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Agora, a Elo também tem o 'molho baiano' — e amplia disputa com gigantes globais

Bandeira brasileira lança segundo filme da campanha com Wagner Moura após indicação ao Oscar e reforça brasilidade como estratégia de marketing

Wagner Moura protagoniza o segundo filme da campanha institucional da Elo (Divulgação)

Wagner Moura protagoniza o segundo filme da campanha institucional da Elo (Divulgação)

Juliana Pio
Juliana Pio

Editora-assistente de Marketing e Projetos Especiais

Publicado em 24 de janeiro de 2026 às 17h23.

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As indicações brasileiras ao Oscar 2026 deram novo fôlego à estratégia de comunicação da Elo. A empresa lançou o segundo filme de sua campanha institucional com Wagner Moura, ampliando a narrativa iniciada no começo do mês.

A novidade coincide com as indicações de O Agente Secreto para melhor filme e de Moura para melhor ator. Além disso, visa reforçar o reposicionamento da marca iniciado em 2023, baseado na brasilidade como diferencial em um mercado dominado por bandeiras globais.

Na fase inicial, a Elo havia adquirido o pacote da TV Globo associado ao Globo de Ouro, premiação em que o longa venceu como Melhor Filme de Língua Não Inglesa e Moura foi reconhecido como Melhor Ator em Filme de Drama. A campanha teve veiculação no Fantástico, no Jornal Nacional e em versões estendidas no ambiente digital.

Agora, com o avanço da temporada de prêmios, a marca ajusta o discurso para aprofundar a narrativa de valorização da cultura nacional e a parceria de longo prazo com o ator. “Trata-se de um convite para que o Brasil reconheça seus talentos e grandeza, se orgulhe e torça pelo Wagner, pelo cinema nacional e por toda a cultura e alegria que o Brasil produz”, diz Mel Pedroso, CMO da Elo.

A empresa tem como acionistas e emissores Banco do Brasil, Caixa e Bradesco e, segundo Pedroso, soma hoje aproximadamente 10% de participação nos mercados de débito e crédito, competindo com grupos globais como Visa e Mastercard.

“A gente é brasileiro, eles não”, afirma a executiva. “Quando você está concorrendo com marcas globais que têm mais dinheiro, precisa escolher um caminho que seja impossível para elas.”

Ao chegar à Elo, há três anos e meio, o principal desafio da CMO foi tornar a marca mais relevante para o consumidor final. “O mercado de cartões é comoditizado. Em geral, o cliente nem pede o cartão: o banco envia. Quando olha os benefícios, eles são muito parecidos”, diz. Mais do que ampliar a participação de mercado, a estratégia teve como foco o aumento de receita e da recorrência de uso dentro da base.

Atualmente, a companhia soma mais de 40 milhões de cartões ativos e movimentou R$ 333 bilhões em volume total de pagamentos (TPV) em 2024. O ecossistema da empresa reúne mais de 330 parceiros, entre emissores, credenciadores e subcredenciadores.

Mel Pedroso: CMO da Elo lidera a estratégia que reforça a identidade brasileira da marca e conecta cultura, patrocínios e estímulos de uso do cartão (Divulgação)

Criação a quatro mãos

A campanha com Wagner Moura foi pensada desde o início como um projeto de longo prazo. O trabalho é cocriado pela Elo, pela AlmapBBDO e pelo próprio ator. O primeiro filme foi gravado em Salvador, no Trapiche Barnabé, com direção de Alice Braga, em sua estreia como diretora publicitária. A produção é da Conspiração.

Segundo Pedroso, a aproximação começou após ela assistir a uma peça estrelada por Moura, em cartaz no Brasil no fim do ano passado. “Fiquei impressionada com a disponibilidade dele. Em meio ao circuito de premiações internacionais, ele veio ao Brasil e se entregou”, afirma.

A executiva conta que o ator demonstrou cautela inicial em relação à publicidade, mas se dispôs a ouvir a proposta ao conhecer o propósito da marca. “Reforcei que somos uma marca que acredita no brasileiro, na brasilidade, e que apoia a cultura. Disse que a proposta era criar a quatro mãos.”

Nesse formato, a Elo optou por não trabalhar com roteiro fechado. “O Wagner é uma potência criativa única. O convite foi para que ele colocasse seu repertório e sensibilidade para conceber algo novo”, diz. “Fizemos um filme sem roteiro, a partir de uma guia criativa, com abordagem documental.”

Trajetória, pertencimento e torcida

O filme acompanha a trajetória de Wagner Moura desde Rodelas, no interior da Bahia, até o reconhecimento internacional. A narrativa parte da ideia de pertencimento e conecta a história individual a um discurso mais amplo sobre a capacidade brasileira de circular pelo mundo sem romper com suas raízes.

“Voltar para casa e abraçar a própria história é muito forte. A mensagem de que ‘o que é daqui vale muito’ ressoa profundamente comigo”, afirma Moura. “É uma honra usar minha trajetória para inspirar mais brasileiros a reconhecerem a potência da nossa cultura.”

Segundo a CMO da Elo, a campanha foi desenhada para se adaptar a desdobramentos do calendário de premiações. “Foram separados frames para o caso de ele conquistar prêmios”, diz. “O Wagner é muito humilde e não aceitou, de maneira alguma, que a gente considerasse como certo qualquer tipo de indicação.”

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