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Real forte e petróleo mais caro elevam custos da Vale em 12% no 1º tri

Empresa vende produtos em dólar no mercado internacional, mas paga a maior parte de sua operação em reais

Vale: custos pressionados por câmbio e petróleo no 1º tri

Vale: custos pressionados por câmbio e petróleo no 1º tri

Mitchel Diniz
Mitchel Diniz

Editor de Invest

Publicado em 28 de abril de 2026 às 20h22.

Mesmo com um trimestre operacionalmente robusto, os custos totais da Vale subiram 12% na comparação anual, para US$ 6,70 bilhões. A principal métrica de eficiência do setor, o custo caixa C1 do minério de ferro, também subiu 12%, para US$ 23,6 por tonelada. Os dois principais "culpados" pelo avanço foram valorização do real frente ao dólar e a alta do petróleo, que pressionaram a operação por caminhos diferentes.

O que é o custo C1 e por que ele importa

O custo C1 mede quanto a empresa gasta, por tonelada produzida, apenas com a extração e o processamento do minério de ferro até o portão da mina. Essa conta não inclui frete, royalties ou outros custos adicionais. É a métrica mais usada pelo mercado para comparar a eficiência operacional entre mineradoras ao redor do mundo.

Quanto mais baixo o C1, maior a capacidade da empresa de gerar margem mesmo em cenários de queda no preço do minério. Por isso, qualquer movimento relevante nesse indicador é acompanhado de perto por investidores e analistas.

Por que o real mais forte encarece a operação

A Vale vende seus produtos em dólar no mercado internacional, mas paga a maior parte de seus custos operacionais em reais, como salários, energia elétrica, combustível, serviços e manutenção.

Quando o real se valoriza frente ao dólar, essas despesas ficam mais caras na conversão para a moeda americana, que é a base de reporte da companhia.

No primeiro trimestre de 2026, o câmbio médio ficou em R$ 5,2591 por dólar, contra R$ 5,8522 no mesmo período de 2025, uma apreciação de 10% do real.

O papel do petróleo nos custos

O petróleo entra na conta da Vale por duas vias. A primeira é o diesel, usado diretamente nas operações de mineração. É o que abastece caminhões, escavadeiras e outros equipamentos pesados que trabalham dentro das minas.

Quando o preço do combustível sobe no mercado doméstico, o custo de cada tonelada extraída aumenta junto. A própria Vale quantifica essa sensibilidade: uma variação de 10% no preço do diesel no Brasil impacta o custo C1 em cerca de US$ 0,15 por tonelada.

A segunda via é o frete marítimo. Os navios que transportam o minério da Vale dos portos brasileiros até a China e outros destinos rodam com bunker oil, um derivado pesado do petróleo. A Vale estima que cada variação de US$ 10 por barril no Brent implica uma oscilação de aproximadamente US$ 1 por tonelada no seu custo de frete.

No primeiro trimestre, o frete médio ficou em US$ 18,1 por tonelada, praticamente estável em relação ao trimestre anterior, em parte porque a companhia tinha contratado hedges para se proteger justamente dessas oscilações.

A proteção que a Vale montou — e seus limites

Prevendo um ambiente de petróleo volátil, a Vale contratou em 2025 instrumentos financeiros de proteção para aproximadamente 70% do seu consumo projetado de bunker oil para 2026. A estrutura usada garante proteção contra altas do Brent acima de US$ 80 por barril. Isso significa que, até certo ponto, a empresa está blindada contra novos choques no preço do petróleo ao longo do ano.

O que a Vale prevê para daqui em diante

A Vale alerta que, mantido o câmbio projetado pelo consenso de mercado para 2026 (em torno de R$ 5,25) e o barril de petróleo Brent em torno de US$ 90, o custo anual deve caminhar para o limite superior de suas faixas de guidance, que são de US$ 20,00 a US$ 21,50 por tonelada no C1 e de US$ 52,00 a US$ 56,00 por tonelada no custo all-in.

Cada variação de R$ 0,10 no câmbio implica impacto de aproximadamente US$ 0,25 por tonelada no C1 e de US$ 0,40 por tonelada no custo all-in.

Um real que continue forte e um petróleo que permaneça elevado ao longo do ano podem representar um desafio crescente para a rentabilidade da operação, mesmo que os preços dos metais se mantenham em níveis favoráveis.

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