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Fórmula 1 deve ultrapassar US$ 3 bilhões em patrocínios em 2026

Temporada começa neste domingo com novos patrocinadores, avanço da tecnologia e audiência mais jovem impulsionada por redes sociais e pela série Drive to Survive

Temporada 2026 da Fórmula 1 começa neste domingo, na Austrália, com previsão de mais de US$ 3 bilhões em patrocínios e expansão da audiência entre jovens e mulheres (Nelson ALMEIDA/AFP)

Temporada 2026 da Fórmula 1 começa neste domingo, na Austrália, com previsão de mais de US$ 3 bilhões em patrocínios e expansão da audiência entre jovens e mulheres (Nelson ALMEIDA/AFP)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 7 de março de 2026 às 15h18.

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A temporada 2026 da Fórmula 1 começa neste domingo, 8, com o Grande Prêmio da Austrália, em um momento de expansão comercial da categoria. Segundo levantamento da Ampere Analysis, o campeonato deve ultrapassar US$ 3 bilhões em patrocínios ao longo do ano, impulsionado pela entrada de novas montadoras e pela presença crescente de empresas de tecnologia.

Entre os fatores que contribuem para esse crescimento estão as novas parcerias com companhias ligadas à inteligência artificial. Empresas como Groq, Meta AI e Claude devem movimentar juntas mais de US$ 565 milhões em acordos comerciais ligados à categoria.

Outro segmento que ampliou sua participação foi o de vestuário esportivo. De acordo com os dados, o setor cresceu 75% nos últimos dois anos, com a chegada de marcas como Puma e Adidas para a temporada de 2026, o que representa mais de US$ 140 milhões em contratos.

O crescimento ocorre após um ciclo recente de expansão financeira da categoria. Em 2025, a Liberty Media, proprietária da Fórmula 1, registrou receita de US$ 3,9 bilhões, alta de 14% em relação ao ano anterior e quase sete vezes superior ao faturamento de 2017, primeiro ano de gestão da empresa à frente da modalidade.

Além da expansão comercial, a categoria tem observado mudanças no perfil de sua audiência. A expectativa para 2026 é de continuidade da diversificação do público, movimento que se intensificou nos últimos quatro anos após o período da pandemia de covid-19.

Dados divulgados pela Liberty Media indicam que a idade média do público caiu de 44 anos para 35 anos desde 2019. Entre os fãs que acompanham as corridas presencialmente, houve crescimento de 21% na presença de pessoas de até 25 anos entre 2021 e 2022.

Nas transmissões esportivas, a audiência cresceu 44% entre torcedores de até 35 anos nos últimos cinco anos. O público feminino também aumentou participação: de 20% em 2021 para 37% atualmente.

Para especialistas, parte dessa transformação está ligada à presença da modalidade nas redes sociais e ao impacto da série Drive to Survive, produzida pela Netflix, que chegou à sexta temporada em fevereiro.

“A crescente digitalização dos meios de comunicação fez com que diferentes tipos de públicos passassem a ver a modalidade de outra maneira, influenciados, e muito, pelos perfis que surgiram em redes sociais, especialmente o Tik Tok e a série Drive to Survive", diz Joaquim Lo Prete, country manager da Absolut Sport no Brasil.

Segundo ele, essa era o impulso que faltava para a modalidade despertar entre o público feminino e também os mais jovens. "E isso é constatado por meio de pesquisas. A F1 se modernizou, e ficou claro que os conteúdos, da forma como eles são mostrados, especialmente com bastidores e novas experiências com público, são fundamentais para essa escalada de audiências e novas receitas.”

O crescimento da audiência também se reflete na presença digital da categoria. A Fórmula 1 ultrapassou 900 milhões de fãs em suas plataformas sociais. Um dos destaques é a expansão na China, onde a modalidade ganhou mais de 3 milhões de seguidores, crescimento de 39%.

No TikTok, a Fórmula 1 registrou aumento de 13%, superando 12,8 milhões de seguidores e alcançando patamar próximo ao de ligas esportivas como Premier League, UFC e NFL.

