Repórter
Publicado em 7 de janeiro de 2026 às 18h33.
Um dos agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, o ICE, matou uma mulher a tiros durante uma ação em Minneapolis nesta quarta-feira, 3, provocando protestos contra a presença de forças federais na cidade e intensificando o debate político sobre as políticas migratórias do governo de Donald Trump. As informações sobre o caso foram divulgadas pela Bloomberg.
Segundo autoridades federais, a operação fazia parte de uma ação direcionada de imigração, parte da chamada Operation Metro Surge, que mobiliza até 2 mil agentes na região de Minneapolis-St. Paul. O governo informou que mais de mil prisões já ocorreram desde o início da iniciativa, em dezembro.
A mulher, cuja identidade não foi revelada, estava em um carro parado numa rua residencial, bloqueando a via durante a presença dos agentes. Ela não era alvo da operação, de acordo com o chefe de polícia local, Brian O'Hara.
Segundo O’Hara, "em qualquer agência policial profissional do país, acredito que diriam que é obviamente muito preocupante quando há um disparo contra um veículo de alguém que não está armado", embora tenha ponderado que "em alguns casos, tal ação é justificada".
A porta-voz do Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês), Tricia McLaughlin, afirmou que o agente disparou em "legítima defesa". Um vídeo divulgado na rede social X mostra um Honda Pilot obstruindo a rua. Nas imagens, dois agentes se aproximam do veículo; quando um tenta abrir a porta, o SUV dá marcha a ré. Um terceiro agente surge à frente do carro e atira quando o veículo avança e começa a virar. O carro continua por alguns metros até colidir.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou o vídeo em uma publicação, classificando-o como “uma coisa horrível de se assistir”. No entanto, afirmou que a motorista “atropelou violentamente, intencionalmente e cruelmente o agente do ICE, que aparentemente atirou nela em legítima defesa”.
McLaughlin reforçou essa versão ao descrever o caso como um ato de “terrorismo doméstico”, dizendo que "um agente do ICE, temendo por sua vida, pela vida de seus colegas policiais e pela segurança pública, disparou tiros em legítima defesa”.
O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, contestou as declarações do DHS, dizendo que a justificativa é uma “narrativa absurda”. Em pronunciamento, ele afirmou: “Isso não é verdade, não tem fundamento”. Frey exigiu a retirada imediata dos agentes federais da cidade, afirmando que a operação “está causando caos”.
O governador de Minnesota, Tim Walz, pediu calma à população e afirmou que as autoridades estaduais estão reunindo informações. “Compartilharemos informações à medida que soubermos mais”, disse.