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Spotify começa a remunerar podcasters brasileiros por engajamento em vídeos

Expansão do Spotify Partner Program ocorre após crescimento de 60% na audiência mensal de podcasts em vídeo no país

Podcast: audiência mensal de podcasts em vídeo no país cresceu 60% no último ano no Spotify (Montagem EXAME/Canva)

Podcast: audiência mensal de podcasts em vídeo no país cresceu 60% no último ano no Spotify (Montagem EXAME/Canva)

Soraia Alves
Soraia Alves

Repórter de Marketing

Publicado em 18 de setembro de 2026 às 17h41.

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O Spotify vai começar a remunerar podcasters brasileiros por uma nova frente: o engajamento de assinantes Premium com episódios em vídeo. A partir de 19 de outubro, o Spotify Partner Program (SPP) chega ao Brasil como parte da maior expansão do programa desde a sua criação há dois anos. Serão mais de 35 novos mercados, entre eles México, Colômbia, Espanha e Itália.

A iniciativa combina três fontes de receita: pagamentos associados ao consumo de vídeo por assinantes Premium, publicidade e patrocínios negociados diretamente pelos criadores.

Na prática, o programa cria uma camada adicional de monetização para podcasts. No Spotify Free, os criadores continuam recebendo a receita de anúncios dinâmicos distribuídos pela plataforma. Já no Premium, a remuneração passa a considerar o engajamento da audiência com episódios em vídeo. Além disso, o criador mantém 100% da receita de patrocínios que negocia diretamente com marcas.

Por que o Brasil entra agora?

Criado oficialmente em janeiro de 2025 nos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Austrália, o SPP começou como uma aposta em um cenário no qual o podcast deixava de ser exclusivamente um produto de áudio. O programa foi anunciado em novembro de 2024 e nasceu justamente ligado à expansão do vídeo no Spotify.

Ao longo de 2025, a companhia levou o programa para outros mercados europeus e, em janeiro de 2026, reduziu os requisitos para participação. O número mínimo de episódios caiu de doze para três; a audiência passou de 2 mil para mil usuários engajados nos últimos 30 dias; e o consumo mínimo exigido caiu de 10 mil para 2 mil horas no período.

Segundo Camila Justo, head de Podcasts do Spotify Brasil, o intervalo de quase dois anos não significa que a companhia tenha deixado o país de lado. A empresa quis primeiro testar o modelo, entender seus aspectos técnicos e preparar os criadores para a monetização.

“Quando ampliamos para tantos mercados, se o programa não está 100% ajeitado, pode gerar uma demanda técnica que nem sempre é possível cumprir. E não queremos gerar nenhuma frustração nos criadores”, afirma a executiva, em entrevista à EXAME.

Além disso, o programa chega em um momento importante do mercado nacional. Segundo Justo, a audiência mensal de podcasts em vídeo no país cresceu 60% no último ano, enquanto o formato já responde por um terço das horas consumidas de podcasts na plataforma.

“A expansão chega em um momento que o Brasil tem números bem impressionantes de adoção de podcasts em vídeo. Somos um dos mercados líderes e prioritários para o Spotify nesse segmento.”

Como participar do programa

Para entrar no Spotify Partner Program, o criador precisa estar hospedado no Spotify for Creators ou no Megaphone, ter endereço legal no Brasil, pelo menos três episódios publicados e, nos 30 dias anteriores, acumular pelo menos 2 mil horas de consumo e 1 mil usuários de audiência no Spotify.

A inscrição não é automática. Depois de cumprir os requisitos, o criador apto a aderir ao programa precisa fornecer as informações de pagamento, análise de segurança e conformidade do conteúdo. Quando aprovado no programa, os pagamentos passam a ser realizados a cada 30 dias, segundo o Spotify.

Nos mercados onde o SPP já funciona, a empresa afirma que 85% dos criadores elegíveis aderiram ao programa.

“O nosso trabalho sempre vai ser oferecer mais fontes de renda aos criadores. E essas fontes estão sempre conectadas com o momento do consumo de podcast, com as tendências e com formatos de criação”, afirma a executiva.

Como fica para o ouvinte

Para quem paga pelo Spotify Premium, a mudança também altera a experiência de consumo. Os anúncios dinâmicos inseridos pela plataforma deixam de interromper os videocasts participantes do programa.

As publicidades gravadas ou lidas pelo próprio apresentador, porém, continuam no episódio, uma distinção importante entre a publicidade vendida pelo Spotify e os acordos comerciais feitos diretamente pelo podcast.

O Spotify afirma que mais de 500 milhões de usuários já assistiram a podcasts em vídeo na plataforma, número que cresceu quase 50% em um ano.

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