Filosofia, neurociência e macroeconomia: 3 lentes para decisões de negócios mais complexas (Magnific/Reprodução)
Jornalista
Publicado em 18 de setembro de 2026 às 16h59.
Tomar decisões estratégicas faz parte da rotina de CEOs e conselheiros, mas nem sempre o problema está na falta de dados. Em cenários de incerteza, interpretar informações, reconhecer vieses e questionar premissas também pode ser determinante.
É nesse ponto que áreas como filosofia, neurociência e macroeconomia podem ampliar o repertório usado na tomada de decisão.
A filosofia não oferece respostas prontas para problemas corporativos. Seu papel está, entre outros pontos, em ajudar a examinar as premissas que sustentam uma escolha.
Um CEO que avalia uma aquisição, por exemplo, pode perguntar não apenas qual será o retorno financeiro, mas quais critérios estão sendo usados para definir o que é valor, risco ou sucesso.
Um artigo publicado pela Harvard Business Review em 2026 aponta que líderes enfrentam cada vez mais decisões que não são apenas técnicas ou financeiras, mas também envolvem questões filosóficas, como o propósito da empresa e os critérios usados para considerar determinado conhecimento confiável.
A filosofia, nesse contexto, funciona como uma ferramenta de questionamento. Antes de escolher entre alternativas, o executivo pode analisar se o problema foi corretamente formulado e quais pressupostos estão orientando a análise.
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A ideia de que decisões são resultado apenas de uma análise racional também é questionada pela neuroeconomia, campo que combina conhecimentos de economia, psicologia e neurociência para estudar como as pessoas escolhem.
Uma revisão publicada pela American Economic Association explica que diferentes sistemas do cérebro interagem durante o processo decisório. Emoções e cognição participam dessas escolhas, enquanto funções executivas podem interferir em respostas mais automáticas.
Na prática, isso ajuda a compreender por que vieses e ruídos podem aparecer em decisões empresariais. Um executivo pode, por exemplo, dar peso excessivo a uma experiência recente, interpretar informações de acordo com expectativas anteriores ou manter uma decisão mesmo diante de novos dados.
Outro estudo, publicado na Annual Review of Financial Economics, mostra que decisões financeiras envolvem reavaliação constante de informações, incerteza e aspectos emocionais.
Uma empresa não toma decisões isoladamente. Juros, inflação, câmbio, crescimento econômico, política fiscal e condições internacionais podem alterar o ambiente em que investimentos e contratações são realizados.
Pesquisas do National Bureau of Economic Research (NBER) mostram uma relação entre incerteza macroeconômica e decisões empresariais. Em um estudo com empresas da Nova Zelândia, pesquisadores observaram que o aumento da incerteza levou companhias a reduzir preços, emprego e investimentos, além de diminuir a disposição para investir em novas tecnologias e instalações.
Outro levantamento, baseado em aproximadamente 25 mil unidades industriais nos Estados Unidos, encontrou associação negativa entre incerteza percebida pelos gestores e investimento.
Para um CEO, acompanhar a macroeconomia, portanto, não significa apenas observar indicadores. Significa entender como mudanças no ambiente externo podem alterar o comportamento da empresa.
Uma decisão de negócio pode ser analisada por diferentes perspectivas:
A combinação dessas lentes não substitui dados financeiros, indicadores operacionais ou conhecimento técnico. Ela amplia o contexto usado para interpretá-los.
Em formações executivas, essa abordagem multidisciplinar aparece como uma forma de conectar estratégia, comportamento e contexto. No SEER, da Saint Paul, esses conteúdos são organizados em módulos que também abordam governança, liderança, comportamento e inteligência artificial.
A tomada de decisão, especialmente em posições de alta responsabilidade, envolve lidar com informações incompletas, diferentes interesses e cenários que podem mudar. Ampliar as lentes usadas para interpretar esses elementos é uma das formas de estruturar esse processo.