Mundo

Brasil é maior beneficiado por tarifa de Trump, diz estudo

Estudo da Global Trade Alert aponta queda média de 13,6 pontos nas tarifas sobre produtos brasileiros se novas tarifas chegarem a 15%

Donald Trump: tarifas entram em vigor nesta terça-feira (Saul Loeb/AFP)

Donald Trump: tarifas entram em vigor nesta terça-feira (Saul Loeb/AFP)

Daniel Giussani
Daniel Giussani

Repórter de Negócios

Publicado em 24 de fevereiro de 2026 às 06h15.

O Brasil será o país mais beneficiado pela mudança no regime tarifário dos Estados Unidos, com queda média de 13,6 pontos percentuais nas tarifas aplicadas a seus produtos. A estimativa é da consultoria Global Trade Alert, que analisou o efeito da nova taxa global anunciada por Donald Trump após decisão da Suprema Corte americana.

As novas tarifas entraram em vigor nesta terça-feira, 24, com adicional global aplicado às importações.

Até a semana passada, parte relevante das exportações brasileiras enfrentava sobretaxas impostas com base na International Emergency Economic Powers Act (IEEPA), sigla em inglês para Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional. Desde julho de 2025, muitos produtos do Brasil pagavam sobretaxa de até 40%, além da tarifa geral de 10% aplicada à maioria dos parceiros comerciais.

Com a decisão da Suprema Corte que derrubou as tarifas de Trump, a Casa Branca reagiu acionando a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974. O dispositivo autoriza o presidente a impor uma tarifa temporária, por até 150 dias, sem aprovação prévia do Congresso.

Primeiro, Trump anunciou 10%. No sábado, elevou para 15%.

Na prática, o novo modelo funciona assim: para a maioria dos produtos, permanece a tarifa normal do item — já existente antes da época do tarifaço do ano passado — acrescida de um adicional temporário global de 15%.

A medida tem exceções, como bens cobertos pelo acordo comercial da América do Norte e produtos sujeitos à Seção 232 — caso de aço e alumínio, que enfrentam taxação de 50%. No desenho atual, essas alíquotas continuam em vigor e se somam ao novo adicional anunciado.

O estudo calcula que, com a taxa global de 15%, a tarifa média ponderada dos EUA — média que considera o peso de cada produto na pauta de importações — ficará em 13,2%.

Antes da decisão da Suprema Corte, estava em 15,3%. Se nenhuma medida tivesse sido adotada após a derrota judicial, cairia para 8,3%.

A Global Trade Alert analisou mais de 274 mil fluxos de comércio, cruzando país exportador e produto no nível mais detalhado do sistema aduaneiro internacional, o HS de 8 dígitos, que identifica mercadorias com precisão.

Brasil e China serão os mais beneficiados

Para chegar à tarifa média de cada país, os pesquisadores usaram como base o valor importado pelos EUA em 2024. Produtos mais comprados pelos americanos têm peso maior no cálculo. Isso evita que itens pouco relevantes distorçam o resultado final.

O levantamento comparou quatro cenários: o regime anterior à decisão da Suprema Corte; o cenário sem as tarifas da IEEPA; a versão inicial da Seção 122 com 10%; e o modelo atual com 15%.

Ao substituir sobretaxas específicas, que chegavam a 40% no caso brasileiro, por uma taxa uniforme de 15%, o novo regime reduz a diferença entre países que pagavam muito e os que pagavam pouco.

China (-7,1 pontos percentuais) e Índia (-5,6 pontos) também registram queda relevante. Já países que tinham tarifas baixas passam a pagar mais com o piso de 15%. Reino Unido (+2,1 pontos), Itália (+1,7) e Singapura (+1,1) estão entre os que veem aumento.

A medida vale por 150 dias, até 24 de julho, salvo prorrogação pelo Congresso.

Mesmo sem tarifas, investigação continua

O governo dos Estados Unidos afirmou que seguirá com a investigação comercial contra o Brasil, mesmo após a Suprema Corte americana considerar ilegais as tarifas impostas por Trump.

Em nota divulgada na noite de sexta-feira, 20, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) informou que o governo vai prosseguir com as investigações em andamento da Seção 301, incluindo aquelas que envolvem o Brasil e a China.”

“Se essas investigações concluírem que existem práticas comerciais desleais e que medidas corretivas são justificadas, as tarifas são uma das ferramentas que podem ser impostas”, diz o comunicado.

Investigação com base na Seção 301

A apuração contra o Brasil tem como base a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

Ela foi aberta em julho do ano passado, quando Trump enviou carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva informando sobre o tarifaço de 50% e sobre a abertura de investigação comercial contra o país.

A menção ao Brasil no documento do USTR é interpretada como um recado de que o país continua sob análise da política comercial americana.

Quando a investigação foi anunciada, o texto citava temas como Pix, redes sociais, desmatamento ilegal e práticas de corrupção.

A nota também afirma que o governo manterá as tarifas aplicadas com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962, além de concluir investigações em curso e abrir novas apurações sob a Seção 301.

Acompanhe tudo sobre:TarifasDonald Trump

Mais de Mundo

China inicia construção da maior fábrica offshore de petróleo e gás da Ásia

Conheça 10 bilionárias chinesas que construíram suas próprias fortunas

Exército de Israel anuncia nova onda de ataques contra Teerã e Isfahan

Trump diz que Cuba 'vai cair muito em breve' e governo deseja negociar com os EUA