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EXCLUSIVO: Skol lança cerveja zero álcool e zero açúcar, com 12 calorias

Novo rótulo da Ambev estreia no Carnaval, mira o segmento core e marca o maior investimento em cinco anos

Skol Zero Zero: nova cerveja da marca chega ao mercado com zero álcool, zero açúcar e 12 calorias por lata, como parte da maior aposta recente da Skol em versões voltadas a novas ocasiões de consumo (Divulgação)

Skol Zero Zero: nova cerveja da marca chega ao mercado com zero álcool, zero açúcar e 12 calorias por lata, como parte da maior aposta recente da Skol em versões voltadas a novas ocasiões de consumo (Divulgação)

Juliana Pio
Juliana Pio

Editora-assistente de Marketing e Projetos Especiais

Publicado em 5 de fevereiro de 2026 às 20h28.

Última atualização em 5 de fevereiro de 2026 às 20h41.

Neste Carnaval, a Skol lança no mercado brasileiro a Skol Zero Zero, sua primeira cerveja com zero álcool e zero açúcar. O produto tem 12 calorias por lata de 350 ml, é puro malte e sem glúten. Segundo a empresa, trata-se da primeira cerveja do país a reunir os dois atributos, de acordo com a base GNPD da Mintel (2025).

A novidade marca a maior aposta da marca nos últimos cinco anos e se insere em uma estratégia mais ampla da Ambev para expandir o segmento de cervejas sem álcool no Brasil. Atualmente, a companhia conta com Corona Cero, Budweiser Zero e Brahma Zero no portfólio.

“A Skol precisava entrar nessa categoria de um jeito diferente”, diz Dani Waks, vice-presidente de marketing da Ambev. Com a entrada da Skol Zero Zero, a empresa busca ampliar a penetração da categoria em um mercado ainda considerado incipiente em comparação a países mais maduros.

Segundo o executivo, em alguns mercados a cerveja sem álcool representa entre 5% e 10% do volume total da indústria. “No Brasil, esse percentual ainda é bem menor”, afirma. Para ele, o avanço passa pela mudança de percepção. “A categoria precisa deixar de ser vista como uma escolha de restrição e passar a ser uma opção de ocasião.”

Do ponto de vista técnico, o desenvolvimento da Skol Zero Zero exigiu a criação de uma receita inédita e ajustes no processo produtivo. O principal desafio, segundo Waks, foi eliminar totalmente o açúcar. “A fermentação transforma açúcar em álcool. Tirar o álcool é complexo, mas chegar ao zero açúcar exige um controle muito mais rigoroso”, diz.

Para atender às exigências da legislação brasileira — considerada mais rígida do que a de outros mercados —, a empresa investiu em novas ferramentas de mensuração e monitoramento da fermentação. O produto é fabricado inicialmente na cervejaria de Lages, em Santa Catarina.

“É a unidade com maior capacidade técnica do grupo para a produção de cervejas zero no Brasil”, diz o executivo, que não revela valores nem detalhes do processo “por se tratarem de informações estratégicas e de competitividade”. A expansão para outras fábricas está prevista conforme o ganho de escala.

Embora a AB InBev tenha experiências semelhantes em outros mercados, como na Ásia, Waks afirma que a receita e a tecnologia aplicadas na Skol Zero Zero foram desenvolvidas no Brasil. “Esse nível de combinação — zero álcool, zero açúcar e sem glúten — não existe em outros rótulos do grupo”, diz. A companhia avalia a possibilidade de replicar a tecnologia em outras marcas do portfólio e, eventualmente, levá-la a outros países.

A decisão de lançar a versão zero dentro da marca Skol está diretamente ligada ao alcance da cerveja no mercado brasileiro. Segundo estimativas citadas pela companhia, cerca de 50% dos consumidores de cerveja no país consumiram Skol nos últimos três meses. “O zero ganha escala quando a marca preferida do consumidor passa a oferecer essa alternativa”, acredita Waks.

No portfólio da Ambev, segundo ele, a Skol Zero Zero ocupa o segmento core, de maior volume, enquanto parte das cervejas sem álcool, como Stella Pure Gold, Corona Cero e Budweiser Zero, está posicionada no premium. “Levar atributos como zero açúcar e baixa caloria para esse espaço abre uma nova avenida de crescimento”, afirma.

Distribuição, Carnaval e Calvin Harris

A Skol Zero Zero começa a ser distribuída por São Paulo, via Zé Delivery, lojas Oxxo e pontos de venda de rua, incluindo ambulantes durante o Carnaval. Na sequência, a marca será expandida para outras praças, com foco inicial em regiões do Norte e do Nordeste, onde a Skol já concentra alto consumo, antes de avançar para uma distribuição mais ampla no país.

O produto chega ao mercado com preço equivalente ao da Skol tradicional. A lata custa entre R$ 3,08 e R$ 3,99, e a versão long neck, prevista para este trimestre, entre R$ 4,08 e R$ 4,89.

A escolha do Carnaval como plataforma inicial está ligada ao patrocínio da marca à folia paulistana e ao comportamento de consumo típico do período. “O Carnaval é um momento em que as pessoas passam horas consumindo cerveja. A versão zero permite alternância e amplia o tempo de permanência na ocasião”, diz Waks. Segundo ele, a lógica é permitir que o consumidor permaneça mais tempo na categoria ao intercalar versões com e sem álcool, prática conhecida no mercado como “zebra”.

