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‘Não tem como competir com a Globo numa audiência de Copa do Mundo’, diz apresentadora da GE TV

Em entrevista exclusiva à EXAME, Sofia Miranda detalha a estratégia de desconstruir o "padrão Globo" para reter o público que assiste ao jogo com o celular na mão

Sofia Miranda, apresentadora da GE TV

Sofia Miranda, apresentadora da GE TV

Publicado em 22 de maio de 2026 às 15h49.

Última atualização em 23 de maio de 2026 às 13h19.

Se a TV aberta ainda funciona como um canhão imbatível de audiência no Brasil, o ecossistema digital virou uma arena de guerrilha onde os segundos são disputados palmo a palmo.

Ciente de que as novas gerações consomem futebol fragmentado em memes, cortes rápidos e múltiplas telas, o maior grupo de mídia do país decidiu quebrar os próprios protocolos. O objetivo não é mais ditar a narrativa de cima para baixo, mas “sentar na mesa do bar” com o espectador.

Essa virada de chave gerou um laboratório focado em dinamismo e linguagem nativa da internet.

Faltando poucas semanas para o início do torneio mundial, o canal digital do grupo, o GE TV, corre contra o relógio para pulverizar conteúdos no Globoplay e YouTube.

O plano é claro: usar a força institucional dos direitos de transmissão de grandes campeonatos para envelopar uma cobertura descentralizada, focada em comportamento, pluralidade e conexão humana.

Direto do MMA, um dos principais eventos de marketing e negócios de São Paulo, a EXAME conversou com Sofia Miranda, apresentadora e uma das principais apostas do canal para a cobertura da Copa do Mundo de 2026, que acontecerá no México, Canadá e nos Estados Unidos.

O fator 'página em branco': o nascimento de um ecossistema sem gravata

O projeto que hoje funciona como a principal ponte da Globo com o público jovem foi erguido em tempo recorde.

Lançado há menos de nove meses, o canal digital de esportes nasceu com o privilégio de herdar um catálogo robusto — que inclui de jogos ao vivo da Libertadores à Superliga de Vôlei — mas com o desafio hercúleo de criar uma identidade do zero em um terreno já povoado por grandes produtores de conteúdo independentes.

O interesse imediato do mercado publicitário revelou uma demanda reprimida: marcas queriam o selo de credibilidade da emissora, mas com a agilidade e a falta de filtro das redes sociais.

A resposta foi um modelo descentralizado, onde o rigor técnico contra erros de informação permanece intacto, mas a estética sisuda é substituída por espontaneidade.

Para o torneio mundial, a estratégia ganha contornos de resistência cultural, já que o canal focará em conteúdos de bastidores, conexões com torcidas estrangeiras e formatos adaptados para a rotina hiperestimulada do digital.

“Os caras praticamente deram carta branca para a gente fazer o que quiser, com uma autenticidade que talvez não fosse vista na TV aberta. Falamos com um público que assiste ao jogo com outra tela na mão", contextualiza Sofia.

A diplomacia do suor: jogando na trilateral entre o canhão, o boleiro e a internet

O posicionamento de mercado do grupo para este ciclo reflete uma divisão clara de territórios de mídia.

Enquanto a TV aberta opera como um canhão de massa — desenhado para ser compreendido por todas as gerações —, e os canais por assinatura conversam com o público "boleiro" mais tradicional, o braço digital foi desenhado para ser moldado pela audiência em tempo real.

“Não tem como competir com a Globo numa audiência de Copa do Mundo na TV aberta. Eu acho que por toda a excelência que a Globo criou em transmissões ao longo de todo esse tempo.”, ressalta.

Essa fragmentação, longe de ser um problema, é vista como o principal motor de engajamento para as marcas parceiras. A estratégia da companhia consiste em entender que a concorrência direta com outros grandes players da internet oxigena o mercado e eleva a barra do entretenimento.

O diferencial competitivo da emissora reside em cruzar a infraestrutura de uma cobertura global com profissionais que possuem forte apelo nas redes pessoais. De malas prontas para Dallas e para o jogo de abertura na Cidade do México, a apresentadora pretende transformar o choque cultural em ativo de audiência, injetando o DNA carioca e a descontração das ruas no cardápio de conteúdos do canal.

Veja a entrevista completa:

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