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Essa pastelaria quase impediu a expansão do Bourbon, do Zaffari, em SP

O grupo gaúcho está há mais de dez anos tentando negociar o terreno da Pastelaria Brasileira, que virou reduto de torcedores do Palmeiras

Pastelaria Brasileira: de mudança, após acordo com donos do Shopping Bourbon Pompeia (Letícia Furlan/Exame)

Pastelaria Brasileira: de mudança, após acordo com donos do Shopping Bourbon Pompeia (Letícia Furlan/Exame)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 4 de janeiro de 2026 às 08h02.

Na rua que recebe de shows internacionais a grandes clássicos do futebol, um estabelecimento resiste ao tempo e à especulação imobiliária. A receita? Pastéis, centos de salgadinhos e caldo de cana.

Era quinta-feira, final de tarde, dia de jogo de Palmeiras. A Pastelaria Brasileira fervia de palmeirenses de todos os tipos. O local fica ao lado não só do shopping Bourbon, como também do Allianz Parque.

“Essa pastelaria aí deve lucrar, viu. Tá sempre cheia de gente em dia de show e jogo. Fora que vira e mexe venho buscar gente comprando caixas e caixas de salgado”, diz o Uber espontaneamente, enquanto procurava um lugar para desembarcar o time da EXAME no meio do tumulto em dia jogo pela Libertadores.

A partida mesmo só começaria às 21h30, mas o esquenta já estava a mil às 17h30.

Para se ter uma dimensão, de segunda a quarta, a pastelaria vende cerca de 2 mil salgados por dia. De sexta e fim de semana, o número vai a 3,5 mil. Em dias de jogo, o número aumenta ainda mais, em 50%.

No meio do caminho tinha uma pastelaria

Desde 1975, a Pastelaria Brasileira, localizada na Rua Palestra Itália, na Pompeia, é um ponto de encontro na região. Ela foi fundada por uma família de portugueses e comprada em 1996 pelos atuais donos do negócio. E, ao contrário de outros estabelecimentos, engolidos pelo avanço de empreendimentos maiores na região, resistiu. Deu uma canseira, inclusive, para o Grupo Zaffari, um vizinho do outro lado da rua.

O grupo gaúcho via no terreno ocupado pela pastelaria o local perfeito para a expansão de suas atividades com o Shopping Bourbon Pompeia. À reportagem, Claudio Luiz Zaffari, o diretor da companhia, já adiantou que as obras de expansão podem começar ainda no final deste ano.

A história da pastelaria é também a história de um pedaço de São Paulo que passou por transformações marcantes. A própria rua, que antes se chamava Turiassu, teve seu nome alterado para Palestra Itália em 2015, refletindo o vínculo histórico com o estádio do Palmeiras.

Outra transformação significativa para a região ocorreu a partir do final da década de 1990, quando o Grupo Zaffari comprou a massa falida do antigo Shopping Matarazzo e demoliu o empreendimento para construir o shopping Bourbon, inaugurado em 2008.

Desde então, o grupo passou a ter planos ambiciosos de expandir o centro comercial para o outro lado da rua, aproveitando o crescente valor da área — que conta também com um Sesc e a futura Linha Laranja do Metrô.

O Zaffari foi adquirindo terrenos um por um, numa tentativa de adquirir todo o lote necessário para essa expansão. Mas, desde 2013, a pastelaria se manteve como um obstáculo importante. Eles tentaram comprar o imóvel diversas vezes, mas a negociação não avançava.

Hoje, a pastelaria é praticamente o único estabelecimento ativo no meio de um lote já completamente tomado. Os andares de cima do prédio onde fica a Pastelaria Brasileira, inclusive, também já estão todos comprados pelo Zaffari.

Faltava, literalmente, apenas a lanchonete, que detém a matrícula do térreo do prediozinho de dois andares.

Negócio fechado, mas com algumas condições

A conclusão dessa negociação veio após dez anos, via permuta. A pastelaria cedeu, com a condição de permanecer no mesmo quarteirão. Vai ficar a 50 metros de distância do atual endereço, na altura do número 467.

“Oferecemos um terreno na ponta do lote e uma reforma. A nova loja vai ficar maior e vai ganhar vagas para carros. Mas em compensação, liberou o terreno para o nosso novo prédio, que deve ser ligado por uma passarela ao shopping. A gente tem que ter uma visão mais de cima para poder entender o negócio, e isso pode demorar”, explica Claudio Luiz Zaffari.

“Agora, vamos ficar bem em frente à saída do Bourbon. A negociação foi tranquila e topamos na hora. Para nós, ter um espaço maior é fundamental”, afirma Zezito Brito Bonfim, sócio da pastelaria.

Falar com Zezito não é tarefa fácil: ele está sempre correndo para atender a clientela, que não para de chegar. Além dos clientes que vão em loco se deliciar com os salgados e pastéis, há também a fila de motos que se forma na fachada do estabelecimento para as entregas em domicílio.

Não há data para a mudança, mas o sócio espera que ela ocorra logo. Afinal, como a EXAME pôde constatar no local, a estrutura atual da Pastelaria Brasileira é pequena para caber tantos palmeirenses.

Essa matéria foi publicada originalmente em 31 de outubro de 2025 aqui.

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