Mundo

Isenções de Trump cobrem 37% das exportações do Brasil aos EUA, dizem entidades

Presidente americano retirou taxas de vários itens, incluindo carne e café, mas itens industriais seguem afetados

Os presidentes Donald Trump e Lula, durante reunião na Malásia, em 26 de outubro de 2025 (Ricardo Stuckert/PR/Divulgação)

Os presidentes Donald Trump e Lula, durante reunião na Malásia, em 26 de outubro de 2025 (Ricardo Stuckert/PR/Divulgação)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de internacional e economia

Publicado em 21 de novembro de 2025 às 11h23.

Última atualização em 21 de novembro de 2025 às 15h01.

Priorizar nos meus resultados Google

A retirada de tarifas de importação sobre produtos brasileiros, anunciada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, beneficia cerca de 37% do total de produtos que o país vendeu aos americanos em 2024, segundo cálculos feitos pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham) e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

No entanto, 62,9% dos produtos ainda estão sujeitos a taxas extras. Veja os dados a seguir, calculados pela CNI. Os valores se referem ao total de mercadorias de cada categoria exportados em 2024.

  • Isentos de sobretaxa: 37,1% das exportações (US$ 15,7 bilhões)
  • Total de exportações sujeitas a algum tipo de tarifa extra: 62,9% (dados abaixo)

Divisão entre os itens ainda atingidos por tarifas:

  • Tarifa recíproca de 10%: 7,0% das exportações (US$ 2,9 bilhões)
  • Tarifa adicional de 40%: 3,8% das exportações (US$ 1,6 bilhão)
  • Tarifa combinada de 50% (10% de tarifa recíproca + 40% específica ao Brasil): 32,7% das exportações (US$ 13,8 bilhões)
  • Tarifa setorial de 50%, como aço e alumínio (Seção 232): 11,9% das exportações (US$ 5 bilhões)
  • Isenção da tarifa de 40% condicionada à destinação para a aviação civil, instituída pela Ordem Executiva de julho: 7,5% das exportações (US$ 3,2 bilhões)

Inicialmente, a Amcham havia divulgado que o total de produtos isentos equivaleria a 44% das exportações, mas depois o dado foi revisado. A Amcham avalia que 37,3% dos itens exportados pelo Brasil aos EUA ficaram isentos das tarifas criadas neste ano.

“Setores muito relevantes, como máquinas e equipamentos, móveis e calçados, que tinham os EUA como principais clientes externos, ainda não entraram na lista de exceções. O aumento das isenções é um sinal muito positivo de que temos espaço para remover as barreiras para outros produtos industriais. Esse é nosso foco agora”, diz Ricardo Alban, presidente da CNI.

As tarifas de Donald Trump foram impostas de várias formas. Primeiro, ele estabeleceu uma taxa extra geral, de 10%, em abril, para todos os países, que chamou de tarifas recíprocas.

Em seguida, em agosto, ele colocou uma tarifa extra de 40% ao Brasil, ao acusar o país de prejudicar a economia dos EUA e de perseguir o ex-presidente Jair Bolsonaro. Com isso, o país passou a ter uma taxa de 50% para a maioria de seus produtos. Já naquele momento, houve isenções, para itens como aviões e petróleo.

Em setembro, os presidentes Lula e Trump se aproximaram, durante a Assembleia-Geral da ONU, e iniciaram conversas para reduzir as taxas.

Nas últimas semanas, Trump começou a retirar as tarifas. Primeiro, em 14 de novembro, ele suspendeu a taxa de 10% sobre uma série de produtos, incluindo carne e café, para todos os países.

Agora, em 20 de novembro, ele removeu a tarifa de 40% sobre mais de 200 itens exportados pelo Brasil, o que anula os efeitos do tarifaço deste ano para estes itens. A lista inclui carne, café, frutas, castanhas e vários outros produtos agrícolas (veja mais ao fim do texto).

Assim, estes produtos brasileiros voltam a pagar as taxas cobradas antes do governo Trump. A carne, por exemplo, volta aos 26%, tendo chegado a 76%, com os adicionais de 10% e de 40%.

"A medida representa um avanço importante rumo à normalização do comércio bilateral, com efeitos imediatos para a competitividade das empresas brasileiras envolvidas e sinaliza um resultado concreto do diálogo em alto nível entre os dois países", diz a Amcham, em nota.

"Ao mesmo tempo, a Amcham reforça a necessidade de intensificar esse diálogo entre Brasil e Estados Unidos, com o objetivo de estender a eliminação dessas sobretaxas aos demais produtos ainda impactados — com destaque para bens industriais — e de aprofundar a cooperação bilateral em temas de interesse mútuo", defende a entidade.

Produtos beneficiados e que ficaram de fora

A lista de itens isentos agora inclui:

- Café verde e torrado, chá verde e preto e mate
- Carne bovina
- Frutas frescas, congeladas e processadas, como laranja, abacaxi, banana, manga e açaí
- Cacau e derivados
- Temperos (pimenta, gengibre, canela)
- Sucos e polpas de frutas
- Mandioca, batata e raízes/tubérculos

Alguns produtos que ainda seguem com taxa

- Calçados
- Café solúvel
- Máquinas
- Mel
- Móveis
- Pescados

Produtos que já haviam sido isentos em ordens anteriores

- Aeronaves e peças
- Petróleo e combustíveis
- Polpa de madeira e celulose
- Fertilizantes
- Metais preciosos

Acompanhe tudo sobre:TarifasDonald TrumpLuiz Inácio Lula da Silva

Mais de Mundo

Disputa por poder na Casa Branca se intensifica diante de possível derrota de Trump nas 'midterms'

Alta do custo de vida leva centenas de milhares às ruas da França em onda de protestos

Mulher passa 20 horas à deriva no Mar Jônico após pular de cruzeiro na Grécia

Rússia afirma ter atacado siderúrgica da ArcelorMittal na Ucrânia