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Com nova gestão e Ancelotti, CBF projeta mais de R$ 250 milhões em patrocínios

Após perdas contratuais em 2025, entidade anuncia novos acordos e amplia receita comercial em ano de Copa do Mundo

CBF: entidade já soma cerca de R$ 180 milhões anuais em contratos e mira R$ 250 milhões com a entrada de novas marcas (Yasuyoshi Chiba/Getty Images)

CBF: entidade já soma cerca de R$ 180 milhões anuais em contratos e mira R$ 250 milhões com a entrada de novas marcas (Yasuyoshi Chiba/Getty Images)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 1 de março de 2026 às 18h01.

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O ciclo de Copa do Mundo reorganizou a estratégia comercial da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Após um 2025 marcado pela saída de patrocinadores e questionamentos institucionais, a entidade recompõe sua base de parceiros e já opera com receita anual recorrente próxima de R$ 180 milhões em contratos comerciais. A meta, segundo apuração, é alcançar R$ 250 milhões por ano com a entrada de novas marcas fixas.

A reconstrução ganhou tração com os acordos firmados com Uber, Volkswagen e iFood, que juntos ultrapassam R$ 100 milhões anuais. A recomposição foi ampliada com o fechamento recente de contrato com a Sadia, em um acordo de R$ 400 milhões por cinco anos.

Com a marca de embutidos da MBRF, a CBF eleva o patamar de previsibilidade de receita e se aproxima do objetivo traçado para o ano de Copa. Nos bastidores, a expectativa é que a chegada de novos parceiros institucionais permita à entidade atingir a marca de R$ 250 milhões anuais em patrocínios.

O novo momento sucede um período de ruptura. Em 2025, a CBF perdeu quatro grandes patrocinadores — Gol Linhas Aéreas, Mastercard, Pague Menos e TCL — que rescindiram contratos ainda em vigência após as denúncias que envolveram o então presidente Ednaldo Rodrigues.

A troca de comando e a adoção de medidas como o fair play financeiro passaram a ser apresentadas como parte do esforço de reorganização institucional.

“A CBF é uma instituição que cuida dos maiores patrimônios do povo brasileiro, no caso a seleção e as competições”, diz Rene Salviano, CEO da Heatmap. “Não tenho dúvida de que novos e potenciais patrocinadores devem chegar, pois as notícias positivas da atual gestão trazem credibilidade para esses parceiros que querem estar perto.”

Segundo ele, o crescimento da modalidade feminina também reforça o potencial comercial. “Perto de uma Copa do Mundo no país, é uma oportunidade que precisa ser analisada previamente e de forma muito estratégica por marcas de qualquer segmento.”

Para o mercado, a recomposição comercial é vista como sinal de mudança de percepção. “A CBF vive um movimento claro de reconstrução de marca”, afirma Bruno Brum, CMO da Agência End to End. “Ao atrair grandes empresas em contratos significativos, a entidade não apenas reforça o caixa, mas sinaliza ao mercado que recuperou governança, previsibilidade e valor comercial.”

Ele acrescenta que a presença do italiano Carlo Ancelotti amplia esse ativo. “Um nome global transforma patrocínio em posicionamento e confiança, dois elementos que, no esporte, são tão valiosos quanto o resultado em campo.”

A chegada do treinador também é vista como vetor comercial adicional. Ancelotti negocia renovação de contrato até 2030 e já participou de campanhas publicitárias no país, incluindo ações para Brahma e Volkswagen, o que amplia o interesse comercial indireto em torno da entidade.

A Copa do Mundo, que terá a Seleção Brasileira comandada por Carlo Ancelotti, deve ser um período de crescimento para a Ambev (Divulgação)

No mercado de hospitalidade esportiva, o cenário também é observado. “Em ano de Copa do Mundo, a entrada de novos patrocinadores na CBF fortalece não apenas a seleção, mas todo o ecossistema do futebol brasileiro”, diz Joaquim Lo Prete, country manager da Absolut Sport no Brasil.

“Um ambiente mais profissionalizado e valorizado comercialmente amplia a visibilidade internacional e estimula o turismo esportivo. Temos observado aumento na demanda de estrangeiros interessados em viver o futebol brasileiro de forma presencial, especialmente em grandes jogos e competições continentais.”

Na avaliação de Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports, o movimento tende a continuar. “A gestão atual da CBF realiza um trabalho de resgate da imagem da entidade. Os recentes patrocínios fechados demonstram que o mercado já compreendeu isso. A tendência é que novos patrocínios sejam anunciados.”

Com contratos plurianuais, entrada de marcas de diferentes segmentos e calendário concentrado na Copa do Mundo, a CBF transforma a recomposição comercial em eixo central de sua estratégia institucional. O desempenho da seleção em campo segue como variável relevante, mas a atual gestão busca consolidar uma base de receitas capaz de sustentar o ciclo até 2030.

Para Thales Rangel Mafia, gerente de marketing da Multimarcas Consórcios, a Seleção Brasileira busca resgatar sua essência como o maior ponto de união nacional, o que abre portas para parcerias que vão além da visibilidade. O desafio, contudo, é converter esse entusiasmo em uma comunidade conectada.

“O foco estratégico das marcas agora deve ser a criação de memórias e experiências que coloquem o torcedor no centro da história. Não se trata apenas de anunciar, mas de participar da rotina das pessoas, transformando cada ponto de contato em uma oportunidade de envolvimento emocional", diz o executivo.

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