semipresidencialista: pode promulgar ou vetar leis e, em caso de crise política, dissolver o Parlamento — uma prerrogativa conhecida como a “bomba atômica”, usada três vezes por Rebelo de Sousa ao longo de seu mandato.

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