Irã: Danos atingem palácios, mesquitas e sítios antigos, enquanto especialistas alertam para riscos maiores (Majid Saeedi/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 25 de março de 2026 às 05h54.
A destruição cultural não é novidade em guerras recentes, mas o caso do Irã adiciona um elemento que agrava tudo: o silêncio. Em meio a ataques dos Estados Unidos e de Israel, o país vê parte de sua história ser atingida, enquanto o bloqueio à internet impede que o mundo entenda, com clareza, o que está sendo perdido.
Os números oficiais, divulgados pelo Ministério do Patrimônio Cultural, Turismo e Artesanato do Irã, falam em pelo menos 56 sítios culturais danificados desde o fim de fevereiro. O problema é que, sem acesso livre à informação, esses dados ficam quase no escuro. Especialistas como Michael Danti, arqueólogo do Oriente Próximo e diretor do Programa de Estabilização do Patrimônio Iraquiano da Universidade da Pensilvânia, admitem que confirmar qualquer coisa se tornou um exercício de tentativa e erro.
Alguns impactos já vieram à tona. O Palácio Golestan, em Teerã, teve estruturas danificadas por explosões próximas. No complexo Sa’dabad, há registros de destruição em tetos e janelas. Em outras regiões, como Khorramabad e Isfahan, castelos, mesquitas e palácios históricos também aparecem na lista de danos.
Sem satélites acessíveis ao público e com pesquisadores isolados por anos de sanções, o Irã se torna um ponto cego no mapa cultural em guerra.
Há ainda um problema menos visível, mas igualmente grave. Muitas cidades atingidas são cheias de construções históricas que nem sequer entram em listas oficiais. Irã nega negociações com EUA após anúncio de Trump
Grandes símbolos do Irã, como Persépolis, ainda estão relativamente protegidos pela distância de áreas militares. Mas outros sítios importantes não têm essa vantagem e seguem expostos.