Rússia: novo ataque a Kiev deixou 14 mortos às vésperas da cúpula da Otan. (Tetiana DZHAFAROVA / AFP)
Repórter
Publicado em 6 de julho de 2026 às 07h18.
A Rússia lançou nesta segunda-feira, 6, uma nova ofensiva com mísseis e drones contra áreas residenciais de Kiev, deixando ao menos 14 mortos e mais de 60 feridos, segundo o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky.
O ataque ocorreu um dia antes da abertura da cúpula da Otan, em Ancara, na Turquia, onde o conflito deve dominar as discussões entre os aliados.
Segundo Zelensky, as forças russas dispararam 68 mísseis e 351 drones durante a madrugada. A ofensiva aconteceu poucos dias após outro bombardeio contra Kiev deixar mais de 30 mortos, intensificando a pressão sobre os aliados ocidentais para ampliar o apoio militar à Ucrânia.
O ataque abriu uma grande cratera em um edifício residencial de vários andares na capital ucraniana, destruindo os pavimentos superiores. Durante a madrugada, jornalistas da AFP relataram mais de dez explosões enquanto a cidade estava sob alerta para mísseis balísticos.
O presidente ucraniano voltou a pedir o envio de sistemas de defesa aérea, especialmente mísseis interceptadores para as baterias Patriot, de fabricação americana.
"É de importância crucial que o mundo — e, sobretudo, os Estados Unidos e nossos parceiros europeus — saia da cúpula da Otan em Ancara com decisões firmes em apoio à nossa defesa aérea e, portanto, à proteção da vida", afirmou Zelensky nas redes sociais.
As autoridades de Vyshneve, subúrbio de Kiev, determinaram a retirada dos moradores devido ao risco provocado por munições não detonadas entre os escombros.
Moradores do distrito de Podilski, no norte de Kiev, relataram momentos de desespero durante a ofensiva.
"Às 1h30, aconteceu um impacto muito forte. Uma onda expansiva, todas as janelas voaram. E depois atacaram mais três vezes", contou Oleksandr Bakhlukov, de 68 anos. "Pedaços de vidro caíram por todos os lados. Não sobrou uma janela de vidro no apartamento."
O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que realizou um "ataque em larga escala" contra empresas do complexo militar-industrial ucraniano e instalações de energia em diversas regiões do país.
Autoridades ucranianas informaram que quase 30 edifícios residenciais foram atingidos em Kiev e que equipes de resgate continuavam trabalhando horas após o bombardeio.
Zelensky disse que a defesa aérea conseguiu interceptar drones e mísseis de cruzeiro, mas voltou a alertar para a escassez de mísseis capazes de neutralizar projéteis balísticos.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o novo ataque reforça a necessidade urgente de ampliar o apoio à defesa aérea da Ucrânia, tema que será discutido durante a reunião da Otan.
O Exército russo informou, por sua vez, que derrubou mais de 500 drones ucranianos durante a noite.
Na Crimeia, península anexada pela Rússia em 2014, o governador nomeado por Moscou, Mikhail Razvozhayev, informou que um ataque contra uma instalação de energia nas proximidades de Sebastopol provocou um apagão na região.
Também nesta terça-feira, Trump deverá se reunir com Zelensky durante a cúpula da Otan. Segundo um integrante do governo americano, os dois discutirão formas de encerrar a guerra iniciada pela invasão russa em fevereiro de 2022.
O presidente americano também tem prevista uma conversa com o presidente russo, Vladimir Putin, na tentativa de retomar as negociações por um acordo de paz.
Desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022, a Rússia realiza ataques frequentes com mísseis e drones contra cidades ucranianas. O conflito é considerado o mais letal registrado na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
*Com AFP