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Vale: lucro cresce 36% no 1º tri, mas vem abaixo do consenso — entenda o resultado

Mineradora registrou lucro de US$ 1,89 bilhão no período; custos subiram mais de 10%

Vale: mineradora divulgou resultados nesta terça-feira (28)

Vale: mineradora divulgou resultados nesta terça-feira (28)

Mitchel Diniz
Mitchel Diniz

Editor de Invest

Publicado em 28 de abril de 2026 às 20h01.

A Vale encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido de US$ 1,893 bilhão, um crescimento de 36% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado refletiu um ambiente de preços equilibrados dos principais insumos produzidos pela companhia (ferrosos e metais), combinado com avanços operacionais em diversas frentes do portfólio, destaca a empresa.

Com base no câmbio médio do período reportado no balanço, de R$ 5,2591 por dólar, o lucro em moeda brasileira seria de R$ 9,955 bilhões. Assim, ficou abaixo do consenso de mercado, que previa R$ 11,53 bilhões.

A geração operacional medida pelo EBITDA ajustado chegou a US$ 3,83 bilhões, alta de 23% sobre o primeiro trimestre de 2025.

A margem EBITDA Proforma (comparável) ficou em 42%, dois pontos percentuais acima dos 40% registrados um ano antes, sinalizando que a empresa conseguiu expandir rentabilidade mesmo diante da pressão de custos causada pela valorização do real frente ao dólar no período.

Receitas vale no 1º trimestre de 2026

A receita líquida total somou US$ 9,26 bilhões, avanço de 14% na comparação anual. O segmento minério de ferro, que engloba finos e pelotas, respondeu por 74% do total, com receita de US$ 6,88 bilhões, crescimento anual de 8%. O preço médio realizado dos finos de minério de ferro ficou em US$ 95,8 por tonelada, praticamente estável na comparação trimestral, mas 6% acima do registrado no primeiro trimestre de 2025.

O destaque do trimestre, porém, ficou por conta dos metais básicos. A divisão Vale Base Metals gerou receita de US$ 2,38 bilhões, salto de 37% na comparação anual. O cobre foi o principal motor: o preço médio realizado atingiu US$ 13.143 por tonelada, alta de 48% em relação ao 1T25, impulsionado pela valorização do metal nas bolsas internacionais. O EBITDA da divisão de metais básicos mais do que dobrou, crescendo 116% para US$ 1,197 bilhão.

Custos pressionados pelo câmbio

Os custos totais, excluindo despesas relacionadas a Brumadinho, somaram US$ 6,70 bilhões, crescimento de 12% sobre o primeiro trimestre de 2025. O principal vilão foi a apreciação do real: o câmbio médio do trimestre ficou em R$ 5,26 por dólar, ante R$ 5,85 um ano antes.

Como grande parte dos custos operacionais da Vale é denominada em reais — mão de obra, energia, serviços — a valorização da moeda brasileira encarece a operação quando os resultados são convertidos para dólares.

O custo caixa C1 do minério de ferro, principal métrica de eficiência do setor, subiu 12% para US$ 23,6 por tonelada. A Vale alertou que, mantido o câmbio projetado pelo mercado para 2026 em torno de R$ 5,25 por dólar, o custo anual deve caminhar para o limite superior de sua faixa de guidance.

Dívida sobe com pagamento robusto de dividendos

A dívida líquida expandida, que inclui, além das dívidas financeiras, as provisões relacionadas a Brumadinho e Samarco, encerrou março em US$ 17,8 bilhões, alta de US$ 2,2 bilhões em relação ao fim de dezembro.

A principal razão não foi deterioração operacional, mas sim a distribuição de US$ 2,745 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio aos acionistas durante o trimestre, além de US$ 74 milhões utilizados no programa de recompra de ações, que já totalizou a aquisição de aproximadamente 4,98 milhões de papéis.

A dívida bruta em si permaneceu praticamente estável em US$ 18,8 bilhões, com prazo médio de 8,4 anos e custo médio de 5,5% ao ano após operações de hedge.

Geração de caixa sustenta o ciclo de retorno ao acionista

O fluxo de caixa operacional somou US$ 1,879 bilhão no trimestre, crescimento anual de 13%, beneficiado pelo EBITDA mais robusto e pela queda de 46% nos pagamentos de impostos sobre o lucro, que recuaram de US$ 596 milhões para US$ 321 milhões.

O fluxo de caixa livre recorrente atingiu US$ 813 milhões, 61% acima dos US$ 504 milhões gerados no mesmo período do ano anterior.

Qual foi a produção de minério de ferro da Vale no 1º trimestre

A Vale registrou produção de 69,7 milhões de toneladas de minério de ferro no primeiro trimestre de 2026, volume 3% superior ao mesmo período do ano anterior. O resultado foi sustentado por recordes operacionais na mina S11D, na Serra dos Carajás, e em Brucutu, em Minas Gerais, além do avanço dos projetos Capanema e VGR1.

As vendas do minério atingiram 68,7 milhões de toneladas, o maior patamar para um primeiro trimestre desde 2018, com preço médio realizado de US$ 95,8 por tonelada. Para o ano completo, a companhia mantém guidance de 335 a 345 milhões de toneladas de minério de ferro.

Na linha de pelotas, a produção chegou a 8,2 milhões de toneladas, alta de 13,7% na comparação anual, impulsionada pelo desempenho das plantas de Tubarão. O guidance para aglomerados — categoria que inclui pelotas e briquetes — é de 30 a 34 milhões de toneladas em 2026.

Qual foi a produção de cobre e níquel da Vale no 1º trimestre

No segmento de metais, a Vale também apresentou crescimento de dois dígitos nos dois principais produtos. A produção de cobre totalizou 102,3 mil toneladas no trimestre, avanço de 12,5% sobre o primeiro trimestre de 2025 e o melhor resultado para o período desde 2017.

O desempenho foi puxado por recordes nas minas de Salobo e Sossego, ambas em Carajás. O preço médio realizado do cobre disparou 47,8% na comparação anual, para US$ 13.143 por tonelada, reflexo da forte valorização do metal nas bolsas internacionais. O guidance da companhia para o cobre em 2026 é de 350 a 380 mil toneladas.

O níquel produziu 49,3 mil toneladas no período, alta de 12,3% e o melhor primeiro trimestre desde 2020. Os destaques ficaram por conta de Onça Puma, no Brasil, e da refinaria de Long Harbour, no Canadá, que registrou recorde histórico de produção para um primeiro trimestre. A Vale projeta entre 175 e 200 mil toneladas do metal para o ano.

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