Como parte do lançamento, a Skol realiza ativações em eventos e espaços de grande circulação. No domingo, 8, a marca promove uma ação associada ao show de Calvin Harris, na capital paulista, além de operações com ambulantes. A estratégia inclui ainda ações em estações de metrô, com distribuição do produto em horários específicos ao longo do dia, aproveitando o fluxo intenso de pessoas durante a festa.

No ambiente digital, o Zé Delivery é usado como principal ferramenta de experimentação, com mecânicas promocionais que permitem ao consumidor provar a Skol Zero Zero por valor simbólico junto a outros pedidos. Segundo a empresa, mais de 1 milhão de pessoas devem ser impactadas por ações de trial, o maior programa de experimentação já realizado pela marca nesse canal.

Comunicação e papel da marca

No posicionamento da Zero Zero, a Skol ancora o lançamento em seu principal ativo de comunicação: o slogan “desce redondo”, criado pela F/Nazca e em circulação desde a década de 1990. Segundo o VP de marketing, testes recorrentes com consumidores indicam que o conceito mantém alto nível de reconhecimento. “É um dos slogans mais tradicionais da propaganda brasileira”, afirma.

Para o executivo, a força da expressão está na combinação entre atributo sensorial e promessa de ocasião. “Descer redondo é socialização, diversão, verão, curtição”, diz. “Ao mesmo tempo, é uma cerveja que não te empapuça, que permite beber com os amigos por mais tempo.” No lançamento, a Skol Zero Zero passa a ser descrita internamente como “duplamente redonda”, por reunir os dois “zeros”: álcool e açúcar.

A estratégia de comunicação foi desenhada em duas fases. Na primeira, o foco está na chegada do produto ao mercado e em seus atributos funcionais — zero álcool, zero açúcar e 12 calorias por lata. Em um segundo momento, a marca amplia a narrativa para situações de consumo e ocasiões, com códigos visuais (como seta e cores da marca) e linguagem alinhada ao posicionamento histórico do “desce redondo”.

Embora a Ambev não divulgue valores, Waks afirma que o lançamento representa o maior investimento de marketing da Skol dos últimos anos. Segundo ele, o percentual de recursos direcionado à variante zero é superior ao peso atual do produto em volume, como forma de acelerar a construção da categoria.

Categoria em aceleração

A estratégia da Ambev se insere em um momento de forte expansão do mercado de cervejas sem álcool no Brasil. Dados da Nielsen indicam que a categoria é a que mais cresce dentro do segmento de cervejas no país, com taxas anuais superiores às das versões tradicionais.

O avanço já se reflete de forma estrutural na produção. Segundo o Anuário da Cerveja 2025, o volume de cervejas sem álcool ou desalcoolizadas cresceu 536,9% em 2024, passando de 188,9 milhões de litros em 2023 para 757,4 milhões de litros no ano seguinte. Com isso, a categoria passou a responder por 4,9% de toda a produção nacional.

A Euromonitor estima que o consumo se aproxime de 1 bilhão de litros anuais em 2025. A consultoria projeta uma taxa média de crescimento anual de 9% entre 2024 e 2029, impulsionada pela ampliação do portfólio das marcas e pela maior adesão dos consumidores a opções associadas à moderação e à saúde.

O avanço brasileiro também se destaca no cenário internacional. Segundo a World Brewing Alliance, o país passou da sétima posição em 2018 para o segundo maior mercado global de cerveja sem álcool em 2023, atrás apenas da Alemanha.

“As cervejas sem álcool deixaram de ser um produto restrito a lojas especializadas e passaram a ocupar espaço regular nos supermercados”, diz Lucas Pinto, consultor sênior de pesquisa na Euromonitor International. “As novas receitas entregam sabor e experiência mais próximas das versões alcoólicas, permitindo que o consumidor se sinta socialmente incluído mesmo evitando o álcool.”

Nesse cenário, a concorrência se intensifica, com diferentes fabricantes ampliando portfólio e disputando espaço em segmentos distintos, do premium ao core. O Grupo Heineken, que já tinha a Heineken 0.0, líder do mercado segundo levantamento da NielsenIQ, expandiu a oferta com o rótulo Sol 0.0, enquanto o Grupo Petrópolis também avança na categoria com Itaipava Zero.

Mudança de comportamento

O avanço da categoria está diretamente ligado a mudanças de comportamento. Segundo a pesquisa Voice of the Consumer: Health and Nutrition Survey 2025, da Euromonitor, 56% dos brasileiros afirmam reduzir ou abandonar o consumo de álcool em busca de hábitos mais saudáveis, percentual próximo à média global, de 53%. Entre os mais jovens, a tendência é ainda mais acentuada: 61% da Geração Z dizem querer diminuir o consumo.

Questionado sobre a interpretação de que os jovens estariam “deixando de beber”, Waks relativiza a tese. “Jovens sempre consumiram menos do que pessoas mais velhas. O que muda hoje é a variedade de escolhas e a atenção maior ao equilíbrio”, afirma. Para ele, a resposta da indústria passa por ampliar o repertório dentro da própria categoria. “Nosso papel é ampliar as ocasiões. Com álcool, sem álcool, com menos calorias, com outro perfil sensorial. É isso que mantém a categoria relevante.”

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