Nos últimos 12 meses, as ações da Telefónica Brasil subiram 40%. Já os papéis da Telefónica S.A. caíram 13% no mesmo período (Orlando Sierra/AFP)
Repórter de Mercados
Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 12h14.
Pela primeira vez desde sua criação, a Telefónica Brasil, dona da marca Vivo, vale mais do que a controladora espanhola. O movimento revela o contraste entre o desempenho positivo da operação brasileira e as dificuldades enfrentadas pela sede, em Madri.
A Telefónica Brasil alcançou valor de mercado de 19 bilhões de euros — o equivalente a R$ 101 bilhões. A controladora ficou em 18,8 bilhões de euros. A inversão ocorre mesmo com a matriz detendo cerca de 77% da subsidiária.
Nos últimos 12 meses, as ações da Telefónica Brasil subiram 40%. Já os papéis da Telefónica S.A. caíram 13% no mesmo período, enquanto o índice europeu Stoxx 600 Telecom teve alta de 8,6%.
A inversão de valor de mercado escancara um problema que se arrasta desde novembro de 2024, quando a Telefónica S.A. realizou um evento com investidores e anunciou dois movimentos negativos: corte nos dividendos e na projeção de fluxo de caixa livre.
Desde então, o mercado não digeriu bem a nova fase da companhia sob o comando de Marc Murtra, nomeado CEO em janeiro de 2025. Indicado pelo governo espanhol — que tem uma participação de 10% na empresa — Murtra assumiu a missão de reposicionar o grupo globalmente, mas ainda não conseguiu convencer investidores sobre sua estratégia.
Sem experiência anterior na liderança de grandes empresas, Murtra acelerou a saída da Telefónica de mercados latino-americanos com desempenho fraco, trocou boa parte da alta gestão e anunciou cortes de empregos.
Mesmo com as mudanças as ações da empresa continuaram pressionadas, e o mercado segue cético quanto à capacidade de execução do novo comando, segundo analistas ouvidos pela Bloomberg.
O Brasil é hoje o segundo maior mercado da empresa no mundo. A operação brasileira vive o melhor momento em anos. A Vivo conseguiu ganhar eficiência operacional, ampliar receita com serviços digitais e consolidar a migração de clientes do pré-pago para o pós-pago, com maior margem.
A empresa também se beneficiou da consolidação do setor no Brasil após a compra da Oi Móvel. Ao contrário da matriz, a Telefónica Brasil mantém uma política estável de distribuição de dividendos, o que também contribuiu para atrair investidores locais em meio ao ciclo de queda dos juros no país.