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Por que a Disney entendeu a creator economy antes de quase todo mundo

Ao abrir seus personagens para a IA, a Disney transforma criação em estratégia de distribuição

A parceria com a OpenAI marca o movimento da Disney de levar seus personagens para o centro da criação com inteligência artificial (Divulgação)

A parceria com a OpenAI marca o movimento da Disney de levar seus personagens para o centro da criação com inteligência artificial (Divulgação)

Publicado em 3 de janeiro de 2026 às 08h00.

Quando a Disney permitiu a integração de seus personagens a ferramentas de inteligência artificial generativa, como a Sora, houve a percepção, no primeiro momento, de que ela só estava tentando embarcar no hype de IA. Porém, o que muitas pessoas não sabem é que o objetivo não seria sobre tecnologia, mas sobre distribuição.

A Disney foi sagaz em perceber que estamos na economia da atenção e agiu para se destacar em um mercado saturado. Rolagem infinita de feeds e o declínio do clique orgânico tornaram as estratégias tradicionais obsoletas. E é aí que entra a creator economy. Para se sobressair, a Disney entendeu que seu papel não era apenas o de quem contrata um criador de conteúdo para campanhas, mas o de quem fornece a infraestrutura criativa para ele. Ela deixou de ser apenas o conteúdo para se tornar uma ferramenta.

Nesse caso, o criador de conteúdo é o novo canal de distribuição. Ao transformar personagens icônicos em ativos acessíveis por meio de IA, a Disney deixa de entregar um filme pronto e passa a entregar a matéria-prima para que milhões de criadores gerem narrativas próprias.

É a transição do storytelling (contar uma história) para o storyliving (permitir que outros vivam e expandam essa história).

Ao estabelecer regras claras para esse uso, a Disney para de disputar segundos de atenção e passa a pulverizar seus ativos de forma orgânica. O personagem deixa de aparecer apenas no final da jornada de consumo para se posicionar no início do processo criativo.

A Disney não abandonou o controle, ela o redesenhou. Em vez de reagir ao uso indevido dos personagens, ela estruturou os limites de antemão. Definiu o que é permitido e sob quais condições, transformando o que seria um risco jurídico em escala de marca. O que muitas empresas entendem como perda de dinheiro pelo licenciamento, a Disney vê como uma oportunidade para criadores compartilharem e distribuírem sua marca, gerando assim um valor alto em retorno financeiro.


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