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Novas tarifas de Trump entram em vigor nesta terça-feira

Medida de 10% entra em vigor após decisão da Suprema Corte, enquanto Casa Branca avalia elevar tarifa para 15% e parceiros comerciais estudam reação

Donald Trump: novas tarifas começam a valer a partir de hoje (Saul Loeb/AFP)

Donald Trump: novas tarifas começam a valer a partir de hoje (Saul Loeb/AFP)

Publicado em 24 de fevereiro de 2026 às 06h11.

As novas tarifas globais do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entraram em vigor nesta terça-feira, 24, com alíquota de 10% sobre importações. O percentual é inferior aos 15% mencionados pelo presidente no sábado, 21, mas nenhuma diretriz oficial elevando a taxa foi publicada até o momento.

Integrantes da Casa Branca trabalham em um caminho formal para elevar a tarifa a 15%, segundo a imprensa internacional. Até agora, a alíquota permanece em 10%.

A medida foi formalizada por meio de ordem executiva assinada horas após a Suprema Corte bloquear parte das tarifas amplas impostas anteriormente com base na International Emergency Economic Powers Act (IEEPA). A decisão, por 6 votos a 3, concluiu que o presidente extrapolou sua autoridade ao aplicar tarifas globais no ano passado.

O novo imposto temporário foi adotado com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite ao presidente impor tarifas por até 150 dias sem aprovação do Congresso. A tarifa deverá vigorar por pelo menos 150 dias.

Por que o fim das tarifas de Trump deve favorecer a soja do Brasil na China

A ordem prevê exceções para produtos contemplados pelo acordo comercial da América do Norte entre Estados Unidos, Canadá e México, além de parte de produtos agrícolas.

Segundo o texto oficial, a medida busca enfrentar “problemas fundamentais de pagamentos internacionais” e reequilibrar relações comerciais em benefício de trabalhadores, agricultores e fabricantes americanos.

Trump defende que as tarifas são necessárias para reduzir o déficit comercial dos Estados Unidos. Na semana passada, o déficit atingiu aproximadamente US$ 1,2 trilhão, alta de 2,1% em relação a 2024.

De acordo com dados oficiais mais recentes, o governo já arrecadou ao menos US$ 130 bilhões em tarifas com base na IEEPA desde 2023.

Impacto potencial e reação internacional

Caso a alíquota seja elevada para 15%, o Reino Unido pode ser particularmente afetado. O governo britânico havia negociado no último verão uma taxa de 10% para diversos produtos.

Dados do órgão independente Global Trade Alert indicam que, em um cenário de tarifa de 15%, o Brasil teria a maior redução na tarifa média aplicada pelos Estados Unidos, com queda de 13,6 pontos percentuais, seguido pela China, com recuo de 7,1 pontos percentuais.

O Reino Unido afirmou que medidas recíprocas não estão descartadas. Porta-voz do primeiro-ministro Keir Starmer declarou que “nada está fora da mesa”.

O presidente do comitê de comércio do Parlamento Europeu, Bernd Lange, afirmou que a União Europeia busca garantias de que os Estados Unidos respeitarão acordos firmados.

Na segunda-feira, 23, Trump afirmou que países que “brincarem” com a decisão da Suprema Corte poderão enfrentar tarifas mais altas do que as recentemente acordadas.

Segundo o Wall Street Journal e a Bloomberg, o governo dos EUA prepara novas investigações com base na Seção 232, voltadas a setores como baterias, equipamentos de telecomunicações e produtos químicos industriais.

O custo das tarifas de Trump para o mercado

Analistas apontam incerteza sobre os próximos passos. Jim Reid, do Deutsche Bank, afirmou que ainda não está claro como o presidente reagirá aos movimentos do Reino Unido e da União Europeia.

Trump deve discursar nesta terça-feira à noite no State of the Union, quando pode detalhar os próximos passos da política tarifária. Alguns analistas avaliam que a tarifa efetiva média poderá cair ao longo do ano, dependendo das decisões subsequentes da administração.

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