Baixa participação marca as prévias presidenciais na Bolívia

Mais de 1,7 milhão de militantes de partidos políticos poderiam votar nas primárias, mas apenas 400 mil compareceram às urnas

Os bolivianos foram às urnas, neste domingo (27), em inéditas eleições primárias para escolher candidatos presidenciais para o pleito marcado para outubro deste ano, em uma polêmica votação sem concorrência e com um único pré-candidato inscrito por cada partido, com baixa participação.

Mais de 1,7 milhão de militantes de partidos políticos poderiam votar nas primárias, mas apenas 400.000 compareceram às urnas, segundo o Tribunal Supremo Eleitoral após a apuração de 90% das urnas, menos de 25% das pessoas registradas.

“De maneira geral, (as primárias) foram um sucesso (…) na primeira vez que o povo boliviano participa das eleições primárias”, disse o presidente Evo Morales à emissora de rádio estatal Patria Nueva, ao minimizar as críticas da oposição, que convocara um boicote.

A participação foi baixa nos nove partidos, incluindo o Movimento ao Socialismo (MAS) de Morales, com quase um milhão de militantes registrados, mas com índice de participação de apenas 36%, após a apuração de 79% das urnas.

A apuração diz respeito apenas a quantas pessoas votaram, já que não havia disputa entre candidatos. Cada legenda inscreveu apenas uma chapa formada pelo pré-candidato a presidente e a vice-presidente.

Nos oito partidos opositores, que convocaram um boicote, a participação foi ainda menor, com apenas 5% de média.

Segundo a oposição, as primárias foram promovidas pelo governo para alavancar a polêmica candidatura de Morales para um quarto mandato sucessivo (2000-2025). O Tribunal Constitucional validou sua pré-candidatura em 2017, apesar de a população tê-la rejeitado em um referendo em 2016.

No poder desde 2006, a chapa governista é formada por Morales, primeiro presidente indígena da Bolívia, e por seu vice, Álvaro García. Ambos buscarão a reeleição em outubro.

Morales votou em uma escola em Villa Tunari, na região central de Cochabamba, e García, em um colégio em La Paz.

As outras chapas são formadas pelos ex-presidentes Carlos Mesa (Comunidade Cidadã) e Jaime Paz Zamora (Partido Democrata-Cristão), pelo ex-vice-presidente Víctor Hugo Cárdenas (Unidade Cívica Solidariedade) e pelo senador Oscar Ortiz (Bolívia Diz Não).

Outros quatro partidos nanicos completam a lista de participantes para essa disputa interna, um passo obrigatório para competir nas eleições de outubro. O Congresso também será totalmente renovado.

“Estas primárias são puro formalismo, porque, em cada partido, já há candidatos eleitos”, disse à AFP o analista e professor universitário Carlos Cordero.

Ao custo de quatro milhões de dólares, a realização das primárias foi resultado de uma nova Lei de Partidos Políticos impulsionada pelo MAS, de Evo Morales, e aprovada em outubro passado.

A oposição insistiu em que se tratava de um gasto inútil, já que as primárias servirão apenas para legitimar a candidatura de Morales.

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