Navio petroleiro no Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico (Germán Vogel/Getty Images)
Repórter
Publicado em 24 de março de 2026 às 06h01.
Quatro semanas após o início dos ataques conjuntos dos EUA e de Israel no Irã, estopim de um conflito que já engloba todo o Oriente Médio, o ponto mais importante e sensível do confronto é o estreito de Ormuz, na costa do Irã.
Fundamental via marítima, o estreito é rota de transporte de até um quarto de todo o petróleo global e, em alguns casos, cifras até maiores de outras commodities petroquímicas, essenciais não só para a economia, mas também para o funcionamento básico de indústrias por todo o mundo.
Manter o bloqueio traz ao Irã uma valiosa saída diplomática através de seus laços com outros países, e inclusive a possibilidade de formação desses laços com potências até então hostis a Teerã, mas uma insistência no bloqueio e ataques indiscriminados contra embarcações podem resultar em uma coalizão de países que visam liberar a passagem por força se necessário.
A passagem pelo estreito é limitada tanto pelos perigos naturais de uma zona de guerra quanto por medidas do Irã para desencorajar a circulação por Ormuz.
O país, há décadas antagonizado pelos EUA e seus aliados no ocidente, já foi palco de conflitos no passado, o mais recente dos quais foi a guerra dos 12 dias contra Israel em 2025.
Apuração da ABC News revela que, em luz disso, medidas em relação a Ormuz já eram há muito debatidas em Teerã – dentro do governo do Irã, estrategistas recomendaram após o conflito de 12 dias que, no caso de uma nova guerra, pressão deveria ser aplicada no estreito e nos mercados globais de petróleo. O bloqueio que se segue, portanto, é apenas o resultado de anos de especulação e planejamento, ponderando um conflito muito plausível contra os EUA, um inimigo militarmente muito mais poderoso.
Desse ponto de vista militar, o fechamento de Ormuz é conduzido principalmente por fogo indiscriminado sobre embarcações que navegam sem autorização explícita do Irã e conta com diversos outros métodos, como drones, mísseis contra barcos e embarcações não tripuladas carregadas de explosivos.
Além disso, a mera ameaça de o Irã ter plantado minas submarinas pelo estreito já faz com que os EUA ajam com cautela adicional. Todas essas são estratégias relativamente baratas e que podem ser replicadas em massa pelo Irã, enquanto o tipo de equipamento e operações necessárias para neutralizar essas ameaças pelos EUA são caros, complexos e tomam tempo e recursos escassos.
Diplomaticamente, o bloqueio se torna seletivo, conforme o Irã concede passagem segura somente aos seus aliados. Até então, embarcações do Paquistão, Índia, Turquia e China já navegaram pelo estreito com permissão especial de Teerã. Até mesmo potências normalmente vistas como antagônicas ao Irã, como França e Itália, estariam em negociações com Teerã, segundo o jornal The Financial Times, que cita relatos de funcionários anônimos desses governos.
Além disso, segundo a mídia local, o governo do Irã planeja cobrar taxas de passagem segura de embarcações que planejam atravessar o estreito. Citando um membro do comitê econômico do parlamento iraniano, o veículo de notícias local ISNA, dirigido por estudantes universitários, revelou nesse sábado, 21, que um novo projeto de lei para passar a medida já foi preparado.
O parlamentar iraniano Saeed Rahmatzadeh disse que impor taxas sobre passagens marítimas é “uma prática comum em muitas vias marítimas pelo mundo”, adicionando que a medida poderia ajudar a aumentar os lucros do Irã e melhorar a segurança marítima pelo estreito.