Kim Ju Ae e Kim Jong Un: filha e líder da Coreia do Norte participam de eventos oficiais. (KCNA VIA KNS/AFP)
Repórter
Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 10h11.
A figura de uma adolescente que acompanha o líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un, em eventos oficiais e diplomáticos está intrigando analistas políticos como a possível sucessora do regime norte-coreano.
Conhecida informalmente como Kim Ju Ae, filha do líder coreano, apareceu pela última vez no dia 1º de janeiro, durante uma homenagem no mausoléu que abriga os corpos embalsamados de Kim Il Sung e Kim Jong Il, fundadores da dinastia no poder.
Essa foi a primeira vez que a jovem participou de um evento no espaço, considerado sagrado pelo regime.
Kim Ju Ae apareceu em público pela primeira vez em novembro de 2022, durante um teste de míssil balístico intercontinental. Desde então, sua presença ao lado do pai deixou de ser esporádica e passou a integrar a rotina de eventos do regime, incluindo desfiles militares, lançamento de armas, inauguração de projetos econômicos e cerimônias diplomáticas.
Levantamentos da imprensa asiática indicam que, entre 2022 e 2024, a adolescente apareceu na televisão estatal com frequência incomum para um membro da família do líder, muitas vezes posicionada em locais de destaque e recebendo deferência de oficiais graduados.
A associação direta com armas nucleares — o principal símbolo de poder do regime — é vista por analistas como parte de um esforço para transferir autoridade política por meio da imagem.
A primeira viagem conhecida da jovem ao exterior ocorreu durante uma visita de alto nível à China. Imagens divulgadas pela mídia estatal mostraram Kim Ju Ae ao lado do pai durante encontros diplomáticos e deslocamentos oficiais, inclusive dentro do trem utilizado pela comitiva.
Segundo a agência de espionagem e inteligência da Coreia do Sul, Serviço Nacional de Inteligência, a viagem teve papel relevante na consolidação do status da adolescente como provável herdeira. O serviço avalia que a exposição internacional pode fazer parte de um processo de preparação gradual para funções futuras no regime.
Pouco se sabe oficialmente sobre a filha de Kim Jong Un. A mídia estatal evita divulgar seu nome e se refere a ela apenas como “filha respeitada” ou “criança amada”. A informação mais difundida sobre sua identidade surgiu a partir de um relato do ex-jogador de basquete Dennis Rodman, que afirmou ter conhecido a menina ainda bebê em 2013.
Estimativas de serviços de inteligência indicam que ela nasceu em 2013 e estaria atualmente no início da adolescência. Há também indícios de que Kim Jong Un tenha outros dois filhos, incluindo um menino mais velho, o que mantém aberta a disputa sucessória dentro da família.
Apesar do protagonismo crescente, especialistas questionam se a Coreia do Norte aceitaria, no futuro, uma mulher no comando do regime. O país nunca foi governado por uma líder feminina e mantém uma estrutura de poder fortemente patriarcal.
Por outro lado, mulheres passaram a ocupar cargos de destaque nos últimos anos, incluindo a irmã de Kim Jong Un, Kim Yo Jong, considerada uma das figuras mais influentes do regime, e a atual ministra das Relações Exteriores.
Analistas também apontam que uma sucessão feminina poderia criar dificuldades para a continuidade da linhagem masculina associada ao fundador do Estado, um elemento central da legitimidade do regime.