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China ultrapassa EUA como maior parceiro comercial de São Paulo

Mudança veio em meio ao tarifaço imposto por Donald Trump a partir de 2025

Xi Jinping: presidente da China, durante entrevista coletiva (Elvis Barukcic/AFP)

Xi Jinping: presidente da China, durante entrevista coletiva (Elvis Barukcic/AFP)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de internacional e economia

Publicado em 27 de março de 2026 às 06h01.

A China se tornou o maior parceiro comercial do Estado de São Paulo em 2025, e vem mantendo o posto em 2026. Antes, o país que dominava as relações comerciais com os paulistas era os Estados Unidos.

Em 2025, a balança comercial paulista (soma de importações e exportações) com a China foi de US$ 30,7 bilhões, ante US$ 27,3 bilhões com os EUA.

No ano anterior, os EUA haviam negociado US$ 26,3 bilhões com o Estado, enquanto a China havia atingido US$ 24,7 bilhões. Ou seja: o volume de comércio com os EUA não encolheu, mas as trocas com a China cresceram mais. Os negócios com os asiáticos aumentaram 24,2% entre 2024 e 2025, enquanto com os americanos cresceram apenas 3,9%.

A alta com a China foi puxada pelo aumento de importações, que subiram quase 30%, de US$ 16,2 bilhões em 2024 para US$ 20,9 bilhões em 2025. Os principais produtos trazidos do país foram plataformas de petróleo e itens relacionados, celulares e suas peças e herbicidas.

As exportações paulistas para a China subiram 14,6% no mesmo período, e atingiram US$ 9,7 bilhões. Os produtos mais vendidos foram petróleo, carnes bovinas e soja.

Plataforma P-52; Campo de Roncador,; Bacia de Campos; Petrobras; Petróleo

Plataforma de petróleo: item que lidera importações da China para São Paulo, por seu alto valor (Germano Lüders/Exame)

Já as exportações paulistas para os EUA caíram 2,2% de um ano para o outro, e as importações subiram 10,2%. São Paulo vende principalmente aviõessuco de laranja e petróleo bruto para os EUA. As maiores compras dos americanos foram de óleo diesel, medicamentos e turborreatores.

Em 2025, os Estados Unidos, sob comando de Donald Trump, impuseram uma série de tarifas a produtos brasileiros, que chegaram a 50%. Depois, foram anunciadas isenções e houve suspensões de tarifas na Justiça, mas parte das taxas permanece em vigor.

Os dados da balança comercial são da plataforma Comex Stats, do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic), e levam em conta o critério de UF do produto, ou seja, o destino final das importações e o local de saída das exportações, independentemente do domicílio fiscal das empresas.

Nos dois primeiros meses de 2026, a tendência se mantém. A balança comercial com a China somou US$ 4,1 bilhões e com os EUA atingiu US$ 3,7 bilhões.

A liderança chinesa, no entanto, não é inédita. Em 2021 e 2023, os chineses lideraram os negócios com os paulistas. Nos outros anos, os EUA mantinham a liderança. A China é o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009, quando ultrapassou os Estados Unidos.

Cônsul vê espaço para mais parcerias

Em um evento na quarta-feira, 25, em São Paulo, o cônsul-geral da China na cidade, Yu Peng, destacou o avanço do comércio entre a China e São Paulo.

"O desenvolvimento da China não pode ser separado do mundo, e a prosperidade do mundo também precisa da China. São Paulo e os três estados do sul, como polos econômicos importantes do Brasil, possuem uma base de cooperação sólida e amplas perspectivas de desenvolvimento com a China", afirmou.

"As economias da China e do Basil são altamente complementares, e o potencial de cooperação é imenso. Estamos dispostos a aprofundar ainda mais a confiança mútua, inovar na cooperação, ampliar os intercâmbios e injetar mais energia positiva no desenvolvimento de ambos os países."

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