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Bases dos EUA, megapresídios e dólar: o plano de De la Espriella para a Colômbia

Advogado e empresário venceu eleição por margem apertada e promete endurecer combate ao narcotráfico, reduzir o tamanho do Estado e estreitar laços com os Estados Unidos

Abelardo de la Espriella: político foi eleito na Colômbia

Abelardo de la Espriella: político foi eleito na Colômbia

Publicado em 22 de junho de 2026 às 11h03.

Última atualização em 22 de junho de 2026 às 11h05.

A guinada política da Colômbia após quatro anos de governo de esquerda tem nome e sobrenome. Abelardo de la Espriella, advogado e empresário de 47 anos, foi eleito presidente no domingo, 21, e assumirá o cargo em agosto com a promessa de implementar uma agenda de direita baseada em segurança pública, redução do Estado e aproximação com os Estados Unidos.

Sem experiência prévia em cargos eletivos, De la Espriella derrotou por menos de um ponto percentual o senador Iván Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro. O resultado encerra o ciclo iniciado em 2022, quando a esquerda chegou ao poder pela primeira vez na história do país.

A vitória também reforça o avanço de lideranças conservadoras na América Latina, movimento observado recentemente em países como Argentina, El Salvador e Equador.

Segurança no centro da agenda

O principal eixo do novo governo será o combate ao narcotráfico e aos grupos armados ilegais.

A Colômbia segue como a maior produtora mundial de cocaína e convive com a atuação de guerrilhas, dissidências e organizações criminosas em diferentes regiões do país.

Durante a campanha, De la Espriella prometeu lançar um "Plano Colômbia II", em referência ao programa de cooperação entre Bogotá e Washington que marcou o início dos anos 2000.

Entre as propostas apresentadas estão bombardeios contra grupos armados, retomada da erradicação de cultivos ilícitos com herbicidas e ampliação da cooperação militar com os Estados Unidos.

O presidente eleito também defende a integração da Colômbia à aliança internacional de combate ao crime organizada pelos Estados Unidos e liderada pelo presidente Donald Trump.

"Não haverá zonas proibidas para o Estado, não haverá criminosos impunes e intocáveis. Não haverá organizações acima da Constituição e da lei", afirmou após a divulgação do resultado eleitoral.

Megapresídios e flexibilização do porte de armas

Inspirado nas políticas de segurança adotadas pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, e pelo presidente do Equador, Daniel Noboa, De la Espriella pretende construir dez megapresídios de segurança máxima para encarcerar integrantes de organizações criminosas.

A proposta faz parte de uma estratégia de endurecimento penal que também inclui mudanças nas regras para posse e porte de armas.

Durante a campanha, o presidente eleito afirmou que cidadãos considerados aptos física e psicologicamente deveriam ter acesso facilitado ao armamento.

As medidas receberam apoio de setores conservadores, mas também provocaram críticas de organizações de direitos humanos e especialistas em segurança pública, que alertam para possíveis impactos sobre a violência e as garantias individuais.

Agenda econômica liberal

Na economia, De la Espriella assume uma Colômbia pressionada pelo aumento dos gastos públicos e por um déficit fiscal próximo de 7% do Produto Interno Bruto (PIB).

Entre as propostas defendidas durante a campanha estão a redução de aproximadamente 40% da estrutura estatal, cortes de impostos para empresas e o estímulo à exploração energética por meio do fracking.

O presidente eleito também afirmou que a dolarização da economia seria um objetivo desejável para o país, embora não tenha detalhado um cronograma para implementação da medida.

O discurso econômico aproxima De la Espriella de lideranças liberais da região, como o presidente argentino Javier Milei.

Relação com organismos internacionais

Outro ponto que marcou a campanha foi o posicionamento crítico em relação a organismos multilaterais.

De la Espriella afirmou que pretende revisar a participação da Colômbia em instituições como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização dos Estados Americanos (OEA).

Segundo ele, essas entidades perderam relevância e estariam excessivamente influenciadas por grupos políticos de esquerda.

O presidente eleito também mencionou a possibilidade de retirar a Colômbia da Corte Interamericana de Direitos Humanos e reduzir a presença diplomática do país no exterior.

A proposta prevê o fechamento de parte das embaixadas colombianas e a transformação das representações restantes em estruturas voltadas à promoção de negócios e investimentos.

Mudança de rumo

A eleição de De la Espriella representa uma mudança significativa na direção política da Colômbia.

Após quatro anos de governo Petro, marcado por reformas sociais, expansão do gasto público e tentativas de negociação com grupos armados, o novo presidente assume prometendo uma agenda focada em segurança, liberalização econômica e alinhamento estratégico com Washington.

O desafio será transformar propostas de campanha em políticas públicas em um país que continua enfrentando violência armada, dificuldades fiscais e forte polarização política.

*Com AFP

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