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Primeiro-ministro do Reino Unido vai doar parte do salário para moradores de rua

Com doação de 15% do próprio salário e verba emergencial, premiê quer acabar com a população de rua na Inglaterra até o Natal

Andy Burnham: "Ninguém deveria dormir na frente de uma porta ou do lado de fora de uma estação" (Henry Nicholls/AFP)

Andy Burnham: "Ninguém deveria dormir na frente de uma porta ou do lado de fora de uma estação" (Henry Nicholls/AFP)

Naty Falla
Naty Falla

Repórter

Publicado em 19 de agosto de 2026 às 20h33.

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O primeiro-ministro britânico Andy Burnham anunciou nesta quarta-feira, 19, um plano para zerar a situação de rua na Inglaterra até o Natal. E para cumprir essa meta ambiciosa, ele decidiu doar 15% do próprio salário (cerca de 180 mil libras por ano, ou R$ 1,26 milhão).

"Ninguém deveria dormir na frente de uma porta ou do lado de fora de uma estação", disse Burnham em comunicado.

Em entrevista à revista britânica Big Issue, vendida por pessoas em situação de rua ou vulnerabilidade, ele disse que busca inspirar com o gesto. "Não queria pedir a ninguém que faça algo que eu não esteja disposto a fazer. Quero dar o exemplo."

Não é a primeira vez que Burnham faz essa promessa. Como prefeito da Grande Manchester, ele já havia se comprometido com objetivo parecido, com resultados considerados desiguais. Agora, à frente do governo desde 20 de julho, tenta em escala nacional.

Onde entra o dinheiro

O pacote prevê uma verba emergencial de 102 milhões de libras (cerca de R$ 713,5 milhões), que se soma a outros 340 milhões de libras (R$ 2,37 bilhões) já anunciados anteriormente. A gestão dos recursos será local. Burnham também confirmou uma cúpula inédita sobre o tema ainda este ano, mas sem detalhar datas.

A ideia é reproduzir o modelo do programa "Everyone In", lançado em março de 2020 no início da pandemia, que conseguiu alojar milhares de pessoas em hotéis e centros de emergência às pressas. Agora, o plano é criar novos alojamentos e serviços de apoio ao longo do inverno britânico.

Nem todo mundo está convencido

A ONG Shelter chamou o anúncio de "ponto de inflexão", mas cobrou o governo a encarar o problema mais amplo da habitação — hoje, segundo a entidade, 178 mil crianças vivem em moradias temporárias no país.

Já a oposição foi mais dura. Os conservadores criticaram a falta de "plano de execução" e de "detalhes sobre o financiamento". O Reform UK, partido anti-imigração, classificou o compromisso do governo como "pouco concreto".

Os números ajudam a entender a pressão sobre Burnham. Em 2025, a Inglaterra registrou recorde de 4.793 pessoas dormindo nas ruas, segundo dados do próprio governo.

O instituto de pesquisa IPPR projeta um salto de 25% nesse número até 2030. Em 2025, 382 mil pessoas não tinham moradia permanente no país.

(Com AFP)

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