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Raul Tichauer, diretor-geral da Opella no Brasil: "Crescer de forma sustentável significa gerar valor para o negócio, pessoas e sociedade ao mesmo tempo" (Divulgação)
Repórter de ESG
Publicado em 22 de junho de 2026 às 18h05.
Última atualização em 22 de junho de 2026 às 18h14.
Pessoas, planeta e negócio: esses são os três pilares do Health³, a nova estratégia global de sustentabilidade lançada pela Opella, gigante farmacêutica dona do Dorflex, Novalgina e Allegra.
O anúncio chega após a companhia superar todas as metas estabelecidas para 2025 e estabelece compromissos ainda mais ambiciosos para a próxima década, incluindo a neutralidade de carbono até 2050.
A Opella não é um nome familiar para a maioria dos consumidores brasileiros, mas suas marcas são. Empresa independente desde 2025, quando se separou da Sanofi para atuar de forma autônoma no mercado de consumer health, a Opella é hoje o terceiro player do mundo na categoria e foi a primeira a obter a certificação B Corp, concedida a negócios que atuam com impacto positivo.
Líder no Brasil em analgésicos, alergia e probióticos, seu mais recente lançamento foi o Novalgina Flash, considerado o maior de sua história no país.
No Brasil, onde estão 10% de seus colaboradores, a empresa quer dobrar o tamanho da operação nos próximos anos e afirma que a sustentabilidade é parte central dessa equação.
À EXAME, Raul Tichauer, diretor-geral da Opella no Brasil, afirma que crescer de forma sustentável significa gerar valor para o negócio, pessoas e sociedade ao mesmo tempo.
"O ESG está integrado às nossas decisões estratégicas e à forma como operamos, orientando desde a gestão de recursos e da cadeia de valor até iniciativas de impacto social", destaca.
O mercado em que o negócio opera está em plena expansão: o setor de medicamentos isentos de prescrição movimentou R$ 52,2 bilhões no Brasil no ano passado, com crescimento anual entre 4% e 5%, segundo dados internos.
Só o segmento de antialérgicos, onde a Opella compete com o Allegra, responde por R$ 3,9 bilhões. Em analgésicos, a dimensão do problema é ainda mais concreta: a enxaqueca gera perdas de R$ 67 bilhões anuais para a economia brasileira.
O lançamento da nova estratégia é respaldado por um ciclo anterior que fechou com resultados acima do planejado. A Opella reduziu 70% das emissões dos Escopos 1 e 2 em relação a 2019, sendo que a meta era 65%.
Além disso, atingiu 100% de eletricidade renovável em suas operações, eliminou o envio de resíduos para aterros sanitários em todos os locais de fabricação elegíveis e garantiu que 100% das embalagens de papel para consumidores viessem de fontes certificadas.
Na frente social, chegou a 238 milhões de pessoas com iniciativas de educação em saúde em 2025, o que representou 138% acima da meta de 100 milhões.
Com o Health³, os compromissos se tornam mais estruturais. No pilar climático, a empresa estabelece meta de neutralidade de carbono até 2050, com marco intermediário de redução de 58,8% nas emissões absolutas dos Escopos 1, 2 e 3 até 2034.
O desafio é relevante: 97% das emissões da Opella provêm de sua cadeia de valor, não das operações diretas.
No Brasil, a fábrica de Suzano já opera com energia renovável e obteve o Selo Aterro Zero. (Divulgação)
"Esses elementos reforçam exatamente os critérios ambientais avaliados pelo selo B Corp no qual fomos pioneiros no setor", diz o diretor-geral.
O segundo pilar do Health³ é "Pessoas Saudáveis", parte de uma tese que a Opella tem defendido com consistência: o autocuidado como ferramenta de sustentabilidade.
Segundo Raul, ao ampliar o conhecimento da população sobre saúde, a farmacêutica incentiva o tratamento correto de sintomas leves com medicamentos isentos de prescrição.
"O resultado prático disso é o alívio na pressão dos sistemas públicos, economizando tempo de espera, deslocamentos e recursos em atendimentos hospitalares", explica.
Os números europeus citados pela empresa ilustram o argumento: 1,2 bilhão de problemas de saúde de menor gravidade são tratados anualmente por meio de medicamentos sem prescrição no continente, gerando economia superior a 13 bilhões de horas em deslocamentos e tempo de espera.
Na nova estratégia, a Opella se compromete a melhorar a alfabetização em saúde de 50 milhões de pessoas por ano e capacitar 200 mil farmacêuticos até 2030.
O impacto social também se materializa em iniciativas locais. O programa Água Segura, da Enterogermina, já beneficiou mais de 50 mil pessoas em comunidades vulneráveis no Brasil.
Na política interna, a empresa oferece licença parental de seis meses para todos os colaboradores, independentemente de gênero e sexualidade.
O terceiro pilar completa o tripé: Negócio Saudável. Em abril de 2025, a Opella conquistou a certificação B Corp de forma pioneira. Com o Health³, a companhia anunciou que irá buscar a recertificação sob os novos critérios da B Lab, mais rigorosos e com requisitos de cumprimento contínuo ao longo de cinco anos.
"Os riscos climáticos e as desigualdades sociais se reforçam mutuamente, criando efeitos em cascata que nenhuma intervenção isolada é capaz de resolver. A estratégia representa nosso compromisso com uma transformação sistêmica", afirma Marissa Saretsky, diretora de sustentabilidade global da Opella.