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Nova Exame

Biden pode conquistar a presidência hoje

Democrata precisa confirmar a vitória no Arizona e vencer mais um estado; Trump lança ofensiva jurídica

O democrata Joe Biden venceu em Wisconsin e Michigan e está muito perto de conquistar a Presidência dos Estados Unidos. Com a vitória nos dois estados, falta apenas a confirmação de suas lideranças em Nevada e Arizona para que o candidato atinja os 270 votos necessários para ser eleito pelo colégio eleitoral americano.

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A definição depende da apuração nos dois estados. Até as 06h de hoje, Biden tinha uma vantagem de 8.000 de votos sobre o republicano Donald Trump em Nevada e de 70.000 votos no Arizona.

Caso Biden vire o placar na Geórgia, bastará uma vitória em qualquer um dos outros cinco estados indefinidos para o democrata obter a maioria no colégio eleitoral. Até às 23h de Brasília, Biden tinha garantidos 253 votos, contra 214 de Trump.

Num breve pronunciamento na tarde de ontem, Biden não disse que não se declararia o ganhador da disputa, mas afirmou ter confiança no resultado “quando a contagem for encerrada”. “Meus compatriotas americanos, ontem vocês provaram que a democracia é o coração pulsante deste país.”

A vantagem que as pesquisas apontavam para os democratas não se traduziu nas urnas. O partido esperava uma vitória avassaladora, que representasse uma mensagem clara dos eleitores contra Donald Trump.

Mesmo assim, Biden tem um caminho muito mais claro do que Trump para chegar ao número mágico de 270.

Caso isso aconteça, não se espera que o presidente Donald Trump admita a derrota tão cedo. Em posts no Twitter ele repetiu as acusações de supostas fraudes na contagem dos votos enviados pelo correio. Antes mesmo do fim da apuração, os advogados do Partido Republicano deram entrada em várias ações na Justiça apontando supostas irregularidades eleitorais.

Em Wisconsin e Michigan, Biden conseguiu retomar duas peças fundamentais do “muro azul”, a região do Meio Oeste americano que tradicionalmente votava nos democratas e em 2016 foi responsável pelo triunfo surpreendente de Trump.

Na Pensilvânia, outra peça fundamental do complicado quebra-cabeças do colégio eleitoral americano, Donald Trump tinha uma vantagem de 164.414 votos até as 06h de hoje. Mas a margem vinha encolhendo conforme eram contabilizados os votos enviados pelo correio.

Por causa da pandemia, vários estados flexibilizaram as regras de votação à distância, e os eleitores democratas aderiram a essa modalidade em números muito maiores que os republicanos.

Como a contagem dos votos pelo correio é mais demorada – os envelopes precisam ser abertos, e as cédulas passam por verificação  antes da contagem –, já se esperava uma “virada azul” tardia (azul é a cor tradicional do Partido Democrata).

 (EXAME Research/Exame)

Trump, entretanto, está se fixando no outro lado do fenômeno: a “miragem vermelha”, ou seja, a contagem mais rápida dos votos depositados pessoalmente.

Sem oferecer evidências concretas de fraude, ele afirmou na noite de terça que a contagem dos votos deveria ser interrompida em certos estados – curiosamente, naqueles em que ele estava na frente.

Ontem, ele voltou à carga pelo Twitter:

“Reivindicamos, para fins do Colégio Eleitoral, a Pensilvânia (que não permite observadores jurídicos), a Geórgia e a Carolina do Norte, em todos os quais Trump tem uma GRANDE vantagem. Além disso, reivindicamos por meio desta o estado de Michigan se, de fato, houve um grande número de votos secretamente jogados fora, como amplamente noticiado!”

Não houve notícias de votos descartados em Michigan. Na Pensilvânia sua vantagem está cada vez menor, e na Carolina da Norte a contagem ainda não terminou.

Entre os analistas políticos americanos, vem causando estupefação a ideia de que o presidente dos Estados Unidos exija que determinados votos – dentro das regras e sem qualquer evidência de irregularidades – sejam desconsiderados.

No seu pronunciamento, Biden afirmou que “ninguém vai nos tomar nossa democracia, nem agora nem nunca”.

O que vai dizer a Justiça?

Com uma eventual confirmação da vitória de Biden, o futuro imediato da política americana é uma incógnita.

Advogados do Partido Republicano já entraram com um processo pedindo a interrupção da contagem dos votos à distância em Michigan, alegando “falta de transparência”.

