Influenciadores: apenas 6% dos entrevistados afirmam escolher um influenciador pelo tamanho da audiência (Freepik)
Repórter de Marketing
Publicado em 28 de julho de 2026 às 06h00.
A influência dos criadores de conteúdo continua forte nas decisões de consumo dos brasileiros, mas a forma como ela acontece está mudando. Em vez de impulsionar compras imediatas, os influenciadores passaram a funcionar como ponto de partida de uma jornada que inclui pesquisas, comparação de preços, consultas à inteligência artificial e avaliações em diferentes canais antes da decisão final.
É o que mostra a pesquisa Consumo & Influência 2026, realizada pela YOUPIX em parceria com a Nielsen. Obtido com exclusividade pela EXAME, o levantamento mostra que 81% dos brasileiros já compraram algum produto recomendado por um influenciador, índice praticamente estável em relação ao estudo anterior (80%).
A observação mais interessante, no entanto, é a transformação da jornada de compra. Apenas 20% dos consumidores afirmam comprar imediatamente por meio do link compartilhado pelo creator. A maioria pesquisa mais sobre o produto antes de decidir (64%), enquanto 58% concluem a compra em até sete dias após terem contato com a recomendação.
Rafaela Lotto, CEO da YOUPIX, destaca que os dados reforçam para as marcas a importância de métricas que acompanhem toda essa jornada do consumidor.
“Se uma marca mede influência só pelo clique ou pela compra, ela está medindo o último metro de uma corrida de dez quilômetros. A pesquisa mostra que a influência é um gatilho para uma jornada que a marca não está medindo no dia a dia. Métricas sobre desejo, intenção de compra e percepção de atributos, por exemplo.”
O movimento acompanha uma tendência observada globalmente. Plataformas baseadas em IA generativa passaram a ser utilizadas para comparar produtos, resumir avaliações e oferecer recomendações personalizadas, alterando o comportamento tradicional de busca.
“Depois de impactado por um creator, o consumidor recorre à IA para se aprofundar antes de decidir pela compra. A IA tende a priorizar citações que soam como experiência real, incluindo comentários, fóruns e avaliações. Por isso, as marcas devem repensar sua presença nesse ecossistema, priorizando autenticidade em vez de apenas produção de conteúdo institucional”, destaca Lotto.
O estudo também aponta a consolidação do chamado social commerce. Mais da metade dos entrevistados (56%) afirma já ter realizado compras diretamente pelo TikTok Shop, enquanto 80% avaliaram positivamente a experiência.
Outra mudança observada pela pesquisa é a origem das descobertas de novos produtos. Hoje, 44% dos brasileiros dizem conhecer novidades por meio de influenciadores, percentual superior ao de indicações feitas por amigos e familiares (33%). Entre as mulheres, esse índice chega a 50%.
No entanto, apenas 6% dos entrevistados afirmam escolher um influenciador pelo tamanho da audiência. Quem mais inspira confiança são os creators especialistas e de nicho, apontados por 48% dos consumidores como aqueles que mais influenciam suas decisões de compra.
A pesquisa também investigou como o público percebe os conteúdos patrocinados. Apenas 20% dos entrevistados consideram que os influenciadores fazem publicidade em excesso. O que mais compromete a confiança são fatores ligados à execução da campanha: exagerar benefícios do produto (49%), produzir conteúdos com aparência de propaganda tradicional (44%) e omitir que a publicação é patrocinada (39%).
Ao mesmo tempo, 87% dos consumidores afirmam preferir que os criadores sejam transparentes sobre suas parcerias comerciais.
“Existe uma narrativa de que o consumidor está cansado de publicidade feita por creators. Mas a pesquisa mostra exatamente o contrário. Ele não rejeita publicidade; rejeita publicidade ruim. O que incomoda é exagero, roteiro engessado, falta de espontaneidade e falta de transparência”, reforça Lotto.