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Como funcionam as novas regras do Pix para devolver dinheiro?

O objetivo do Mecanismo de Devolução Especial (MED) 2.0 é aumentar as chances de vítimas de fraude recuperarem o dinheiro desviado via Pix

MED 2.0: ferramente começou a funcionar nesta segunda-feira, 2 (Marcio Binow da Silva/Getty Images)

MED 2.0: ferramente começou a funcionar nesta segunda-feira, 2 (Marcio Binow da Silva/Getty Images)

Rebecca Crepaldi
Rebecca Crepaldi

Repórter de finanças

Publicado em 3 de fevereiro de 2026 às 16h34.

Nesta semana entrou em vigor o Mecanismo de Devolução Especial (MED) 2.0 do Pix do Banco Central. O objetivo da nova versão é aumentar as chances de vítimas de fraude recuperarem o dinheiro desviado.

O sistema é voltado exclusivamente para casos de golpe, ameaça ou coação — não vale para erros de digitação ou transferências feitas por engano.

O recurso já existia, mas apresentava alcance restrito. Pelos dados mais recentes do Banco Central, apenas uma pequena parcela dos valores contestados foi devolvida, cerca de 9,3% em 2025. A principal limitação era que o bloqueio ocorria somente na primeira conta que recebia o valor desviado.

A principal mudança está no chamado bloqueio em cadeia. Antes, a tentativa de retenção se limitava à primeira conta que recebia os recursos. Agora, o sistema passa a rastrear o caminho do dinheiro.

A ideia é acompanhar a trilha das transferências e ampliar as chances de encontrar saldo ainda disponível.

Para acionar o mecanismo, a vítima deve registrar a contestação diretamente no aplicativo do banco, na área de fraude ou contestação. Também é necessário comprovar a fraude por meio de boletim de ocorrência.

Se eu fizer um Pix errado, consigo meu dinheiro de volta?

Se você fizer um Pix errado, não é possível recuperar o dinheiro pelo Banco Central. "Você precisa entrar em contato com a pessoa para quem você fez o Pix, para que ela possa te reaver esse dinheiro", explica Denise Medina, economista e professor da Faculdade do Comércio da ACSP.

Por outro lado, o MED pode ser usado em casos de falha operacional no Pix. Isso pode acontecer, por exemplo, quando a pessoa é debitada duas vezes.

“Já houve situações em que o sistema apresentou instabilidade, o usuário fez um Pix, a transação parecia não ter sido concluída, ele tenta de novo e depois percebe que o valor foi descontado em duplicidade”, diz Juliana Inhasz, professora de economia do Insper.

Nesses casos, quando é identificada a falha, a devolução do dinheiro costuma acontecer, em geral, em até 24 horas.

Mas o mais importante é que o MED é para casos de fraudes, envolvendo ou não roubos e furtos de celular.

Meu dinheiro foi devolvido parcialmente, e agora?

O valor desviado pode não ser devolvido integralmente de forma imediata, mas o mecanismo prevê a restituição parcial ao longo do tempo.

Isso acontece porque a instituição financeira do recebedor do Pix, classificado pelo Banco Central como fraudador, deve manter tentativas sucessivas de bloqueio.

“Funciona quase como um processo automático: por até 90 dias, cada novo recurso que cair na conta pode ser retido e usado para devolver o dinheiro a quem foi prejudicado”, diz Inhasz.

E se eu for assaltado, recebo meu Pix de volta?

Se a pessoa for assaltada e os criminosos conseguirem fazer um Pix em seu nome, há a possibilidade de reaver os valores. Isso porque a perda do dinheiro se enquadrará como fraude financeira. Para isso, é necessário entrar em contato com o banco e acionar a ferramenta de contestação.

Tem valor máximo para reaver o Pix com a nova regra?

Não há um valor máximo para a devolução, mas ela depende da disponibilidade do dinheiro na conta do fraudador. "O banco vai rastrear todas as contas que o dinheiro for transferido e o Banco Central vai bloqueando cada uma. Mas, se o criminoso sacar o dinheiro no caixa eletrônico, isso sai do sistema e não tem como reaver", alerta Medina.

Qual o prazo para contestação e devolução do Pix?

Sobre os prazos, o usuário pode contestar o Pix em até 80 dias. Já o Banco Central tem 7 dias para analisar o caso e mais 4 dias para devolver os valores, ou seja, 11 dias no total.

Como acionar o MED 2.0?

Para acionar o MED 2.0, é preciso registrar a contestação pelo aplicativo do banco, na área de fraude ou contestação.

Sobre o boletim de ocorrência, não há obrigatoriedade formal prevista nos documentos do Banco Central. No entanto, na prática, ele é fundamental para comprovar que houve fraude ou golpe.

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