“A campanha do presidente Trump não teve acesso significativo a várias localidades de apuração para observar a abertura das cédulas e o processo de contagem, como garante a lei de Michigan”, afirmou Bill Stepien, diretor da campanha de Trump.

Até as 06h de hoje em Brasília, o estado ainda não havia concluído a apuração, mas Biden tinha vantagem insuperável, de cerca de 120.000 votos. Quatro anos atrás Trump bateu Hillary Clinton por meros 10.700 votos, de um total de 4,8 milhões.

Em Wisconsin, os republicanos prometeram entrar com um pedido de recontagem dos votos. Biden obteve uma vantagem de cerca de 20.000 votos -- abaixo de 1 ponto percentual e, portanto, passível de verificação segundo as leis do estado.

Em 2016, derrotados por uma margem muito parecida, os democratas também pediram a recontagem em Wisconsin – mas o resultado mudou apenas 131 votos, em favor de Trump. Em 2011, uma revisão dos votos para uma vaga na Suprema Corte de Wisconsin resultou na mudança de apenas 300 votos.

Os advogados de Trump também tentam interromper a apuração dos votos na Geórgia, um estado tradicionalmente republicano que segue indefinido com 95% da apuração concluída. Na noite de terça-feira, Trump estava cerca de 350.000 votos na frente; na manhã de hoje, às 06h, a diferença tinha encolhido para 23.000 votos.

Também há indicações de que Trump possa contestar as votações de Nevada e Arizona. Ambos os estados ainda não encerraram suas apurações, mas Biden está na dianteira e os votos que ainda não foram contados são de áreas metropolitanas – que tradicionalmente preferem os democratas.

“Não pode acontecer. Simplesmente não pode acontecer. Não é justo. Isso não é democracia”, disse Eric Trump, filho do presidente, numa entrevista coletiva realizada na tarde de ontem na Filadélfia, maior cidade da Pensilvânia.

Rudolph Giuliani, advogado de Trump e um de seus mais ardorosos defensores, afirmou: “Acham que somos burros? Acham que somos idiotas? Quer saber? Os democratas acham que vocês são burros. E acham que vocês são idiotas. Por isso te chamam de ‘deploráveis’ e ‘cabeçudos’”.

Enquanto Trump e seu círculo mais próximo partem para o ataque, as lideranças do Partido Republicano vêm mantendo silêncio – ou no mínimo dando declarações públicas com o cuidado de não criticar o presidente de forma aberta.

O senador Mitch McConnell, líder republicano no Senado, disse que “afirmar que você ganhou a eleição é diferente de terminar a apuração. O ex-governador de Nova Jersey Chris Christie afirmou que “todos os votos recebidos devem ser contados”. “Acho que é uma decisão estrategicamente ruim.”

 (EXAME Research/Exame)

Um país ainda dividido

Mesmo que a margem de vitória no colégio eleitoral seja pequena –Biden pode ser eleito com o mínimo de 270 votos, apenas dois a mais que o adversário --, um eventual triunfo deve representar uma mudança radical na vida americana.

Trump usou a divisão como arma política e ignorou deliberadamente as oportunidades de oferecer palavras de conciliação quando elas lhe foram apresentadas.

Durante os protestos por justiça racial que chacoalharam o país em junho, o presidente optou por condenar os atos isolados de vandalismo e falou em lei e ordem. Sobre os assassinatos de negros pelas mãos da polícia que motivaram os protestos ele não falou quase nada.

A união do país foi desde sempre um pontos centrais da campanha de Joe Biden. A dúvida é se ele será capaz de unir um país divido quase ao meio, caso conquiste a presidência.

Mesmo derrotado, o desempenho de Trump superou todas as previsões das pesquisas, pelo menos no colégio eleitoral. Ainda é cedo para calcular a votação popular -- mas há dúvidas de que elas cheguem aos dez pontos percentuais apontados nos levantamentos. Os eleitores dos dois candidatos seguem separados por um abismo.

Um presidente Biden também não deve contar com a maioria no Senado, o que vai limitar e muito sua capacidade de colocar em prática suas promessas mais ambiciosas, como um enorme pacote de investimentos em infraestrutura.

Mas essas são questões para depois de 20 de janeiro, quando o novo presidente toma posse. Antes disso, os Estados Unidos e o mundo esperam uma definição das urnas. E, depois, o que vai dizer a Justiça.


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