MED 2.0: ferramente começa a funcionar nesta segunda-feira, 2 (FG Trade/Getty Images)
Repórter de finanças
Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 14h42.
Quem for vítima de fraude envolvendo o Pix passará a contar com um sistema mais robusto para tentar recuperar o dinheiro perdidoa partir desta segunda-feira, 2. A atualização das regras entra em vigor com a implementação do chamado Mecanismo de Devolução Especial (MED) 2.0.
O recurso já existia, mas apresentava alcance restrito. Pelos dados mais recentes do Banco Central, apenas uma pequena parcela dos valores contestados conseguiu ser devolvida — cerca de 9,3% em 2025. A principal limitação era que o bloqueio ocorria somente na primeira conta que recebia o valor desviado.
Na prática, isso reduzia bastante a efetividade da medida, já que golpistas costumam transferir rapidamente os recursos para diversas outras contas, dificultando o rastreamento.
De acordo com o Banco Central, para elevar a taxa de recuperação é fundamental acompanhar o trajeto do dinheiro para além do primeiro destino.
A nova versão do mecanismo amplia o alcance das investigações. O sistema passará a monitorar a circulação do valor transferido de forma irregular, seguindo a trilha das movimentações feitas após o recebimento inicial.
Com isso, aumentam as chances de bloqueio de recursos ligados a fraudes, além de facilitar a identificação das contas utilizadas no esquema. A autoridade monetária também avalia que a medida encarece a operação dos criminosos, pois dificulta a dispersão do dinheiro e amplia o risco de rastreamento.
O procedimento funcionará em etapas. Assim que a fraude for comunicada, a conta que recebeu o Pix será bloqueada automaticamente. Se o saldo já tiver sido transferido, o sistema tentará atingir a conta seguinte que recebeu os valores. Esse processo poderá se repetir sucessivamente, acompanhando o caminho percorrido pelo dinheiro.
O Banco Central informou ainda que a notificação do golpe poderá ser feita diretamente pelo aplicativo da instituição financeira do cliente.