Repórter
Publicado em 28 de agosto de 2026 às 07h35.
A Coreia do Sul realizará em setembro um exercício militar conjunto com Estados Unidos e Japão, em meio à tentativa de Washington de retomar o diálogo com a Coreia do Norte e à redução de outras manobras militares na região.
Batizado de Freedom Edge, o exercício acontecerá entre 7 e 11 de setembro em águas internacionais a leste e ao sul da ilha sul-coreana de Jeju. Segundo o Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul, o objetivo é preparar os três países para responder às ameaças nucleares e de mísseis de Pyongyang.
As manobras devem envolver defesa antimísseis marítima, operações aéreas, defesa aérea, guerra antissubmarino e defesa cibernética. O exercício foi criado após um acordo entre os três países durante a cúpula de Camp David, em 2023, e realizado pela primeira vez em junho de 2024.
O anúncio de Seul acontece poucos dias depois de Donald Trump determinar a redução de um dos principais exercícios militares dos Estados Unidos com a Coreia do Sul. As manobras anuais Ulchi Freedom Shield terão cinco dias, contra os 11 previstos anteriormente.
Trump classificou os exercícios como "muito insultantes" para o líder norte-coreano, Kim Jong Un, e afirmou que o governo americano busca criar condições para retomar as negociações com Pyongyang.
A redução das manobras não significa, porém, o fim da cooperação militar entre Washington e Seul. O Freedom Edge mantém a participação americana e amplia o treinamento conjunto com o Japão.
Outro exercício entre Estados Unidos e Coreia do Sul, as manobras bienais Ssangyong, também foi cancelado. Segundo Seul, a decisão ocorreu devido a limitações na disponibilidade de tropas americanas provocadas pela guerra com o Irã.
O cenário coloca os exercícios militares na Ásia em meio a uma reorganização das forças americanas, enquanto Washington tenta equilibrar compromissos militares em diferentes regiões.
Para Coreia do Sul e Japão, a cooperação continua sendo uma das principais ferramentas para reforçar a capacidade de resposta às atividades militares de Kim Jong Un, especialmente diante do programa nuclear e de mísseis norte-coreano.
*Com AFP