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Corrida quântica chega à bolsa — mas lucros ainda estão distantes

Mercado vê potencial bilionário, mas questiona tempo até a monetização

Computação: empresas quânticas buscam recursos para transformar avanços científicos em negócios. (NatalyaBurova/Getty Images)

Computação: empresas quânticas buscam recursos para transformar avanços científicos em negócios. (NatalyaBurova/Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 30 de março de 2026 às 09h55.

Empresas de tecnologia quântica estão acelerando suas aberturas de capital em 2026, mesmo em meio à instabilidade dos mercados globais, em busca de recursos para transformar ciência em negócio. O movimento chama atenção por sinalizar que um setor ainda pouco compreendido pelo público começa a ocupar espaço no mercado financeiro — e levanta uma questão central: o que isso diz sobre o futuro da tecnologia?

Companhias como a Xanadu Quantum e a Horizon Quantum já estrearam nas bolsas por meio de fusões com SPACs, estrutura criada para facilitar esse tipo de acesso ao mercado. A estreia, no entanto, tem sido volátil: a Xanadu chegou a subir cerca de 15% no primeiro dia de negociação nos Estados Unidos, mas perdeu força na sequência, enquanto a Horizon acumula queda de 18% desde o IPO.

Computadores quânticos usam princípios da física quântica — área que estuda o comportamento de partículas em escala subatômica — para processar informações de forma diferente dos sistemas tradicionais, com potencial para resolver problemas complexos com muito mais rapidez.

Apesar disso, a tecnologia ainda está em estágio inicial e distante do uso cotidiano. À CNBC, Joe Fitzsimons, fundador e CEO da Horizon Quantum, afirma que o setor começa agora a mudar de patamar. Esse avanço passa por melhorias na correção de erros e no desempenho dos sistemas, fatores essenciais para tornar os computadores quânticos mais estáveis e confiáveis.

Para Velu Sinha, sócio da Bain & Company, as primeiras demonstrações de vantagem quântica prática devem ocorrer entre 2028 e 2029. Esse seria o momento em que essas máquinas começariam a superar computadores tradicionais em tarefas específicas, segundo fontes ouvidas pela rede de televisão americana.

Aplicações mais amplas — como o desenvolvimento de novos medicamentos ou a otimização de cadeias logísticas — ainda devem demorar mais. “Isso é mais provável na metade da década de 2030”, afirma Sinha.

Busca por dinheiro e primeiros usos

A abertura de capital surge como uma das principais formas de financiar esse desenvolvimento, que exige investimentos elevados e ainda não gera retorno imediato. Ao mesmo tempo, a monetização tende a acontecer de forma gradual, explica Matthew Kinsella, CEO da Infleqtion. Enquanto a tecnologia não amadurece, empresas buscam receita com soluções intermediárias.

Algumas desenvolvem softwares aplicáveis a computadores tradicionais; outras oferecem acesso remoto a sistemas quânticos via nuvem.

Dados citados pela CNBC indicam que governos e grandes empresas já investiram bilhões de dólares no setor, que pode atingir entre US$ 100 bilhões e US$ 250 bilhões no longo prazo.

Sinha resume esse momento ao afirmar que o setor deixou de ser um experimento científico e passou a trilhar um caminho comercial.

Ainda assim, o desempenho das ações após os IPOs mostra que o mercado segue cauteloso — principalmente em relação ao tempo necessário para transformar a tecnologia em lucro.

“O potencial é alto, mas a adoção em larga escala ainda está distante”, afirma Marc Einstein, diretor de pesquisa da Counterpoint Research.

Para os investidores, o cenário combina alto potencial com riscos relevantes, já que o retorno ainda depende de avanços que podem levar anos.

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