Líbano: Israel ampliou operações no país e atacou infraestruturas estratégicas (Kawnat HAJU/AFP)
Repórter
Publicado em 23 de março de 2026 às 07h13.
O Irã elevou o tom contra Estados Unidos e Israel e ameaçou instalar “minas navais” no Golfo Pérsico caso suas costas ou ilhas sejam atacadas.
"Qualquer tentativa do inimigo de atacar as costas ou ilhas iranianas provocará, naturalmente e de acordo com a prática militar estabelecida, que em todas as rotas de acesso e nas linhas de comunicação no Golfo Pérsico e nas zonas costeiras sejam instalados diversos tipos de minas navais, incluindo minas à deriva que podem ser lançadas a partir das costas", afirmou o Conselho de Defesa do país em um comunicado divulgado pela imprensa estatal.
A escalada ocorre após uma nova onda de ataques lançada por Israel contra Teerã nesta segunda-feira, 23. Explosões foram registradas na capital iraniana, enquanto Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos interceptaram mísseis e drones.
Em resposta, o Irã voltou a atacar Israel e países do Golfo com mísseis e drones, atingindo instalações de energia e até embaixadas dos Estados Unidos. O país também interrompeu o trânsito no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu um ultimato para a reabertura de Ormuz e ameaçou destruir centrais de energia iranianas caso isso não ocorra. O prazo termina na noite desta segunda-feira.
A reação veio do Parlamento iraniano. O presidente da Casa, Mohamad Bagher Ghalibaf, afirmou que infraestruturas do Oriente Médio serão consideradas “alvos legítimos” e poderão ser “destruídas irreversivelmente” se os ataques forem ampliados.
A guerra já provoca impactos relevantes na economia global. Segundo o diretor da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, cerca de 40 infraestruturas energéticas em nove países estão gravemente danificadas.
O mundo perde atualmente 11 milhões de barris de petróleo por dia, volume superior ao das crises do petróleo dos anos 1970.
"Nenhum país ficará imune aos efeitos desta crise se ela continuar avançando nessa direção", declarou Birol a jornalistas durante um evento na Austrália. "A economia mundial enfrenta uma ameaça muito, muito grave, e espero sinceramente que o problema seja resolvido rapidamente", afirmou.
Com isso, os preços do petróleo seguem elevados, próximos de US$ 100 por barril, enquanto bolsas asiáticas registraram quedas expressivas nesta segunda-feira.
No campo militar, Israel indicou que o conflito deve se prolongar por semanas e ampliou operações contra o Hezbollah no Líbano, com ataques a pontes e estruturas estratégicas. O governo libanês alertou para risco de uma invasão terrestre.
Desde o início da guerra, o Irã lançou mais de 400 mísseis contra Israel, segundo o Exército israelense, enquanto organizações de direitos humanos estimam ao menos 3.230 mortos no território iraniano.
Diante da escalada, organismos internacionais alertam para o risco crescente. A Organização Mundial da Saúde classificou o momento como uma “fase perigosa” do conflito, enquanto a AIE afirmou que a economia global enfrenta uma ameaça “muito grave” caso a crise se prolongue.
*Com informações da AFP