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Brasil quer oferecer 'terras raras verdes' à Europa, diz presidente da Apex

Minerais críticos são um dos principais temas nas conversas entre empresas dos dois países na feira Hannover Messe

Debate sobre terras raras em estande do Brasil na feira Hannover Messe (Rafael Balago/Exame)

Debate sobre terras raras em estande do Brasil na feira Hannover Messe (Rafael Balago/Exame)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de internacional e economia

Publicado em 22 de abril de 2026 às 08h01.

Última atualização em 23 de abril de 2026 às 11h00.

Hanover - O Brasil quer fazer acordos para fornecer minerais críticos à Europa, mas de forma que a exploração seja sustentável e benéfica ao país, disse Laudemir Muller, presidente da ApexBrasil.

"A gente quer ter tecnologia para explorar e acessar esses minerais, mas que seja uma tecnologia verde. A gente quer trabalhar com a mineração verde", disse Müller, em conversa com a EXAME.

"O ponto dois é que isso se transforme em indústria no Brasil, em processamento no Brasil. A gente não quer ser um exportador de minerais apenas. Queremos ser um exportador de uma cadeia que busque esses minerais de forma sustentável e verde, e que a gente agregue valor e industrialize no Brasil", afirma.

Parcerias com vários países

Müller diz que o Brasil negocia parcerias na área com os EUA, a China e a Europa da mesma forma, e que o interesse europeu por este tema vem aumentando.

"A gente negocia e quer trazer investimentos chineses, americanos e europeus para o Brasil. E tem uma intensidade maior agora nesse diálogo com os europeus", afirma.

"A Europa tem uma estratégia chamada Global Gateway, de aproximar cadeias produtivas. A gente quer colocar os minerais raros no centro dessa estratégia, pois somos muito complementares. A Europa precisa fazer uma transição energética acelerada", disse.

Entenda as terras raras

As terras raras são minerais usados em tecnologias de ponta, como baterias e chips de última geração. Eles não são necessariamente difíceis de encontrar, mas sim de estarem disponíveis em grande quantidade em um mesmo local. Há também dificuldades para separá-los dos demais materiais do solo, o que exige tecnologias de ponta.

Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, depois da China. O país da Ásia gera mais de 60% da produção global e refina quase 90% da produção global de terras raras.

Em março, o governo de Goiás firmou um memorando de entendimento com o governo dos EUA, para avançar no mapeamento dos minerais do estado e estimular novos negócios com empresas americanas. O gesto gerou críticas do governo federal, pois a Constituição determina que o controle dos recursos no subsolo cabe à União.

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