Andy Burnham: o novo líder do Partido Trabalhista por Makerfield, Andy Burnham, discursa para apoiadores e membros da imprensa na manhã seguinte à sua vitória na eleição suplementar, no Ashton Town FC, em Ashton Makerfield, noroeste da Inglaterra, em 19 de junho de 2026. O veterano político trabalhista britânico Andy Burnham venceu de forma enfática uma eleição suplementar crucial na sexta-feira, garantindo uma cadeira no parlamento e abrindo caminho para uma esperada disputa pela liderança contra o pressionado primeiro-ministro Keir Starmer. (Foto de Darren Staples / AFP) (Darren Staples /AFP)
Publicado em 17 de julho de 2026 às 08h36.
Última atualização em 17 de julho de 2026 às 08h41.
Após a renúncia de Keir Starmer ao cargo de primeiro-ministro em junho, Andy Burnham foi nomeado novo líder do Partido Trabalhista do Reino Unido nesta sexta-feira, 17. O ex-prefeito de Manchester irá assumir a posição de premiê na próxima segunda-feira, 20, anunciou o partido em uma conferência extraordinária.
"Sem nenhum outro candidato elegível nomeado, é, portanto, uma honra declarar que o líder devidamente eleito do Partido Trabalhista é Andy Burnham", anunciou a ministra do Interior, Shabana Mahmood, presidente do comitê executivo do partido.
Sua rápida ascensão representa uma reviravolta política para Burnham, que retornou ao Parlamento há poucas semanas ao vencer a eleição suplementar de Makerfield.
Sua candidatura ganhou força após as derrotas do Partido Trabalhista, sob o ex-premiê Keir Starmer, nas eleições locais de maio, o que intensificou a pressão sobre Starmer.
O então líder anunciou sua renúncia no dia 22 de junho, o mesmo dia em que Burnham assumiu seu assento na Câmara, afirmando ter concluído que não era a pessoa mais indicada para conduzir o partido até a próxima eleição geral.
Em comunicado, Burnham afirmou estar "profundamente grato" pelo apoio recebido e disse que as indicações refletem uma crença compartilhada de que o Reino Unido precisa de uma nova abordagem política. Segundo ele, sua proposta passa por descentralizar o poder de Westminster, fortalecer as economias locais e promover crescimento econômico em todas as regiões do país.
Apesar do amplo apoio parlamentar, integrantes do partido têm pedido que Burnham detalhe melhor suas propostas antes de assumir o cargo.
Em discurso na semana passada, ele defendeu a criação de uma unidade do gabinete do primeiro-ministro, conhecida como Number 10 Downing Street, em Manchester, para ampliar a autonomia dos governos locais, especialmente nas áreas de habitação e transporte.
Também prometeu ampliar o controle público sobre os setores de água e energia, embora ainda não tenha explicado como pretende implementá-lo.
Na política externa e de defesa, Burnham sinalizou continuidade em alguns pontos da gestão anterior. Ele confirmou que pretende manter o conselheiro de segurança nacional, Jonathan Powell, e defendeu um aumento sustentado dos investimentos militares, ao mesmo tempo em que prometeu maior transparência sobre custos e atrasos nos programas de defesa.
O político também indicou mudanças na postura do partido em relação ao conflito em Gaza. Em um vídeo publicado nas redes sociais, reconheceu que o Partido Trabalhista "não respondeu da forma correta" às primeiras ações militares de Israel e afirmou que sua liderança buscará uma abordagem diferente para o tema.
Keir Starmer renunciou sua posição em Downing Street no dia 22 de junho após pouco mais de um ano no cargo. Com Burnham assumindo, o país terá seu sétimo primeiro-ministro em apenas dez anos.
É um intervalo de instabilidade política que não tem precedente na história moderna britânica. Entre os líderes que ocuparam o cargo de premiê nos últimos 50 anos, dois ficaram nele por pelo menos dez anos: a conservadora Margaret Thatcher e o trabalhista Tony Blair.
No entanto, os longos governos no Reino Unido deixaram de existir desde 2016, devido ao referendo que decidiu pela saída do Reino Unido da União Europeia, o Brexit. Desde então, nenhum premiê conseguiu completar um ciclo político estável.
David Cameron, que governava o país desde 2010, desistiu do cargo após a vitória do Brexit. Theresa May assumiu em sequência, mas não conseguiu consolidar um acordo para a saída do bloco e também abdicou de sua posição de poder. Boris Johnson, que teve o governo mais longevo da última década, resignou após uma série de crises políticas durante a pandemia de COVID-19.
Em 2022, Liz Truss se tornou a primeira-ministra menos longeva da história, com apenas 49 dias no poder. Na época, a instabillidade do governo britânico levou à página Daily Star do Twitter a criar uma "competição" entre a permanência da chefe do Executivo e uma cabeça de alface americana, para cronometrar qual dos dois duraria mais. O alface venceu.
The Daily Star lettuce has come out victorious in the battle of the year - to see whether it could outlast Prime Minister Liz Truss in #LizVsLettuce
[THREAD] pic.twitter.com/sP7QDgqcfr
— Daily Star (@dailystar) October 20, 2022
Rishi Sunak enfrentou perda de apoio eleitoral com menos de um ano de governo, sendo, no entanto, o único líder da última década a ser derrotado por meio do voto e não por desistência.
A alta rotatividade ocorreu mesmo com líderes chegando ao cargo após vitórias expressivas nas urnas. Cameron, Johnson e Starmer, por exemplo, deixaram o comando do governo poucos anos depois de conquistarem maiorias parlamentares consideradas inesperadas.
A instabilidade atual é resultado de uma combinação de fatores, de acordo com a mídia britânica: os efeitos políticos do Brexit, uma economia marcada por baixo crescimento, erros estratégicos dos próprios líderes, maior resistência dentro dos partidos e uma transformação na forma como a política é disputada.