Segundo Thiago Freitas, COO da Roc Nation Sports no Brasil, a expansão da audiência está ligada à forma como o conteúdo esportivo passou a circular em diferentes plataformas.

“As lutas, partidas e provas de diferentes modalidades, cada vez mais se relacionam e dependem de seus derivados e relacionados. Com a Fórmula 1 não é diferente. Cidades que potencializam seus eventos são fundamentais para trazer pela primeira vez um novo público, assim como as séries documentais, que ‘oxigenam’ seu público, e fazem com que pessoas que tiveram contato com a modalidade a distância, mas vendo seus bastidores, passem a ter interesse pelo evento outrora principal, que são as provas, hoje, cada vez, geradoras de conteúdo que pode ser consumidor independentemente delas”, diz.

Entre os mais jovens, a presença da modalidade também cresce. Segundo a Liberty Media, 4 milhões de fãs que acompanham a Fórmula 1 têm entre 8 e 12 anos na Europa e nos Estados Unidos. Já no Instagram, cerca de 40% dos seguidores da categoria têm menos de 25 anos.

Para Renê Salviano, CEO da Heatmap e especialista em marketing esportivo, o avanço da categoria está ligado à transformação da Fórmula 1 em um produto de entretenimento.

“O grande sucesso que está passando a Fórmula 1 é o resultado da transformação de um negócio de esportes em entretenimento e de sua estratégia de marketing que se orientou para o digital e para mídias sociais. Há alguns anos atrás era fácil perceber problemas tanto na imagem do produto como no seu alcance. Hoje vejo um relacionamento direto com os fãs e as ações digitais altamente estruturadas que trazem todo o público para perto com alta dose de entretenimento”, afirma.

Nesse processo, a série Drive to Survive, lançada em 2019, é apontada por especialistas como um dos principais pontos de inflexão para a modalidade.

“Está claro que, hoje, a forma como um evento esportivo é divulgado e transmitido, é tão importante quanto o próprio evento. Novos ângulos, bastidores, detalhes técnicos, falas antes ocultas, além dos conteúdos relacionados, com a vida pessoal dos envolvidos, para muitas pessoas, são mais importantes que os resultados dos jogos ou das provas. A partida ou a prova, cada vez mais, são pretextos para que seja produzido conteúdo sobre relações humanas”, afirma Thiago Freitas.

A estratégia também teve impacto direto na audiência. Estima-se que a série tenha sido assistida mais de 200 milhões de vezes.

Dados da Betway Insider apontaram que, no início de 2021, a audiência da Fórmula 1 cresceu mais de 58% apenas nos Estados Unidos, superando 1 bilhão de espectadores.

Já um levantamento da Nielsen mostrou que mais de 360 mil pessoas que não assistiram às corridas no fim da temporada anterior passaram a acompanhar as provas após verem a série Drive to Survive.

Para Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports, a exposição dos bastidores teve papel central na expansão da modalidade.

“A F1 vem trabalhando com diversas ações no sentido de aproximar o fã. A série Drive to Survive, da Netflix, por exemplo, tem proporcionado um enorme interesse dos fãs assíduos, bem como de diversos outros públicos que não tinham tanto interesse pela modalidade. Trazer os bastidores da F1 ao público foi genial, inclusive a fórmula tem sido copiada por outras modalidades, como o tênis. O reflexo disso tem se dado com faturamento recorde, autódromos lotados e público cada vez mais engajado”, afirma.

Para Ana Clara Campos, gerente de conteúdo da agência End to End, o movimento também está ligado ao comportamento das novas gerações nas redes sociais.

“Uma estratégia de conteúdo bem pensada e executada, explorando os formatos de vídeos curtos e as tendências do momento, ajuda a rejuvenescer e fidelizar a base de fãs. Esses usuários mais jovens assumem um comportamento de embaixadores da modalidade, criando verdadeiras comunidades apaixonadas por consumir e debater conteúdos sobre o nicho, além de transformarem os principais nomes das modalidades em influenciadores”, afirma.

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