Guerra: captura de um navio iraniano pela Marinha dos EUA no domingo foi o estopim para Teerã abandonar a mesa de negociações. (Mininyx Doodle/Getty Images)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 23 de março de 2026 às 05h37.
Os mercados globais ampliam o movimento de queda e se aproximam de uma correção, após quatro semanas consecutivas de perdas. O cenário combina escalada geopolítica, alta do petróleo e revisão das expectativas de juros.
Nos Estados Unidos, os futuros do Dow Jones recuavam cerca de 0,5%, enquanto o S&P 500 caía 0,7% e o Nasdaq 100 perdia 0,8%. A sequência negativa aproxima os índices do limite técnico de 10% abaixo das máximas recentes.
Na Europa e na Ásia, o movimento também é de baixa. Investidores reprecificam ativos diante do risco de interrupções no Estreito de Hormuz, rota estratégica para o fluxo global de energia.
O gatilho recente foi a ameaça do presidente Donald Trump de atacar infraestruturas iranianas caso o país não reabra a passagem marítima. O episódio elevou a percepção de risco e aumentou a volatilidade.
O impacto direto ocorre no mercado de energia. O Brent supera US$ 113 por barril, enquanto o WTI avança acima de US$ 100, pressionando custos logísticos, industriais e de consumo.
A alta do petróleo reforça o risco de inflação persistente, reduzindo a probabilidade de cortes de juros no curto prazo. O rendimento dos títulos do Tesouro americano de 10 anos subiu para cerca de 4,42%.
Com juros mais elevados, ativos de risco perdem atratividade e ampliam o movimento de correção nas bolsas globais.
O ouro é negociado ao redor de US$ 4.360 por onça troy, próximo das mínimas recentes após forte recuo desde níveis acima de US$ 5.000.
A prata opera próxima de US$ 66.787 por onça troy, acumulando queda semanal de cerca de 16,7% e retração ao longo de 2026.
A queda dos metais ocorre em paralelo à alta dos rendimentos, que favorece ativos atrelados a juros e reduz o apelo de instrumentos sem retorno.